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Como foi participar de um projeto que incentiva mulheres a programar

Reprograma é uma iniciativa com o objetivo de empoderar mulheres ensinando programação front-end

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29/12/2016 às 13h25
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Nota do editor: o Reprograma é um curso intensivo para capacitar mulheres a se tornarem programadoras front-end, apoiado por empresas como Nubank, Microsoft, ThoughtWorks e Itaú. A Evy Perez participou da iniciativa e conta sua experiência. (Paulo Higa)

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Não é novidade que o setor de tecnologia é predominantemente masculino. Os motivos são diversos, vão desde a falta de incentivo, passando por menores oportunidades de crescimento e também desigualdade salarial. Por isso, existe bastante importância em incentivar mulheres nesse meio, pois quanto menor a diversidade, mais os ambientes, produtos e serviços continuarão pouco amigáveis para mulheres.

Eu, particularmente, sempre gostei de tecnologia, mas nunca tive coragem de me envolver profundamente com a área. Eu preferi trabalhar como designer, mas sempre tive vontade de aprender programar e me via colocando empecilhos para não começar. Até que em um dos muito grupos de Facebook que participo, acabei encontrando uma iniciativa chamada Reprograma. O objetivo é empoderar mulheres, ensinando programação front-end. Taí minha oportunidade de aprender a programar. 😉

O Reprograma é uma iniciativa em formato experimental, com uma equipe de voluntários dispostos a ensinar e integrar mulheres na área de tecnologia. A ideia não é apenas capacitar mulheres em programação front-end, mas oferecer todo o suporte possível. Isso inclui dar apoio profissional e psicológico, ensinar empreendedorismo, além de oferecer mentoria liderada por profissionais mulheres reconhecidas.

O curso é integral, com duração de seis semanas. A única exigência é ter tempo disponível e vontade de aprender a programar. Passei por uma seleção e fui chamada — eram mais de 300 mulheres inscritas, apenas 25 selecionadas, todas muito diferentes umas das outras. Foram semanas muito intensas, é uma imersão inexplicável. Apenas um spoiler: quebrar a cabeça era rotina.

Na primeira semana tudo parecia bem tranquilo. Tivemos aulas incríveis sobre design UX, design sprint, empreendedorismo e dicas de como entrar na área de tecnologia.

Ainda de boas, antes de programar uma linha de código

Na segunda semana começamos a quebrar a cabeça, aprendemos o básico sobre internet, banco de dados, navegadores, etc. Depois começamos a aprender HTML5 e CSS. Os desafios foram ficando mais difíceis: tivemos que fazer uma espécie de feed imitando o Facebook e depois um quadro com a foto de todas as alunas.

Nós sofremos com os desafios, pois o Reprograma ainda não tinha passado conteúdo suficiente — a ideia era fazer a gente quebrar a cabeça com aquilo que sabíamos, para depois ensinar do jeito correto. Nessa fase, algumas mulheres tiveram muita dificuldade e vontade de desistir, isso que ainda nem sonhávamos com JavaScript.

O primeiro desafio foi fazer uma página simples em HTML5

Horas quebrando a cabeça para fazer esse quadrinho aí…

Na quarta semana começou o JavaScript. Foi nessa hora que veio o desespero. Ninguém estava entendendo nada, as linhas de código eram confusas, tinha dias que não dava vontade de ir para a aula e algumas mulheres eram arrastadas pelas amigas. Vamos combinar que JavaScript é complicadíssimo para quem nunca programou nada, né? Foi só na quinta semana que realmente aprendemos mais sobre a linguagem, a fazer formulários, executar ações e dar alertas, nos dando aquela vontade de aprender mais.

Quadro de alunos bonitinho

Agora a gente tinha que se preparar para a sexta semana, o temido projeto final. Foram três dias para fazer um site aplicando tudo que aprendemos durante as seis semanas; achei pouco tempo e passei a semana com sono, pois estudava de madrugada para entregar no prazo. Mesmo passando por diversos perrengues (com direito a uma queda de energia na véspera do dia da entrega), fiquei com muito orgulho do meu trabalho.

Durante o curso recebemos diversas profissionais reconhecidas, onde tivemos uma conversa sobre suas carreiras e as dificuldades de ser mulher em ambientes tecnológicos.

Roberta Arcoverde (Stack Overflow) e Flavia Verginelli (Google)

Conhecemos grandes empresas de tecnologia, como Twitter, Nubank, MasterCard, Microsoft e Cubo Itaú, conversando sobre suas tentativas de mudar a disparidade de gêneros.

No último dia o clima era de festa, os projetos finais ficaram incríveis e todo mundo tinha superado suas expectativas pessoais. A formatura foi no Nubank, onde conhecemos o CEO e fundador David Veléz, a cofundadora Cris Junqueira, e a desenvolvedora de software Isabela Gonçalves.

Formatura do Reprograma no Nubank

Foi uma experiência incrível e só tenho que agradecer a todos que fizeram esse projeto ser uma realidade. A disparidade entre os gêneros ainda é grande, mas sem dúvidas o Reprograma contribuiu para termos mais mulheres na tecnologia.

Se quiser participar do Reprograma como aluna ou voluntária, uma nova turma vai começar no primeiro semestre de 2017. Entre em contato com as organizadoras e colabore por um mundo mais diverso. 😉

Um obrigado a todos da equipe do Reprograma, que me deram essa incrível oportunidade.

Sobre a autora

Me chamam de Evy, sou designer, aprendendo a programar. Gosto de me expressar criando montagens. Você pode me encontrar no Twitter, Instagram ou no meu site.

  • Zé das Covi

    É bom ver que esse cenário ta mudando, estou ainda tentando trabalhar com programação, curso ADS e pelo que eu vi os cursos do primeiro, segundo e terceiro semestre já tem mais mulheres que os cursos que já estão concluindo, acho que aos poucos isso tende a mudar, e iniciativas assim fazem com que isso aconteça mais rápido, visto que provavelmente muitas dessas mulheres vão ser “replicadoras” de tudo que aprenderam ali .
    Eu trabalhava como suporte em uma “grande” empresa de hospedagem, e na minha equipe não tinha nenhuma mulher, uma equipe de 30 pessoas com nenhuma mulher, e quando entrou uma logo o pessoal já veio com ” é sapatão tenho certeza “

    • Evy

      Eu fico muito feliz de ver que esse cenário já está mudando, infelizmente as mulheres da área continuam sendo minoria e comentários do tipo podem acontecer, mas pode ter certeza que se você apoiar suas amigas da área e evitar certos comentários, já vai estar ajudando bastante. 😉

      • Zé das Covi

        aos poucos ficou natural para o pessoal pois viram que tem competência.
        Com a chegada de uma nova mulher na equipe já não causou nenhuma alteração além da esperada quando chega um novo membro na equipe .

    • Leandro

      eu mesmo estou treinando uma amiga

  • Carolinne Rodrigues

    Que iniciativa arretada! Quais os pré-requisitos para a participação?

    • LessTech

      Ser mulher. =P

      • Carolinne Rodrigues

        <3

    • Evy

      Só precisa ser mulher, ter tempo e disposição para aprender. =D

  • Curiosidade: por que desenvolvimento front-end? É legal que você sai com algo mais prático, mas como a própria autora comentou, Javascript é uma linguagem um tanto quanto complicada para começar.

    • Zé das Covi

      acho que é pra ser algo introdutório e que tem um resultado ali na hora, não precisa esperar estar tudo pronto pra se ver funcionando, e isso acaba dando um baita ânimo .

    • Evy

      A idéia é o curso ser o mais completo possível, a gente tinha que conseguir saber pelo menos fazer um site funcional no final do projeto, para isso nos ensinaram o famoso combo: HTML5, CSS e Javascript, o básico pra quem quer desenvolver site.

      • Interessante conseguirem fazer um site completo em tão pouco tempo, ainda mais hoje em dia que tem tanta coisa envolvida (HTML, CSS, Javascript, etc..).

        Eu aprendi de forma mais tradicional, fazendo algoritmo em tela preta, acredito que seja mais fácil mas também é maçante e pode desanimar como @nicolas_gleiser:disqus comentou. Acho que eu simplesmente não me dou muito bem com front-end. :p

        • Evy

          É verdade, não é muito fácil mesmo @google-c1e8c4d9f770b920ebf66bcdfb1f7dec:disqus, principalmente JavaScript, tiveram dias que foram bem cansativos e a cabeça parecia que ia estourar, mas no projeto tem pessoas que auxiliam e monitoram o desempenho de cada uma, isso era legal, fora o convívio que se forma, cria amizades, uma ajudando a outra e quando se via o tempo passava rápido, mas a ideia do projeto é apresentar e ensinar o básico de criação de sites e isso muitas vezes é o pontapé inicial para começar uma carreira. No final do projeto, são analisados as funcionalidade do site, conteúdo, a evolução pessoal, esforço etc. Outras questões a pessoa provavelmente vai aprender estudando mais, da forma tradicional e trabalhando na área.

        • Eu li um texto esses dias [em inglês] que satiriza o monte de coisa que estão colocando no javascript em que antes com 2 linhas fazia uma coisa, agora tem que importar 84787878 componentes, plugins, frameworks etc…
          Depois de ler o texto até eu fiquei meio desanimado hehehe.
          Meio que acabo ficando com o JS puro e no máximo jQuery e um ou outro plugin que já suprem a necessidade, mas pra que quer começar dá um certo medo hoje em dia.
          Link do texto: https://hackernoon.com/how-it-feels-to-learn-javascript-in-2016-d3a717dd577f#.dj9tztieb

  • EstrelaStein

    Amei a iniciativa. Sou química e tenho muita vontade de aprender a programar. Vou me inscrever para a próxima!

    • Evy

      Participa sim! Não deixa pra depois, pois a experiência foi incrível! Beijos 😘

    • Leandro

      você vai gostar, talvez tanto que desista de química, olha o link: https://code.org/

      • Estrela

        valeuuu! =)

  • Pryscilla Patrício

    Participar do Reprograma foi, simplesmente, uma das melhores coisas que me aconteceram na vida! Tecnologia e empoderamento feminino ❤

    • Evy

      Isso aí! ❤❤

  • Thiago

    Javascript é amor, Javascript é vida! hehehe mas realmente, sendo a primeira linguagem pra aprender, é meio complicado pelo fato do javascript ser muito dinâmico na maneira de programar, mas depois que você “saca” qual é a da linguagem, você ama instantâneamente! parabéns minas! fico feliz em ver que tem nego investindo nesse programa.

    • Leandro

      é bom que nao precisa compilar, só da o F5 no navegador e tá executando!

  • Que notícia de encher os olhos. Parabéns Evy… que muitas mulheres possam aderir ao projeto e que o cenário continue evoluindo!

  • McLovin

    Eu acho que o motivo principal de haver poucas mulheres é a falta de interesse da maioria delas…

    • Acho que curso de exatas já desinteressa muita gente de forma geral, e quando a mulher vê que quase não tem mulheres nos cursos acaba se decidindo a não fazê-lo também. :/

      • Zé das Covi

        minha irmã tem 16 anos e esta se esforçando pra estudar física em alguma universidade de qualidade, ela já foi e conheceu algumas pessoas da usp e lá o numero de mulheres é ínfimo comparado ao de homens .

    • Evy

      Existem vários motivos de ter poucas mulheres, antigamente quando a área de programação era desvalorizada, se tinha muito mais mulheres que hoje. Se quiser saber mais sobre o assunto: http://link.estadao.com.br/blogs/faca-voce-mesma/por-que-mulheres-saem-da-area-de-tecnologia

  • Ramon Gonzalez

    Ótimo projeto, e bela matéria. Parabens! Eu nunca imaginei que JavaScript fosse tão difícil pra quem tá começando a programar. JavaScript <3

  • Luana Costa

    Sou analista de sistemas, cursei Ciência da computação, curso bem puxado, pra mim a melhor escolha que fiz como carreira, mas realmente o mercado e o ambiente ainda é de maioria masculina. Mas tenho notado um aumento pequeno mas promissor de mulheres nesta área.
    Achei a iniciativa maravilhosa, acho que poderia expandir para outras cidades e estados … Parabéns para os organizadores desse curso.

  • Fantástica essa iniciativa!
    Não só mulheres, mas é interessante que cada vez mais pessoas entrem nessa área que é até desconhecida por alguns.
    Uma das atividades do meu estágio da Faculdade foi planejar e dar um curso de HTML, CSS e Javascript básico (semelhante a esse do texto) para alunos de uma escola da cidade.
    Foi uma experiência muito legal, dos 20 e poucos alunos, quase nenhum tinha conhecimento de como se fazia um site ou programa e no final conseguimos terminar com cada um o seu próprio site e demos várias palestras sobre a história da informática, redes etc.
    Parabéns aos envolvidos nesse projeto e que surjam outros parecidos nesse Brasil afora =)
    Ps. Na minha turma começou com 55 alunos, haviam 2 mulheres. Nenhuma concluiu. :/

  • Leandro

    só para acrescentar mais a este artigo, quem quiser esclarecer dúvidas sobre a área de frontend temos um “fórum” no github, com bastante gente da área, td gente boa, vcs mulheres estão convidadas a participar: https://github.com/frontendbr/forum/issues
    (ps: tem mulheres fodonas no front lá tbm)