Na primeira olhada, o Hilab lembra um eletrodoméstico ou até uma caixa de som portátil. Mas o dispositivo cumpre uma função bem mais nobre: fazer diversos tipos de exames laboratoriais de modo rápido e barato com auxílio das nuvens.

Hilab

Normalmente, você precisa seguir este ritual para fazer um exame: ir ao médico, sair de lá com a solicitação em mãos, se dirigir ao laboratório e, então, realizar o procedimento. Com o Hilab, o laboratório vai até você, por mais clichê que a frase soe. Em alguns casos, dá até para o exame ser feito na sala do médico, durante a consulta.

É óbvio que exames mais complexos (de imagem, por exemplo) devem continuar sendo feitos em laboratórios e hospitais especializados. Mas o Hilab é capaz de dar conta dos exames mais frequentes: testes para toxoplasmose, zika, dengue, hepatite, gravidez, colesterol, hemoglobina, vitamina D, glicemia, entre vários outros.

O procedimento é simples. Com um pequeno aparelho, uma gota de sangue é tirada do dedo do paciente. Em seguida, a capsula com a amostra de sangue é colocada dentro do Hilab, que faz uma análise eletrônica do material em até 15 minutos.

Depois, os dados são transmitidos aos servidores da curitibana Hi Technologies — startup responsável pelo equipamento — e então analisados por especialistas de acordo com o tipo de teste a ser feito. Alguns minutos depois, o laudo com o resultado do exame é enviado ao solicitante.

Todo o sistema tem como base a plataforma Azure, da Microsoft, que fornece inclusive inteligência artificial para auxiliar nas análises. A Hi Technologies conta ainda com tecnologias da Intel, além de investimentos da Positivo, que detém 50% da startup.

A companhia é remunerada por exame realizado. Médicos e clínicas não precisam pagar para acessar a plataforma. Os valores variam conforme o tipo de exame, mas, em muitos casos, a economia passa de 50% em relação a procedimentos realizados em laboratórios convencionais.

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Rafael Serafim

Sou totalmente a favor da tecnologia e dos avanços que ela proporciona à humanidade e especificamente aos cuidados da saúde. Porém, nesse caso não vejo avanço algum e sim como um retrocesso na medida em que põe em risco a segurança do paciente e a saúde pública em geral em detrimento de interesses exclusivamente financeiros. Primeiro que o aparelho praticamente é uma máquina que tira uma foto do resultado do teste rápido que não passa de uma tira reagente como os testes de gravidez que se compra em farmácias e envia essa foto online para o laboratório para “alguém assinar”. Até aí não há nenhuma tecnologia inovadora até porque os testes rápidos estão presentes no mercado há muitos anos, porém só devem ser realizados em laboratórios legalmente habilitados para tanto. Segundo, a empresa já lança o aparelho no mercado com foco não no aparelho e sim num serviço que eles NÃO ESTÃO HABILITADOS a fazer, veja bem: para que um exame seja realizado e laudado ele tem de obedecer a algumas normativas dos órgãos sanitários como a RDC 302, RDC 50 e RDC 306 da ANVISA, tratando respectivamente do Regulamento Técnico para funcionamento de Laboratórios Clínicos, dos projetos físicos e do gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. A RDC 302 exige a responsabilidade técnica legal durante todo o processo, que vai desde a fase pré analítica, até a fase pós analítica. Estabelece a obrigatoriedade de controle interno e externo de todos os exames realizados, documentos escritos detalhando os procedimentos, registros e controle dos reagentes, controle e manutenção de equipamentos, calibração de materiais de aferição, entre outras. A RDC 50 estabelece a estrutura física necessária e adequada para a realização de todas as etapas de um processo enquanto a RDC 306 estabelece o gerenciamento de resíduos necessários e imprescindíveis. Sendo assim, só para começar, como será o controle pré-analítico se o exame for realizado em consultórios médicos, farmácias ou qualquer outro ambiente que não está de fato legalmente habilitado? Quem irá se responsabilizar legal e tecnicamente naquele estabelecimento? Essa empresa está propondo uma anarquia no setor de diagnóstico laboratorial, pois é contrária a todas as RDCs da ANVISA e põe em risco a saúde da população inventando um plano mascarado com “mais acesso à saúde, mais rapidez e mais economia”. Fosse assim, ninguém precisaria formalizar um laboratório de análises clínicas, compraria os testes e faria exames em casa para qualquer pessoa cobrando, liberando laudos e diagnósticos, porém para que não aja um atentado à saúde pública é que existem as agências de vigilância sanitária para coibir tal prática de crime. Terceiro, a postura agressiva dessa empresa em empurrar uma máquina que promete “revolucionar” o mercado com testes rápidos é uma piada. Exames são coisa séria, pois se trata de diagnóstico de doenças, não é mais um produto que pode ser vendido online como eles pretendem. Precisa-se de ética, de respeito ao indivíduo, ao profissional da saúde que trabalha diariamente com análises clínicas. Essa proposta como está formulada é um crime contra a saúde dos brasileiros e uma afronta aos milhares de profissionais que se dedicam diariamente com vidas e não apenas com números financeiros e projetos de DOMINAÇÃO DO MERCADO. Acordem pra realidade, tenham mais pé no chão e mais respeito ao próximo.

Rafael Serafim
Falou tudo! Além de que a empresa já começa com mentira afirmando ser filiada à Sociedade Brasileira de Análises Clínicas e a mesma emitiu nota negando qualquer apoio a essa barbaridade e negando inclusive a inclusão disso na SBAC.
Vilson Rebello
Falta muita análise técnica ao modelo de negócio proposto. O mercado diagnóstico tem exigências técnicas, controles de qualidade, normas sanitárias e regras éticas, que não são atendidas pelo modelo. Algumas delas: 1- O médico não pode comercializar o exame prescrito por ele mesmo.(Ponto chave do modelo) 2- A coleta e o equipamento só podem ser operados em ambiente licenciado, como laboratório de análises clínicas.(Anvisa vai cobrar licenciamento igual ao laboratório tradicional) 3- Teste rápido é a metodologia mais inferior existente no mercado, usada somente para triagem de alguns exames, seus resultados não são definitivos, possuem alto índice de falsos positivos, e sempre precisarão de análises com tecnologia superior, como Elisa, Quimioluminescencia, Eletroquimioluminescencia, Citometria de fluxo, Biologia molecular e tantas outras, que são necessárias para um diagnóstico preciso e conclusivo. Sem colocar o paciente em risco. (O médico verá o resultado e dirá "Olha me pagou, mas terá que buscar um laboratório para comprovarmos isso, custo em dobro ao paciente) 4- Esse equipamento não tem nada de inovador, existem outros equipamentos no mercado e já não emplacaram pela ineficiência de seus testes, vejam a empresa Alere é líder mundial em testes rápidos, não conseguiu implantar o modelo no Brasil. (Capital financeiro compra mídia e fala o que bem entende) 5- O laboratório Central de onde os laudos serão emitidos " assinados" precisará estar licenciado junto a Anvisa e órgãos sanitários bem como seus responsáveis técnicos.(Aqui o problema vai impactar seriamente) 6- A estimativa de tamanho de mercado de 25 Bilhões, não levou em consideração que o mercado contratante que representa mais de 90% e composto pelo SUS e planos de saúde, os quais não remuneram médicos, hospitais e clínicas para realização de exames laboratoriais, e o preço pago não chega nem perto dos valores esperados pelo plano financeiro estimado para recebimento por um exame. Cuidado, banalizar o setor diagnóstico, com falsas mensagens de milagre e revolução, em algo velho para profissionais da saúde. O grupo Positivo tem muito a perder, se aventurando no mercado de saúde, com capital aberto, apenas avaliando planos e promessas de retorno financeiro, é um pedido pra perder muito valor de mercado, iludindo ou até causando sérios riscos a saúde pública. Saúde não é serviço de táxi, não esperem criar um modelo disruptivo num setor de complexas especificidades
Thiago A. Klein
Lembrando que estamos no Brasil. Vários órgãos vão se manifestar de forma contrária pelo simples motivo de perder seu emprego. Lembrando que quando a inovação aparece na sociedade é classificada como loucura. Minha opinião é que vai ser barrada em primeiro momento e depois vai se popularizar.
LessTech
Shhhhh Sua professora está te ensinando a fazer bilhões com a venda de vento, sacou? :-P
LessTech
Tenha fé. Nos EUA é muito mais fácil conseguir apoio e investimento em "vento" que no Brasil. Aqui o olhar de investidores (mesmo que apenas técnicos) é tão desconfiado (por causa das safadezas usuais de nosso país) que eles tomam muito mais cuidado antes de alocar recursos. ;-)
LessTech
É bem por aí. Essas tecnologias já existem por aí. A questão da Theranos é que ela se propunha a entregar algo muito mais complexo e ambicioso e que ainda não existia. Pior: Vendia a ideia de que tinha a tecnologia praticamente pronta enquanto na verdade ainda estava saindo do papel. Pessoalmente, torço pela startup brasileira. Em um país onde ser empresário e empreendedor faz de você "um burguês explorador opressor e porco capitalista", acho louvável a iniciativa. Demonstram coragem e resiliência a um ambiente extremamente adverso aos negócios, especialmente pelos desserviços dos governos.
Tet

Obrigado pela resposta. Eu sou extremamente cético com startups de saúde, e startups em geral, por causa da Theranos. Dei uma pesquisada e não achei nada muito concreto, também.

Não sei se vale de argumento que a "Microsoft está investindo", Holmes também conseguiu investimentos de gigantes do venture capital lá fora. Mas é algo para se ver.

Willian Tetsuo Shiratori
Obrigado pela resposta. Eu sou extremamente cético com startups de saúde, e startups em geral, por causa da Theranos. Dei uma pesquisada e não achei nada muito concreto, também. Não sei se vale de argumento que a "Microsoft está investindo", Holmes também conseguiu investimentos de gigantes do venture capital lá fora. Mas é algo para se ver.
tuneman
já to lendo...., hahahhaa minha professora de empreendedorismo sugeriu a leitura dos livros da Bel. Na hora eu falei sobre as polêmicas e ela teve que desconversar o assunto... um colega falou que ano passado ela mandou fazer trabalhos baseados nos livros da Bel. Esse pessoal de empreendedorismo vive num mundo muito utópico. Se eu tentar argumentar com esse tipo de gente serei desqualificado por não ter experiencia suficiente, mesmo estando certo nos argumentos. hahahaha
Cassio R Eskelsen
Tem outra no mesmo caminho, a CEO daquela picaretagem do UBEAM
smit gaekwad

Thanks for providing such nice information to us. It provides such amazing information on Care/as well
Health/. The post is really helpful and very much thanks to you. The information can be really helpful on health, care as well as on
Examhelpline tips. The post is really helpful.

Marco Pacheco
Tive uma infecção na garganta enquanto morava na Suíça! A médica passou um bastão com algodão próximo ao local e enfiou num aparelho que em 10 minutos informou o tipo de bactéria e assim foi prescrito medicamento mais específico ao invés de antibióticos de largo espectro.
tuneman
aka Bel Pesce norte americana...
Rodrigo Dias Javornik
Além deste aparelho, eles contam com outros produtos. Muito legal http://hitechnologies.com.br/site/pt/home/ http://hilab.com.br
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