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Alphabet quer combater o mosquito da dengue liberando 20 milhões de mosquitos

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18 semanas atrás
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O mosquito Aedes aegypti poderá ser eliminado em uma cidade da Califórnia se um experimento nos Estados Unidos der certo: a Verily, subsidiária da Alphabet que estuda ciências da vida, planeja liberar 20 milhões de mosquitos nas ruas de Fresno ao longo das próximas semanas para combater a população atual dos insetos. Como assim?

A Verily conta ao The Verge que um milhão de mosquitos serão liberados por semana durante vinte semanas. Eles são machos infectados com a Wolbachia pipientis, uma bactéria que torna os mosquitos estéreis. A ideia é que as fêmeas tentem se reproduzir com os milhões de novos machos e, com o tempo, o número de mosquitos caia até eventualmente zerar.

Funciona assim:

  • O macho não pica humanos, apenas a fêmea;
  • O macho não transmite a doença da Wolbachia para as fêmeas;
  • Fêmeas não infectadas que se reproduzirem com machos infectados botarão ovos, mas os mosquitos não nascerão.

Com 20 milhões de mosquitos prontos para se reproduzirem nas próximas semanas, as fêmeas botarão alguns milhões de ovos que não chocam. Então, muitos mosquitos devem morrer sem deixar herdeiros. E o melhor é que, como os machos não picam pessoas, os humanos não terão problemas com dengue, zika ou chikungunya (a única inconveniência serão os milhões de mosquitos a mais voando por aí).

A técnica de combate da dengue com a Wolbachia é conhecida desde 2010 e foi testada com sucesso em escalas menores, com alguns milhares de mosquitos infectados. Ela já está sendo pesquisada em diversos países, incluindo o Brasil.

  • Rafael

    Só eu que lembrei do episódio aquele de Black Mirror??

    • Saulo Benigno

      Qual episódio?

      • Dan Morais

        O das abelhas, “Odiados pela nação”? Me veio à cabeça mas não teve muita relação, pq são mosquitos reais, só que carregam uma bactéria.

  • Felipe Xavier

    Sempre que vejo notícias relacionadas a isto, nunca é citado se houveram pesquisas mais abrangentes no ecossistema, sobre o impacto de não haver mais mosquitos. Isto é, se existe algum predador que se alimenta exclusivamente deles.
    Mas se não existe, acho que já passou da hora de eliminar todos.

    • Yago Oliveira

      Creio que os estudos citados levam em consideração o que você mencionou. Porém mosquito é o que não falta em qualquer lugar, de várias espécies além do citado no artigo.

    • Marcus Araújo

      Provável que tenha esses estudos sim, mas imagino (como leigo que sou no assunto, dando meu mais puro achismo) que os mosquitos não afetariam o ecossistema de áreas urbanas.

    • Glauco

      Especificamente os Aedes aegypti não é originário das Américas, apesar de ter se adaptado muito bem ao ambiente, então dificilmente deva existir alguma espécie nativa que tenha sua alimentação dependente dele.

  • Tiago Albuquerque
    • Saulo Benigno

      Aparentemente não funciona né?

  • C. Herrera

    “as fêmeas botarão alguns milhões de ovos que não chocam”… até que “a vida encontre um meio”, especialmente em se tratando de insetos!

    Sei lá, muito cética aqui com esse tipo de projeto, no papel parece lindo, na prática, são outros quinhentos. Não tenho certeza se os caras são capazes de prever todas as possíveis interações ambientais que esse tipo de ação pode ter. E, ainda, lembra muito a “poluição” genética atribuída às sementes de soja patenteadas pela DuPont ou Mosanto, (não recordo).

    Parafraseando novamente o Michael Crichton, se milhões de anos de evolução nos ensinaram alguma coisa é que a vida não pode ser contida.

  • Please come to Brazil!

  • Keaton

    Espero que isso resolva o problema dos pesticidas que também vem exterminando abelhas…