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EUA abrem investigação antitruste contra Amazon, Apple, Facebook e Google

Investigação visa descobrir se gigantes de tecnologia cresceram sufocando a concorrência no setor

Emerson Alecrim Por

Agora é oficial: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou na terça-feira (23) a abertura de um processo antitruste envolvendo gigantes de tecnologia. Embora o órgão não mencione as empresas a serem investigadas, o Wall Street Journal apurou que companhias como Alphabet (Google), Amazon, Apple e Facebook estão na mira.

Bandeira - Estados Unidos

Não que o assunto seja novidade. A investigação antitruste promovida pelo DOJ foi revelada no início de junho. Só faltava o anúncio oficial. Como previsto, esse trabalho será dividido com a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês), que deverá focar a sua investigação sobre a Amazon e o Facebook.

O objetivo é descobrir se as empresas em questão cresceram de modo a limitar a concorrência e, ao mesmo tempo, deixaram os interesses dos usuários em segundo plano.

Analistas apontam que, como o governo americano nunca aplicou uma regulamentação ampla no setor de tecnologia, gigantes como Amazon, Apple, Google, Facebook e Microsoft conseguiram figurar entre as empresas mais valorizadas do mundo, mas às custas da privacidade dos usuários e da concentração de mercado.

Investigações antitruste não são novidade no setor de tecnologia (vide o caso da Microsoft, que teve início em 1998 e terminou em 2011), mas nenhuma chegou a promover mudanças no mercado como um todo.

Amazon

Legisladores dos Estados Unidos só passaram a manifestar interesse pelo assunto depois dos indícios de que plataformas como Facebook, Twitter e YouTube foram usadas para manipulação política nas eleições americanas de 2016.

Mas essa não vai ser uma tarefa fácil. Não é só por conta do volume de trabalho. Um dos desafios do DOJ e da FTC, pelo menos na fase inicial, é compreender com clareza como o setor de tecnologia funciona. A frequente falta de preparo das autoridades para lidar com as nuances desse mercado já frustrou investigações anteriores.

Um exemplo notável vem do senador republicano Orrin Hatch, de 85 anos, que durante uma sessão no Congresso americano relacionado ao escândalo Cambridge Analytica, perguntou a Mark Zuckerberg como o Facebook se sustenta se os usuários não pagam pelo acesso ao serviço.

Demonstrando certa incredulidade com a pergunta, Zuckerberg simplesmente respondeu "senador, nós veiculamos anúncios":

Aparentemente, DOJ e FTC têm mais preparo para lidar com empresas de tecnologia, mesmo assim, as suas ações muitas vezes são classificadas como demoradas ou insuficientes.

Um exemplo recente: muitas autoridades têm criticado a multa de US$ 5 bilhões que a FTC aplicou ao Facebook por conta do escândalo Cambridge Analytica. Confirmada nesta quarta-feira (24), a penalidade está sendo considerada irrisória para uma companhia tão grande.

Com informações: CNET.

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Toto_fofo

Ao ler sites de tecnologia de verdade como Hacker News, percebo que o consenso que estas empresas (e muitas outras) são uma ameaça, está aumentando. Fico feliz.

𝕵𝖆𝖈𝕶 ⚡𝖎𝖑𝖘𝖆𝖓

Sim, o Twitter vem ganhando usuários de forma discreta, e até está dando lucro, coisa que nunca ocorreu nos primeiros dez anos de existência. A recente reformulação visual deles mostra que agora eles tem uma certa força, já que se distanciaram bastante do "padrão Facebook". Mas nem de longe são uma ameaça; me arrisco a dizer que o Facebook em breve tentará comprar o Twitter, para ter um pé no tal do "em tempo real" (e, caso isso aconteça, torço para que a oferta seja recusada pelos executivos do Twitter).

Carlin

O problema não é, não ter apenas concorrente a altura, mais também fazer com que eles não surjam ou simplesmente não consigam entrar no mercado, obrigando que os mesmo se vendam ou fechem as portas! O Facebook comprou o Instagram porque viu nele uma ameaça eminente, motivo pelo qual resolveu também comprar o WhatsApp, com o Instagram nas mãos fico fácil minar qualquer tentativa que o SnapChat pode-se ter de crescer, e esse é só o exemplo!

O Google é grande demais, a ultima grande confusão que levou o Google aos tribunais foi sobre os seus serviços estarem embarcados obrigatoriamente de forma nativa, em todos os aparelhos que usam Android (se não estou engando o rolo todo foi na União Europeia)! Dependendo de quem e como for analisado os processos a Apple pode ser enquadrada em relação a AppStore, sobre favorecer seus serviços (Apple Music por exemplo)!

A Amazon possui uma rede muito grande e diversa, então ela pode acabar "matando" a concorrência facilmente.

- Nessa ótica "matar a concorrência", se refere basicamente a dominar o mercado de tal forma que os usuários se sintam obrigados a usar seus serviços sem nem ao menos pensar em outras possibilidades, a ideia é que o usuário escolha qual navegador usar, em qual loja compra, qual serviço assinar por si só e não que se sinta coagido a usar o da empresa X, Y ou Z por estar atrelado de alguma forma a empresa ou prestadora do serviço.

Deealt Noubeza ( ͡° ͜ʖ ͡°)

satura e aparece outra pra se manter no lugar pra virar uma rede de discussões e deixar de ser uma rede de socialização.

nada novo aqui.

pelo menos até o fim do feisso e twitter no BR, visto que ambas as plataformas viraram um campo de guerra de rinha de gado

Andrei

Posso me arriscar a dizer que o twitter está crescendo, visto que o Facebook está cada vez mais perdendo sua base por conta do caótico sistema de segurança e todas as polêmicas (Além de que toda rede social após um momento satura).

𝕵𝖆𝖈𝕶 ⚡𝖎𝖑𝖘𝖆𝖓

Sei lá... A Apple concorre com a Samsung, o Google (buscador) concorre com o Bing nos States, e a Amazon ainda concorre com lojas físicas como o Walmart, sem falar em AliExpress e Ebay... Desse quarteto citado, só o Facebook não tem concorrente à altura; no máximo, o Twitter corre por fora, já que o Instagram é prata da casa.