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Mark Zuckerberg aposta em Facebook com um “metaverso” e realidade virtual

CEO do Facebook imagina construir ambiente em que 2,9 bilhões de usuários se encontrem em “espaços virtuais”; companhia teve receita de US$ 28,5 bi

Pedro Knoth Por

Ao destacar os pontos fortes do resultado financeiro do Facebook para o 2º trimestre na quarta-feira (28), o CEO e fundador da rede social, Mark Zuckerberg, deu algumas dicas sobre sua visão de futuro para a empresa: ele quer construir o que chamou de “metaverso” dentro da companhia. Um Facebook menos dependente de receitas com anúncios online, que geraram US$ 28,5 bilhões — a empresa faturou US$ 29 bilhões até o final de junho.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)

Metaverso de Zuckerberg é um “MMO” do Facebook

Mas o que é o “metaverso” de Zuckerberg? O próprio fundador do Facebook respondeu a esta dúvida na conferência de resultados:

“O que é o metaverso? É um ambiente virtual onde você pode estar presente com as pessoas em espaços digitais. Você pode pensar isso como uma internet que toma forma, ao invés de ser apenas algo que você visualiza.”

Em postagem, Andrew Bosworth, engenheiro do Reality Labs do Facebook, faz coro com o chefe da rede social: “o metaverso já está entre nós como um conjunto de mundos digitais, cada um com sua própria física que determina o que é possível dentro deles”.

Então o Facebook quer criar um hub digital para que os 2,9 bilhões de usuários ativos — em todos os aplicativos controlados pela empresa — convivam e compartilhem experiências, como um MMO. Ao invés de usar páginas da web, a solução da rede social é investir mais em realidade aumentada.

“A realidade virtual será uma plataforma social, e é por isso que estamos focados em desenvolvê-la”, disse Zuckerberg. O Facebook teve um crescimento de 50% na receita em relação ao 2º trimestre de 2020, quando faturou US$ 18,6 bilhões. A rede social vem investindo parte desse lucro bruto em seu produto de VR: o Oculus.

Quando a companhia de realidade aumentada foi comprada pelo Facebook por US$ 2 bilhões em 2014, a filosofia de Zuckerberg para construir o tal “metaverso” já se desenhava nas entrelinhas do discurso: “O Oculus tem a chance de criar a plataforma mais social da história, e mudar o jeito que nós trabalhamos, jogamos e nos comunicamos”.

Facebook reúne executivos de para trabalhar em VR

Ênfase no jogar, porque o Facebook também entende que o “metaverso” é, em primeiro lugar, um mundo que pode ter games: em junho, a rede comprou o estúdio por trás do Crayta, plataforma semelhante ao Roblox. Este já vale mais de US$ 45 bilhões no mercado e é uma amostra de sucesso de um universo sandbox que Zuckerberg quer desenvolver.

O Facebook tentou levar a concepção de Zuckerberg quando criou o Horizon, o hub social do Oculus Rift. Só que ela permanece em beta e a companhia tem se esforçado pouco para divulgá-la na imprensa ou anunciar novidades.

Andrew Bosworth apontou que o vice-presidente do Facebook Gaming, Vivek Sharma, vai desenvolver um projeto para o Horizon, sob a coordenação de Vishal Shah, vice-presidente de Produto do Instagram.

Mas o “metaverso” de Zuckerberg pode enfrentar resistência dos usuários do Facebook que não estão tão dispostos a largar a navegação de links da web. Enquanto outras plataformas de games crescem, o Oculus tem tido lançamentos marcados pela baixa adesão do público. Contudo, o último headset da linha VR, o Quest 2, bateu recordes de venda quando comparado a outros gadgets da mesma linha. O Facebook ainda não revelou números das vendas do aparelho.

Oculus Quest 2

Oculus Quest 2, do Facebook (Imagem: Facebook/Divulgação)

Um concorrente que vem incomodando o Facebook e que experimenta bastante com realidade aumentada é o TikTok. A plataforma de vídeos da ByteDance ultrapassou 3 bilhões de downloads neste mês, uma marca que apenas apps da própria empresa de Zuckerberg haviam batido.

Resta saber se os usuários do Facebook clamam por mais conectividade via realidade aumentada ou se o sonho de Zuckerberg é apenas uma quimera.

Com informações: TechCrunch [1], [2]

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