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Exclusivo: iPhone 13 do Brasil tem preço até 85% maior que no exterior; veja lista

iPhone 13 do Brasil é o mais caro do mundo, chegando a US$ 3 mil no modelo Pro Max; preço alto se deve a impostos, custos de venda e posicionamento da Apple

Felipe Ventura Por

O preço do iPhone 13 no Brasil foi confirmado pela Apple nesta terça-feira (14), e ele pode ultrapassar R$ 15 mil dependendo do modelo. Um levantamento do Tecnoblog envolvendo 30 países confirma algo que você provavelmente já esperava: teremos o iPhone 13 mais caro do mundo quando ele chegar por aqui, com valores até 85% maiores que nos EUA.

iPhone 13 Pro Max dourado (Imagem: Divulgação / Apple)
iPhone 13 Pro Max dourado (Imagem: Divulgação / Apple)

O Tecnoblog elaborou um ranking com os preços do iPhone 13 Mini de 64 GB e do iPhone 13 Pro Max de 1 TB em 30 países, incluindo Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Japão, Austrália, Coreia do Sul, China, entre outros. Os valores foram obtidos através dos sites oficiais da Apple.

Convertido em dólares, o preço do iPhone 13 Mini no Brasil é de aproximadamente US$ 1.250. Isso significa que o pequeno celular da Apple é 73% mais caro que nos EUA. Em nenhum dos países consultados, o preço oficial desse modelo passou dos US$ 1 mil – nem mesmo na Suécia, Itália ou Dinamarca, que figuram logo abaixo da gente no ranking.

Claro, a situação é pior no caso do iPhone 13 Pro Max de 1 TB: ele sai por quase US$ 3 mil no Brasil, uma diferença de 85% se comparado ao que a Apple cobra nos EUA. O celular grandão também é 53% mais caro que na Índia – ela fica em segundo lugar no ranking de preços, imediatamente após nosso país.

Vale lembrar que a data de lançamento do iPhone 13 no Brasil ainda não foi confirmada.

iPhone 13 Pro e Pro Max têm tela ProMotion de até 120 Hz (Imagem: Divulgação / Apple)
iPhone 13 Pro e Pro Max têm tela ProMotion de até 120 Hz (Imagem: Divulgação / Apple)

Por que iPhone é tão caro no Brasil?

O Brasil já tinha o iPhone 12 mais caro do mundo, então era de se esperar que o iPhone 13 iria bater o mesmo recorde. A grande questão é: por que isso continua acontecendo?

Nossa análise já considera todos os preços em dólar, então não podemos culpar somente a cotação da moeda americana. Basicamente, temos dois fatores aqui:

  • o Brasil tem uma carga pesada de impostos;
  • a Apple se posiciona no Brasil como uma marca de luxo.

Os impostos sobre produtos importados afeta as peças de modelos montados no Brasil – caso do iPhone 11 e novo SE – e os preços de celulares que vêm de fora, geralmente das linhas Pro e Pro Max.

A Apple nunca entrou em detalhes sobre essa questão fiscal, mas sabemos que diversos produtos eletrônicos precisam arcar com custos de nacionalização e de venda. Isso inclui envio para o Brasil, seguro, armazenagem na alfândega e despachante; mais impostos como o ICMS, comissão de venda, financiamento do frete, parcelamento sem juros, intermediador de pagamento, entre outros.

Além disso, a Apple entende que pode cobrar mais caro no Brasil porque o preço é uma forma de diferenciação. Quem compra um iPhone 13 Pro Max consegue mostrar que tem condições financeiras de fazer isso, por exemplo. Esse valor adicional é uma espécie de “lucro Brasil”.

Isso não significa que todo mundo com iPhone é rico, ou quer se passar como tal: os celulares da Apple tem algumas vantagens como suporte mais prestativo e atualizações de software por muitos anos – algo que concorrentes como Xiaomi e Samsung estão começando a adotar.

iPhone 13 em diferentes cores (Imagem: Divulgação / Apple)
iPhone 13 em diferentes cores (Imagem: Divulgação / Apple)

Preços do iPhone 13 no Brasil e no mundo

O Tecnoblog reúne abaixo os preços do iPhone 13 Mini e 13 Pro Max em 30 países, listados em ordem decrescente. Todos os valores foram convertidos da moeda local para o dólar dos EUA, e já incluem os impostos sobre a venda.

PaísiPhone 13 Mini (128 GB)PaísiPhone 13 Pro Max (1 TB)
BrasilUS$ 1.258BrasilUS$ 2.955
SuéciaUS$ 997ÍndiaUS$ 2.446
ItáliaUS$ 991SuéciaUS$ 2.343
DinamarcaUS$ 990DinamarcaUS$ 2.267
NoruegaUS$ 982NoruegaUS$ 2.243
PortugalUS$ 979ItáliaUS$ 2.207
FinlândiaUS$ 979PortugalUS$ 2.195
RússiaUS$ 960FinlândiaUS$ 2.195
EspanhaUS$ 955RússiaUS$ 2.193
FrançaUS$ 955EspanhaUS$ 2.171
HolandaUS$ 955FrançaUS$ 2.171
ÍndiaUS$ 950HolandaUS$ 2.171
AlemanhaUS$ 943AlemanhaUS$ 2.160
Reino UnidoUS$ 939Reino UnidoUS$ 2.142
FilipinasUS$ 905Nova ZelândiaUS$ 2.132
MéxicoUS$ 905MéxicoUS$ 2.112
Nova ZelândiaUS$ 888FilipinasUS$ 2.052
AustráliaUS$ 878CanadáUS$ 2.051
SingapuraUS$ 856ChinaUS$ 2.019
SuíçaUS$ 847SuíçaUS$ 1.997
CanadáUS$ 846AustráliaUS$ 1.991
TaiwanUS$ 827TaiwanUS$ 1.964
MalásiaUS$ 827SingapuraUS$ 1.958
Emirados Árabes UnidosUS$ 820Emirados Árabes UnidosUS$ 1.865
Coreia do SulUS$ 811Coreia do SulUS$ 1.852
ChinaUS$ 807MalásiaUS$ 1.848
EUA (NY)US$ 794JapãoUS$ 1.779
JapãoUS$ 793Hong KongUS$ 1.749
Hong KongUS$ 771EUA (NY)US$ 1.741
EUA (sem imposto sobre venda)US$ 729EUA (sem imposto sobre venda)US$ 1.599

É importante fazer três observações aqui. Em primeiro lugar, o iPhone 13 e 13 Mini custam a partir de US$ 699 nos EUA para clientes das operadoras AT&T, Sprint, Verizon e T-Mobile. Em nossa comparação, usamos o preço cheio de US$ 729 válido para o aparelho desbloqueado.

Em segundo lugar, esse preço nos EUA não tem imposto sobre a venda porque estados como New Hampshire, Montana e Oregon têm alíquota zero. Colocamos também o preço de 8,875%, para deixar a comparação mais justa – além disso, este é um dos principais destinos dos brasileiros. (Na Califórnia, a tributação é ligeiramente menor que em NY.)

Por fim, no Canadá, consideramos o imposto sobre vendas de Ontário, cuja capital é Toronto; em Vancouver, a alíquota é um pouco menor.

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Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

Se só tirar os impostos, o preço cai 50%. É surreal pensar que um iPhone no Brasil custa até mais que uma moto nova.

Igor Nagase (@nagasedesu1)

Todos os outros sites falando que esta mais barato.
Achei que tivesse vindo mais barato que o 12, mesmo continuando sendo o mais caro do mundo.
Tecnoblog, só amor

Arthur Silva Vicentini (@ArthurVX)

Surpreendendo absolutamente zero pessoas

Sérgio (@trovalds)

O que mata no BR é imposto incidindo sobre o frete. Você compra um produto importado e a alíquota é calculada em cima do valor do produto + valor do frete. E nisso um produto que custa US$ 99 mas pesa 10kg e tem valor de US$ 199 de frete vai ser tributado em US$ 298 (um exemplo qualquer). Daí tem Estado que ainda cobra o ICMS, que incide sobre todo o montante anterior (produto + frete + imposto federal). E isso é pra pessoa física, que tem a vida bem simplificada.

Agora pra empresa que importa… IPI, PIS, COFINS, ICMS… a sopa de letrinhas é quase infinita. Fora as exigências absurdas como assinaturas de profissionais como contadores.

“Ah, mas o fabricante X cobra mais barato…” o fabricante X usa manobras tributárias produzindo outros produtos aqui pra conseguir créditos fiscais e conseguir abater um pouco do valor. A Apple até tentou mas como o portfolio é só de produtos premium, o crédito não era lá essas coisas.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

Na verdade a maior parte do preço é impostos mesmo. Basta importar ele legalmente que você comprova isso.

É certo que a Apple vende caro por saber que aqui sua marca tem muito status social, porém o real problema nem é este, e sim a baixa renda da nossa população, fruto de uma economia estagnada e políticas governamentais desastrosas.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

Na verdade é ao contrário, como o @trovalds já exemplificou, para as empresas importarem é bem mais custoso. Elas pagam mais frete, precisam de seguro, transporte, despachantes, etc.

Vindo ainda de uma empresa oficial, nem rola os trambiques, sonegações e outras artimanhas que o mercado cinza e você como PF pode usar para burlar impostos.

Ou seja, o preço já é caro por padrão pela Apple enxergar um mercado de luxo aqui, mas o que mais pesa na conta são tributos e o “custo Brasil” mesmo.

Andre Crespo (@Andre_Crespo)

Cara, se vc não tem condições de comprar um celular top de linha, simplesmente compre um intermediário e troque a cada dois anos quando não tiver mais atualizações se sistema operacional. Dessa forma vc terá um celular que roda tudo e por um preço palatavel. O iPhone 13 mini está com dólar a pouco mais de 9 reais na data de hoje, praticamente a mesma coisa que o Ps5.
Dólar alto é o maior problema no meu ponto de vista. Impostos sempre estiveram aí.

Felipe Cepriano (@felipecn)

O imposto de importação é só um dos componentes do preço. Tem ICMS, IPI, PIS, Cofins…
Mesmo com 2% de imposto de importação, no fim dessa cadeia toda de impostos chegamos em quase 50% sobre o valor original.

Felipe Cepriano (@felipecn)

Eu acho um exagero achar que a Apple se posiciona como uma marca de luxo no Brasil.

É esse o posicionamento global dela, ela só não faz concessões pra cada país
Claro que existem diferenças no poder de compra mas a “coleção atual” começa em US$729 que já é bem caro.
Até a estrategia de vender os iPhones anteriores por anos tem algum paralelo com “coleções passadas” vendidas em outlets… Só o iPhone SE escapa desse padrão.

Felipe Cepriano (@felipecn)

Pois é. Preço de prateleira é comparável com preço de prateleira.

O preço final tem muita coisa embutida… A margem dos varejistas costuma ser maior aqui que no exterior, tem o parcelamento “sem juros” embutido (que é um valor significativo em um iPhone de R$7000…), logística, seguro…

E assim… Se a Apple pagar o preço de custo quando importa o iPhone, paga menos imposto de importação mas em compensação paga mais imposto para fazer remessa de lucro ao exterior.
Então se quiserem manter a margem de lucro (e fazem bastante questão disso) a diferença no preço é bem pequena.

Daria pra Apple vender iPhone mais barato aqui? Daria se abrissem mão da margem de lucro, que parece ser fechada em USD e não terem muita disposição para mudar de país pra país.
Outras marcas funcionam de maneira diferente e não se importam que uma venda no Brasil traga uma margem menor (ainda mais agora que o real está tão desvalorizado)