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Apple rebate UE: sideloading deixaria iOS tão vulnerável quanto Android

Apple aponta que download fora da App Store é ameaça à segurança de usuários e que dispositivos Android têm 47 vezes mais chances de serem infectados por malware

Pedro Knoth Por

A Apple resolveu partir para a ofensiva contra o projeto de lei da União Europeia que forçaria usuários a instalarem softwares e apps fora do ecossistema da App Store. A fabricante do iPhone elaborou um relatório de pesquisa que critica a falta de segurança oferecida por lojas de competidores no Android, sistema que coloca clientes em risco por conta do download de malwares e apps suspeitos.

App Store no iPhone (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)
App Store no iPhone (Imagem: Tecnoblog)

O documento elaborado pela Apple cita os riscos do sideloading em marketplaces de apps para Android. Sideloading é justamente quando o usuário baixa softwares fora do ecossistemas das lojas para aplicativos.

Android tem mais chances de ser infectado por malware

A prática de sideloading não é permitida para os sistemas operacionais da Apple, como iOS e iPadOS. Segundo a empresa, isso protege os usuários de ataques hackers, apontando que dispositivos Android têm 47 vezes mais chances de serem infectados por malwares em relação a iPhones.

O relatório feito pela Apple reúne informações de diversos órgãos de governos ao redor do mundo sobre o tema de cibersegurança, inclusive do Departamento de Segurança Nacional dos EUA e de seu correspondente da Europa — ambos produziram pesquisas sobre segurança no download de apps.

“Manter a segurança e privacidade no ecossistema do iOS é de vital importância para os usuários (…) Apoio a sideloading pelo download direto de aplicativos de terceiros poderia lesar a privacidade e medidas de proteção que fazem o iPhone tão seguro, além de expor usuários a sérios ricos e brechas de segurança”.

Em junho, o CEO da Apple, Tim Cook, defendeu o controle da App Store e como isso protegia os clientes da marca. A empresa publicou na época uma pesquisa sobre os riscos de sideloading. No mesmo mês, reguladores estadunidenses cogitaram aprovar uma lei que exigia que a App Store permitisse baixar apps de terceiros.

Sideloading resultaria em menor número de downloads

Além de citar governos, o relatório também usa dados da consultoria de cibersegurança Kaspersky Lab. De acordo com a firma, usuários de Android são alvo de pelo menos 6 milhões de ataques hackers por mês.

Outros exemplos que são apontados pela Apple que indicam uma falta de segurança maior para o Android incluem um app que clonava a aparência do Clubhouse, aplicativo de conversas de áudio, para roubar dados dos consumidores; e um malware que estava disfarçado como upgrade de segurança, que pedia aos usuários para que desabilitassem barreiras de segurança dos dispositivos.

Por fim, a Apple diz que abrir a App Store para sideloading causaria ceticismo nos usuários, o que, por sua vez, levaria a menos downloads:

“Se a Apple fosse forçada a apoiar o sideloading via download direto e de apps de lojas de terceiros, os usuários do iPhone ficariam em um estado de alerta constante para evitar golpes, nunca sabendo em quem confiar. Como consequência, eles baixariam menos apps de desenvolvedores.”

A empresa é crítica à comissária da União Europeia, Margrethe Vestager, que rege algumas investigações sobre o monopólio de big techs como Amazon e Google, além da própria Apple. O rascunho da proposta que obriga a fabricante do iPhone a abrir a App Store deve ser aprovado por reguladores da UE e países do bloco antes de se tornar uma lei. Isso só deve ocorrer em 2023.

Com informações: Reuters e Cnet

Comentários da Comunidade

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Daniel R. Pinheiro (@DiFF7Skyns)

…download fora da App Store é ameaça à segurança de usuários

É obrigatório, por acaso? No Android isso é desativado por padrão, a propósito.

Ou a Apple está com receio de perder a fama de ter um aparelho limpo e livre de bugs em virtude da má utilização dos usuários?

Quando eu digo que o iPhone é um aparelho da Apple emprestado pro usuário usar, cheio de limitações, as pessoas acham um exagero.

Lucas Blassioli (@olucaslab)

Que argumentação 10/10, nem parece que a loja da maça tinha Pokécraft com assinatura de 99 USD semanal.

Jedielson (@Jedielson)

Que ela levava 30% por sinal em cima.

🤖 (@Norub)

Se a Apple acha que isso trás mais segurança pro usuario, eu acho valido manter o sistma operacional fechado.

Quer fazer o que quiser com o sistema operacional ? Vai pro Android. Ninguem é obrigado a comprar iPhone. Pronto.

Usuarios mais avançados que precisam de coisas especificas, sabem o que vão encontrar quando comprarem um iPhone. Se o S.O. não atende, vai ser feliz no Android.

E se fosse a Apple, ainda lançava uma interface proprietaria do MagSafe, tornando imcompativel os carregadores sem fio do iPhone com Android. Só pra matar de raiva os fã mimizento do robo verde

² (@centauro)

O que não é totalmente falso.
Você tem usuários dos mais diversos níveis de conhecimento e familiaridade.
Daí o que a Apple resolveu fazer foi nivelar todo o sistema para um nível mais baixo, tirando boa parte das responsabilidades e preocupações do usuário.

Eu acho que daí entra numa discussão de modelo de sistema operacional.
Estamos acostumados com o padrão que o Windows popularizou, que é uma empresa oferece o sistema e qualquer outra empresa pode oferecer softwares.
É assim no Windows, no Linux, acho que é assim no MacOS, no Android. No ChromeOS eu não tenho certeza (eu acho que é o Google que tem que aprovar a entrada na loja do Chrome ou algo assim), mas existe a opção dos webapps.
Já no iPhone a coisa muda e existe um porteiro.

Considerando que foi a Apple que desenvolveu o sistema, eu não vejo como necessariamente errado ela querer dizer quem entra e quem não entra no sistema. É diferente do que estamos acostumados, mas não é necessariamente errado.
Mas eu também acho que a partir do momento que ela diz quem entra e quem não entra usando o argumento de segurança e tranquilidade, a responsabilidade que recai sobre ela quando um usuário é vítima de algum evento causado por um agente que burlou a portaria é ainda maior.

Vítor Gomes Neves Oliveira (@vctgomes)

Isso n significa necessariamente abrir o SO ou transformá-lo em um Android. Pra isso, o iPhone precisa de APIs, mais acesso etc. Nenhum app, não conseguiria acessar configurações muito profundas, como acontece no Android, simplesmente pq o iOS não tem isso!

Tudo que iria mudar era só o local onde os usuários poderia baixar apps. Simples.

Ué, já é assim. Apenas o MagSafe original consegue atingir 15W de potência. Todos carregadores QI são limitados à 7,5W.

O problema não é que isso vai matar os fãs mimizentos do robo verde e sim os usuários de iPhone que, se quiserem recarregar seus iPhones sem fio com o mínimo de decência, precisam desembolar R$500, enquanto num Android vc paga R$80 reais numa base original da Samsung.