TikTok pode se separar da chinesa ByteDance para continuar nos EUA

Processo de investigação do aplicativo está parado após medidas tomadas para mitigar riscos; TikTok é suspeito de espionagem

Giovanni Santa Rosa
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Uma das redes sociais que mais cresceu nos últimos anos pode ter que fazer mudanças drásticas em sua organização. O TikTok está considerando se separar da ByteDance, empresa chinesa responsável pelo app. A medida seria uma forma de evitar sanções dos EUA, que suspeita que os dados coletados são compartilhados com o governo chinês.

TikTok
TikTok (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A separação se daria por um desinvestimento. Isso pode ocorrer com uma venda para outra empresa ou uma oferta pública de ações. Assim, o TikTok sairia das mãos da ByteDance.

Apesar de não ser descartada, essa possibilidade seria adotada apenas em último caso.

O braço americano do TikTok está avaliado em US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões, de acordo com a Bloomberg.

O TikTok está sob escrutínio das autoridades americanas desde 2020, quando quase foi banido no país e vendido para a Oracle e para o Walmart.

TikTok é acusado de espionagem

Existe o temor que o aplicativo colete dados dos usuários e os compartilhe com o governo chinês. Assim, ele poderia servir para espionagem. O TikTok tem 100 milhões de usuários nos EUA.

Em 2022, a ByteDance admitiu que seus funcionários na China podem acessar dados de usuários americanos. A empresa, porém, argumenta que eles estão sujeitos a uma série de controles e protocolos da equipe dos EUA.

O caso não parece ter sido isolado. Jornalistas que fizeram matérias negativas sobre o TikTok tiveram suas informações do app acessadas indevidamente.

O TikTok concordou em implementar uma série de medidas de segurança para acalmar as preocupações das autoridades dos EUA, chamadas de “projeto Texas”.

Uma delas é armazenar dados de usuários do país em servidores da Oracle. A gigante de tecnologia também revisaria seu software e indicaria um conselho de supervisão de três pessoas aprovadas pelo governo.

Todas essas medidas foram tomadas durante uma investigação do Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA (Cfius). A ação não teve mais novidades depois do “projeto Texas”, o que deixou o TikTok incerto sobre seu futuro.

Não é só o Cfius que está na cola do TikTok. Senadores apresentaram um projeto de lei que daria ao Departamento de Comércio poderes para restringir e até mesmo proibir tecnologias que representem riscos à segurança nacional, incluindo aí a rede social de vídeos curtos. A Casa Branca apoia a proposta.

Com informações: Reuters, Valor Econômico.

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