Basic faz 60 anos: por que essa linguagem de programação é tão marcante?

Lançada em 1964, linguagem de programação Basic ajudou a consolidar o segmento de computadores pessoais por ser acessível e fácil de se aprender

Emerson Alecrim
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Linguagem de programação Basic faz 60 anos (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Linguagem de programação Basic faz 60 anos (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

O último 1º de maio marcou o aniversário de 60 anos do Basic. Foi nesse dia de 1964 que os matemáticos John George Kemeny e Thomas Eugene Kurtz executaram, pela primeira vez, um programa escrito inteiramente nessa linguagem de programação. O Basic foi superado por linguagens mais avançadas, mas ainda encontra utilidade.

O diferencial do Basic

É interessante como o nome Basic combina com a proposta da linguagem. Trata-se de um acrônimo para Beginner’s All-Purpose Symbolic Instruction Code, algo como “Código de Instrução Simbólica de Propósito Geral para Iniciantes”. Ou seja, a linguagem foi direcionada originalmente a principiantes em programação.

A dinâmica inicial do Basic estava em interpretar código linha por linha, com cada uma delas sendo identificada com números de 10 em 10. Para executar novamente uma instrução presente na segunda linha, por exemplo, bastava utilizar o comando GOTO seguindo do respectivo número (neste caso, GOTO 20).

Eis um exemplo de código em Basic:

10 PRINT "Programa de contagem regressiva:"
20 FOR I = 10 TO 1 STEP -1
30 PRINT I
40 NEXT I
50 PRINT "Fogo!"
60 GOTO 20
70 END

A simplicidade do Basic abriu caminho para que entusiastas (e não somente profissionais da área de computação) dessem os primeiros passos no desenvolvimento de software.

Importância histórica

O Basic cumpriu bem a sua função didática. Na década de 1970, o conceito de computador pessoal começou a ganhar força, movimento que se intensificou nos anos 1980. Com isso, muitas pessoas passaram a ter computador em casa, na escola ou no escritório. O Basic foi bastante usado para dar utilidade a essas máquinas, afinal, era preciso começar de algum lugar.

Um dos símbolos dessa época foi o Altair 8800, microcomputador equipado com o lendário chip Intel 8080. Os então jovens Bill Gates e Paul Allen viram uma oportunidade ali. A dupla contatou a MITS, fabricante do Altair 8800, para oferecer um interpretador de Basic para a máquina. Nascia então a Microsoft, em 1975.

Altair 8800 (imagem: Living Computers: Museum + Labs)
Altair 8800 (imagem: Living Computers: Museum + Labs)

É claro que o Basic não se limitou ao Altair 8800. A linguagem de programação ganhou versões para vários outros computadores, a exemplo do Apple I, cujo interpretador de Basic foi desenvolvido por ninguém menos que Steve Wozniak, como observa o Gizmodo.

Toda essa movimentação foi importante porque, até então, a computação era quase toda orientada a atividades profissionais ou acadêmicas. Quem quisesse se aventurar no ramo tinha que aprender linguagens como Fortran e Cobol, ambas complexas e direcionadas aos mainframes da época.

Se por um lado o Basic ajudou a fortalecer o segmento de computadores pessoais, por outro, a sua simplicidade dificultava ou inviabilizava o seu uso em aplicações mais avançadas. Isso fez linguagens como C e C++ serem fortemente demandadas para uso profissional nas décadas de 1980 e 1990.

Mas isso não significou o fim do Basic. Como lembra a ThoughtCo, a linguagem ganhou sobrevida quando a Microsoft lançou o Visual Basic, em 1991. Trata-se de uma linguagem que combina comandos e a estrutura do Basic com um ambiente de desenvolvimento baseado em interface gráfica.

O Visual Basic foi muito utilizado no desenvolvimento de softwares para Windows nos anos seguintes.

Microsoft Visual Basic 1.0 (imagem: reprodução/WinWorld)
Microsoft Visual Basic 1.0 (imagem: reprodução/WinWorld)

O Basic nos dias atuais

Hoje, a linguagem está enraizada no Visual Basic .NET e no Visual Studio. O Basic também resiste no Visual Basic for Applications (VBA), linguagem utilizada em scripts para as ferramentas do Office, com destaque para o Excel.

Para iniciantes em programação, o Basic ainda pode ser um ponto de partida. Mas, no cenário atual, e considerando um contexto profissional, talvez seja melhor iniciar essa jornada com linguagens como Python, Go ou Ruby, que têm grande demanda no mercado.

De modo todo, entusiastas, curiosos ou simpatizantes do Basic ainda encontram vasta documentação e ferramentas para explorar a linguagem, inclusive em um contexto mais moderno. São os casos de projetos como PureBasic e freeBASIC.

Esses exemplos deixam claro que, pelo menos como conceito, o Basic existirá ainda por bastante tempo.

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