O que é AI-in-a-box? China terá mercado bilionário em alguns anos

Huawei e outras empresas estão vendendo máquinas prontas para uso, com chips para inteligência artificial e modelos embarcados

Giovanni Santa Rosa
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Huawei na Mobile World Congress (imagem: Karlis Dambrans/Flickr)
Huawei fez parcerias para vender hardware e software para empresas rodarem IA localmente (imagem: Karlis Dambrans / Flickr)

A Huawei está apostando em vender máquinas dedicadas à inteligência artificial com modelos já embarcados. Chamadas AI-in-a-box (“IA em uma caixa”, em tradução livre), elas podem ser usadas por empresas para rodar a tecnologia em seus próprios servidores, sem depender de provedores de nuvem pública. Analistas estimam que o mercado para este tipo de produto pode chegar a US$ 60 bilhões em 2027.

Segundo o Financial Times, a Huawei fechou acordos com mais de uma dezena de startups de IA. Elas montarão máquinas com os seus próprios modelos e o hardware da Huawei. Entre os parceiros, estão a Zhipu AI e a iFlytek.

A Huawei estima que este tipo de produto terá um mercado de US$ 2,3 bilhões em 2024. Analistas apostam mais alto e acham que ele pode chegar a US$ 60 bilhões em 2027.

Mercado chinês é diferente do americano

As máquinas AI-in-a-box servem para empresas que querem rodar ferramentas de IA em máquinas próprias, sem depender de cloud computing. No mercado chinês, isso representa um risco para nomes como Alibaba, Baidu e Tencent, que fornecem processamento na nuvem.

Investidores e analistas ouvidos pela reportagem argumentam que o cenário local é diferente do encontrado nos Estados Unidos. Por lá, as companhias recorrem a serviços como AWS (da Amazon), Azure (da Microsoft) e Google Cloud, para citar alguns.

Amazon Web Services (Imagem: Tony Webster/Flickr)
Amazon Web Services é um dos provedores de cloud computing mais famosos do mundo (Imagem: Tony Webster / Flickr)

“Baidu e Alibaba focam na nuvem pública, mas o ecossistema da China é muito diferente dos EUA”, disse um investidor local ouvido pelo Financial Times. “Eles vão precisar se adaptar para sobreviver.” O Baidu já se mexeu e começou a vender máquinas all-in-one para IA.

Um dos motivos que explicam a preferência por rodar a IA em servidores locais é a preocupação com proteção de dados.

Bancos chineses publicaram relatórios sobre este assunto, lembrando episódios como o bug do ChatGPT que exibiu títulos de conversas de outros usuários e a “bronca” que a Samsung deu em seus funcionários por mencionarem informações confidenciais em conversas com o chatbot.

Outra vantagem apontada é se proteger contra a guerra comercial entre China e EUA, que pode trazer novas sanções e bloquear o acesso a chips de IA.

Por outro lado, este modelo pode ser muito ineficiente, como explica o analista Dylan Patel. “O uso será muito esporádico, o que significa que você vai ficar com este hardware caro sem ser utilizado apropriadamente”, observa o especialista. Usar cloud computing ou acesso via API poderia sair mais barato e fácil para as companhias.

Com informações: Financial Times

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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