Elon Musk tentou assumir o controle da OpenAI, mas foi rejeitado

Bilionário foi um dos fundadores da organização sem fins lucrativos em 2015; hoje, ele é um dos críticos da influência da Microsoft

Giovanni Santa Rosa
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• Atualizado há 7 meses
Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O noticiário de tecnologia teve dois assuntos em alta nos últimos meses: ChatGPT e Elon Musk. E eles poderiam estar interligados nas manchetes. O bilionário, um dos fundadores da OpenAI, responsável pelo chatbot, tentou assumir o controle da associação. Os outros fundadores, porém, recusaram a ideia.

As informações são de uma reportagem do site Semafor. Segundo a publicação, Musk ficou preocupado com o andamento dos projetos da OpenAI — para ele, o laboratório estava ficando para trás na disputa com o Google.

O bilionário, então, fez a proposta de assumir o controle da organização e comandá-la. Sam Altman e Greg Brockman, dois outros fundadores, recusaram a proposta. Hoje, eles são o CEO e o presidente da OpenAI, respectivamente.

Musk deixou conselho e investiu menos

Também em 2018, Musk se afastou da associação. Ele deixou seu cargo no conselho de diretores, citando conflitos de interesse por seu trabalho na Tesla.

O bilionário também teria quebrado uma promessa de investir US$ 1 bilhão na empresa, e colocou US$ 100 milhões. Pode ser apenas coincidência? Pode, mas não parece.

Esta promessa quebrada, aliás, pode ter mudado a história da OpenAI. Ela havia sido fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com foco em contribuições para a sociedade.

Sem o dinheiro e com problemas para pagar as contas do desenvolvimento do Dall-E e do GPT, ela criou uma nova entidade em 2019 — desta vez, com fins lucrativos.

OpenAI criou empresa e recebeu investimento da Microsoft

A Microsoft, então, colocou bilhões de dólares na empresa e garantiu licenças para usar as tecnologias de inteligência artificial em seus produtos.

Somente nos primeiros meses de 2023, a companhia anunciou a integração de tecnologias de inteligência artificial ao Bing e ao Microsoft 365, além de ferramentas corporativas.

PowerPoint com Copilot gera apresentações a partir de pedidos do usuário ou documentos
PowerPoint com Copilot gera apresentações a partir de pedidos do usuário ou documentos (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Elas interpretam comandos em linguagem natural e executam tarefas de certa complexidade, como escrever textos e criar apresentações.

Como observa o Verge, em sua matéria repercutindo a reportagem, o Semafor não diz que uma coisa foi consequência da outra, mas é uma interpretação plausível.

Lançamentos preocupam especialistas e o próprio Musk

A transformação da OpenAI em uma corporação com fins lucrativos acelerou o desenvolvimento de tais tecnologias.

Por outro lado, especialistas já expressaram preocupação com o lançamento apressado de ferramentas do tipo, sem considerar os riscos que elas representam.

Nos primeiros meses de ChatGPT, já vimos que as limitações de segurança da ferramenta podem ser facilmente contornadas, dando a possibilidade de escrever códigos de malware e e-mails de phishing.

Entre os críticos, está o próprio Elon Musk. Como fundador, ele já expressava preocupação com os rumos da tecnologia lá em 2017.

Agora, em fevereiro de 2023, ele escreveu em seu Twitter que a OpenAI se tornou uma companhia de código fechado, voltada para o lucro máximo e, na prática, controlada pela Microsoft. O bilionário diz que essa não era sua intenção ao fundar a organização sem fins lucrativos.

Com informações: The Verge

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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