Apple processa Qualcomm, que processa Apple, que tem parceiras processadas e todos processam Qualcomm

Não consegui colocar o resto no título, mas tem mais

Paulo Higa
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• Atualizado há 2 meses
Qualcomm

A disputa judicial entre Apple e Qualcomm ficou tão complexa que eu estou quase montando um diagrama: quatro parceiras da Apple na fabricação de iPhones acabam de se juntar ao processo.

Para recapitular, a Apple processou a Qualcomm alegando cobrança abusiva de royalties. Então, a Apple foi processada por ter capado os chips da Qualcomm no iPhone 7 para favorecer outra fornecedora, a Intel. Enquanto a disputa rola, a Apple decidiu interromper o pagamento de royalties à Qualcomm e instruiu suas parceiras na montagem de iPhones a fazerem o mesmo. A Qualcomm revidou, querendo barrar a importação de alguns iPhones e processando as parceiras da Apple.

Agora, as taiwanesas Foxconn, Wistron, Compal e Pegatron, que produzem iPhones e outros produtos da Apple, se juntaram à empresa de Tim Cook no processo. Segundo elas, a Qualcomm violou a lei antitruste dos Estados Unidos ao processá-las indevidamente para forçar o repasse dos royalties.

Basicamente, as quatro grandes fornecedoras dizem que estão sendo punidas pela Qualcomm apenas por trabalharem com a Apple. Já a Qualcomm afirma que “se a Apple não tivesse interferido com as licenças e instruído as parceiras a tomar essas ações [interromper o pagamento de royalties], as parceiras não estariam contestando as licenças agora”, como informa a Reuters.

A situação está (bem) mais complicada para o lado da Qualcomm: a empresa também está sendo processada pela Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) por impor contratos abusivos a fabricantes que adotam seus chips. E, para piorar, a Qualcomm ainda pode tomar um processo da Intel caso siga em frente com sua ideia de emular a arquitetura x86 (que é patenteada) para rodar o Windows 10 em chips ARM.

O resultado é que, além dos gastos com a disputa judicial, a Qualcomm viu suas receitas com licenciamento de patentes despencarem 42,5% no último trimestre, queda atribuída principalmente à interrupção do pagamento de royalties pela Apple e suas parceiras. O lucro da Qualcomm caiu 40%, de US$ 1,44 bilhão para US$ 866 milhões em comparação com o mesmo período do ano passado.

Não está fácil para a Qualcomm.

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Paulo Higa

Paulo Higa

Ex-editor executivo

Paulo Higa é jornalista com MBA em Gestão pela FGV e uma década de experiência na cobertura de tecnologia. No Tecnoblog, atuou como editor-executivo e head de operações entre 2012 e 2023. Viajou para mais de 10 países para acompanhar eventos da indústria e já publicou 400 reviews de celulares, TVs e computadores. Foi coapresentador do Tecnocast e usa a desculpa de ser maratonista para testar wearables que ainda nem chegaram ao Brasil.

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