YouTube: milhares de usuários tentam reinstalar adblock (mas não dá certo)

Consumidores estão em busca de alternativas para burlar o bloqueio de anúncios do YouTube. Alguns deles recorrem ao Microsoft Edge e ao Brave.

Thássius Veloso
Por
Ilustração com as marcas do YouTube e de aplicativo de adblock
YouTube declara guerra ao adblock (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

As principais ferramentas de adblock revelaram um novo comportamento: centenas de milhares de usuários estão tentando reinstalar as extensões de navegador para burlar o bloqueio imposto pelo YouTube desde a semana passada. De acordo com a revista Wired, somente o AdGuard detectou um aumento de 6 mil desinstalações diárias para cerca de 52 mil em 18 de outubro.

Já o Ghostery registrou um fluxo de desinstalação seguido de instalação “entre três e cinco vezes maior” do que o habitual. Em outras palavras, as pessoas estão esbarrando no aviso de adblock no site do YouTube e buscando maneiras de evitá-lo.

Print de mensagem que diz que “bloqueados de anúncios são proibidos no YouTube”
Plataforma avisa que “bloqueados de anúncios são proibidos no YouTube” (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Tem sido uma jornada de pouco sucesso. Os próprios executivos ouvidos pela Wired dizem que estão buscando maneiras para que principalmente as extensões do Chrome voltem a funcionar como antigamente.

Esforço global

O YouTube nos contou, ainda na semana passada, que tinha iniciado um “esforço global” para incentivar os visitantes de seu site a verem a publicidade ou contratarem o YouTube Premium. O serviço de R$ 24,90/mês oferece uma experiência de YouTube sem anúncios em nenhuma plataforma (seja no site, nos apps ou na smart TV).

A empresa ainda explicou que o uso de bloqueadores de anúncios viola seus termos de serviço. “Os anúncios sustentam um ecossistema diversificado de criadores em todo o mundo e permitem que bilhões de pessoas acessem seu conteúdo favorito”, declarou a empresa irmã do Google.

Print do site oficial do YouTube Premium
Plano individual do YouTube Premium custa R$ 24,90/mês (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

A plataforma de vídeos esbarra num hábito enraizado em parcela dos internautas. Uma pesquisa conduzida pela Eyeo, que desenvolve adblock, mostrou que os entrevistados não são totalmente contrários aos anúncios, mas que detestam páginas com muita publicidade. Eles exigem, por exemplo, o botão de “pular” em ads com mais de seis segundos.

Como é feito o bloqueio de ads

Existem vários métodos para bloquear anúncios numa página. Os principais apps e extensões costumam cortar a comunicação do dispositivo com servidores que fornecem as peças publicitárias. Outras ferramentas fazem o carregam a publicidade, mas a escondem na página.

Normalmente são usadas listas de bloqueio colaborativas. Elas são publicadas em fóruns online e atualizadas de tempos em tempos. Por ser um esforço na linha do open source, os próprios profissionais do YouTube conseguem compreender o funcionamento dos adblocks e buscar maneiras de neutralizá-lo.

Print com diversas mensagens de pessoas reclamando do adblock no YouTube
Adeptos do AdGuard lamentam na loja de extensões do Chrome (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

As figuras da indústria de adblocks contaram para a Wired que parte dos usuários decidiu sair do Chrome e instalar o navegador Microsoft Edge para ver se as extensões voltam a funcionar. No site com extensões do Chrome também há pessoas recomendando o Brave.

Com informações: Wired e The Verge

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