802.11 a/b/g/n/ac, Wi-Fi 6, 6E e 7: quais as diferenças entre os padrões e qual usar?

Entenda quais são as características e tecnologias de transmissão utilizadas pelos padrões Wi-Fi (802.11) A, B, G, N, AC, AX e BE antes de decidir qual rede usar

Lucas Braga Ana Marques
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Entenda as diferenças entre os padrões 802.11 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A tecnologia Wi-Fi pode ser encontrada nos padrões 802.11 a/b/g/n/ac/ax, que diferem em tecnologias de transmissão, frequências de operação e velocidades. Há ainda o Wi-Fi 7, um padrão mais recente em desenvolvimento.

O protocolo IEEE 802.11 abriga todos os padrões de Wi-Fi certificados pela Wi-Fi Alliance e é subdivido por letras, como 802.11b ou 802.11g. Cada padrão tem sua particularidade e benefícios a medida que a tecnologia evoluiu.

A padronização do protocolo 802.11 é importante para permitir que dispositivos de diferentes marcas consigam conversar entre si. Tudo isso permitiu ao Wi-Fi se tornar um protocolo universal de redes sem fio, adotado por smartphones, computadores, tablets, smart TVs, dispositivos de casa conectada e outras aplicações que exigem rede ou comunicação com a internet.

Quais são os principais padrões de rede Wi-Fi (IEEE 802.11)?

  • 802.11a: Protocolo lançado em 1999 e funciona apenas na frequência de 5 GHz, com velocidades de até 54 Mb/s. Sua adesão foi baixa em comparação com o 802.11b, lançado no mesmo ano.
  • 802.11b: Trata-se do primeiro padrão Wi-Fi que ganhou popularidade. Foi lançado em 1999, permite velocidades nominais de até 11 Mb/s e funciona na frequência de 2,4 GHz, com canais de 22 MHz e modulação DSSS.
  • 802.11g: Lançado em 2003, o 802.11g utiliza a frequência de 2,4 GHz, modulação OFDM e utiliza canais de 5 MHz, 10 MHz ou 20 MHz e entrega velocidade nominal de até 54 Mb/s.
  • 802.11n: Também conhecido como Wi-Fi 4, o 802.11n funciona nas frequências de 2,4 GHz e 5 GHz e tem velocidades nominais de até 600 Mb/s. Uma das vantagens é a utilização da modulação OFDM com tecnologia MIMO.
  • 802.11ac (Wi-Fi 5): Lançado em 2013, o Wi-Fi 5 opera exclusivamente na frequência de 5 GHz e trouxe tecnologia MU-MIMO além de suportar Beamforming.
  • 802.11ax (Wi-Fi 6 e 6E): Lançado em 2021, o padrão 802.11ax utiliza as frequências de 2,4 GHz e 5 GHz, enquanto a versão Wi-Fi 6E também utiliza o espectro de 6 GHz. O Wi-Fi 6/6E tem velocidade máxima teórica de 9,6 Gb/s e utiliza modulação OFDMA 1024QAM.
  • 802.11be (Wi-Fi 7): com previsão para certificação em 2024, o Wi-Fi 7 pode chegar a velocidades de até 46,1 Gb/s. Seu principal diferencial é a agregação multi-link, que permite comunicação em mais de uma frequência simultânea entre o dispositivo e o roteador.

Além desses padrões comuns, existem outros pouco usados, como o 802.11ad, 802.11af, 802.11ah e 802.11ai, entre outros.

Quais as diferenças entre Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac/ax?

Os padrões 802.11 a, b, g, n, ac (Wi-Fi 5), ax (Wi-Fi 6/6E) e be (Wi-Fi 7) apresentam diferenças em relação a: frequência de operação, velocidade máxima, latência, área de cobertura (alcance), quantidade de dispositivos conectados, protocolos de segurança suportados, consumo de energia e dispositivos compatíveis.

Vivo Fibra - modem - Wi-Fi 2,4 GHz 5 GHz (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)
Modem da Vivo Fibra compatível com Wi-Fi 5 (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

A seguir, entenda como cada quesito influencia no uso da rede Wi-Fi:

Frequência de operação

A tecnologia Wi-Fi utiliza frequências de rádio para transmissão de dados entre dispositivos. Existem diferenças entre redes Wi-Fi de 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz, como alcance do sinal e velocidade de acesso. Na tabela a seguir, veja quais são as frequências de operação das redes 802.11a/b/g/n, Wi-Fi 5, Wi-Fi 6, Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7.

Padrão Wi-FiFrequências utilizadas
802.11asomente 5 GHz
802.11bsomente 2,4 GHz
802.11gsomente 2,4 GHz
802.11n (Wi-Fi 4)2,4 GHz e 5 GHz*
802.11ac (Wi-Fi 5)2,4 GHz e 5 GHz
802.11ax (Wi-Fi 6)2,4 GHz e 5 GHz
802.11ax (Wi-Fi 6E)2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz
802.11be (Wi-Fi 7)2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz
*Nem todo dispositivo compatível com 802.11n utiliza banda dupla. O funcionamento com a frequência de 5 GHz no Wi-Fi 4 depende da placa de rede.

Velocidade de conexão

A velocidade máxima teórica de uma rede Wi-Fi é a velocidade de transferência alcançada nos laboratórios de certificação. A taxa de transferência é mensurada em Mb/s (megabits por segundo) e Gb/s (gigabits por segundo). A seguir, veja os valores teóricos de velocidade para redes 802.11a/b/g/n, Wi-Fi 5, Wi-Fi 6, Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7.

Padrão Wi-FiVelocidade de conexão
802.11aaté 54 Mb/s
802.11baté 11 Mb/s
802.11gaté 54 Mb/s
802.11n (Wi-Fi 4)até 600 Mb/s
802.11ac (Wi-Fi 5)até 6,9 Gb/s
802.11ax (Wi-Fi 6)até 9,6 Gb/s
802.11ax (Wi-Fi 6E)até 9,6 Gb/s
802.11be (Wi-Fi 7)até 46,1 Gb/s

Latência

Latência de uma rede Wi-Fi é o atraso de transmissão (delay) entre o roteador e o dispositivo conectado, seja ele um smartphone, tablet, computador ou smart TV. Popularmente conhecida como ping, a latência normalmente é medida em milissegundos (ms); quanto menor a latência, melhor o desempenho.

O padrão Wi-Fi 6 (802.11ax) possui o menor ping graças a utilização da tecnologia OFDMA, mas os valores podem variar conforme o equipamento utilizado e a infraestrutura disponível.

Ter uma rede de baixa latência é importante para aplicações como jogos online e chamadas de voz ou vídeo.

Área de cobertura (alcance)

Cada rede Wi-Fi possui um alcance, ou seja, uma área onde chega o sinal enviado pelo roteador ou ponto de acesso para conexão a dispositivos como smartphones, tablets, computadores e smart TVs. A área de cobertura do Wi-Fi não está relacionada diretamente ao padrão Wi-Fi, mas sim à frequência e aos equipamentos utilizados.

Além da frequência, vários fatores afetam a cobertura do Wi-Fi, como interferências de redes vizinhas e presença de obstáculos entre os dispositivos. Para ter uma conexão estável, se atente para a distância física até o roteador; para melhorar o sinal, você pode optar por roteadores com a tecnologia mesh ou repetidores de sinal.

Frequência do Wi-FiAlcance de sinal
2,4 GHzAlta cobertura
5 GHzBaixa cobertura
6 GHzBaixa cobertura

Segurança

Existem várias diferenças entre os protocolos de segurança Wi-Fi. O padrão de criptografia mais avançado é o WPA3, que está presente na especificação do Wi-Fi 6/6E (802.11ax) mas também pode ser encontrado em alguns roteadores com Wi-Fi 5.

A maioria dos dispositivos utiliza a criptografia WPA2. A utilização dos padrões WEP e WPA é desaconselhada por estarem mais suscetíveis a ataques de força bruta.

Padrão de criptografiaNível de segurança
WEPBaixa
WPAMédia
WPA2Alta
WPA3Altíssima

Consumo de energia

O consumo de energia no Wi-Fi foi otimizado a cada geração, mas o maior salto ocorreu no Wi-Fi 6 (802.11ax), graças a tecnologia TWT, que determina quando e com qual frequência os dispositivos sairão do modo standby para transmitir dados.

No entanto, existem diversos fatores que contribuem para maior ou menor consumo de energia. Quanto mais alta a potência de transmissão, maior tráfego de dados ou mais dispositivos conectados, mais energia é gasta. O tipo de tráfego de dados também afeta esse parâmetro. Por exemplo: em transmissões por streaming, onde é necessário ter conexão constante, o consumo de energia é maior.

Compatibilidade e suporte

Um dos maiores benefícios do Wi-Fi é a retrocompatibilidade: se você tiver um roteador Wi-Fi 7, consegue conectar dispositivos com padrões anteriores, como Wi-Fi 6, 5 ou 4. O inverso também ocorre: é possível conectar um celular Wi-Fi 6 a um ponto de acesso com Wi-Fi 4, por exemplo.

No entanto, nem todos os dispositivos funcionam com todas as frequências:

  • a banda de 2,4 GHz é a mais popular e está disponível em quase todos os dispositivos
  • a frequência de 5 GHz está presente na maioria dos roteadores recentes e celulares, tablets e smart TVs atuais, mas diversos equipamentos antigos e de casa conectada (como lâmpadas inteligentes, por exemplo) não possuem suporte
  • a frequência de 6 GHz é relativamente nova e está disponível em poucos roteadores, celulares e computadores.
FrequênciaCompatibilidade de dispositivos
2,4 GHzAlta
5 GHzMédia
6 GHzBaixa

802.11 a, g, n, ac, ax ou be, qual usar?

O Wi-Fi 5 (802.11ac) é uma opção segura e com bom custo-benefício. A maioria dos modems fornecidos pelas operadoras de banda larga ou roteadores Wi-Fi são compatíveis com esse padrão, e oferecem uma experiência boa para navegação na internet com uso em smartphones, smart TVs e computadores.

Se você for investir em um novo roteador para uso a longo prazo, sugiro que opte por um modelo compatível com Wi-Fi 6/6E (802.11ax). O custo pode ser um pouco maior que no Wi-Fi 5, mas a tecnologia 802.11ax oferece maior velocidade na rede de 2,4 GHz, útil para smartphones, tablets, smart TVs e computadores que estão mais afastados do router.

O Wi-Fi 6E pode ser útil especialmente para quem vive em grandes centros, onde há muita interferência causada por redes de 2,4 GHz e 5 GHz.

TP-Link Deco X20
TP-Link Deco X20: kit de roteador mesh é compatível com Wi-Fi 6 (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

Ainda é cedo para investir no padrão Wi-Fi 7 (802.11be), visto que as especificações ainda não foram finalizadas pela Wi-Fi Alliance. A compatibilidade de dispositivos com o padrão 802.11be é baixa.

Dispositivos com Wi-Fi 5 e Wi-Fi 6 já são acessíveis o suficiente ao ponto de não ser recomendável investir em um roteador com Wi-Fi 4 e anteriores (802.11 a/b/g/n). Os padrões antigos continuam funcionando graças à retrocompatibilidade, mas oferecem desempenho e velocidades inferiores.

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Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.

Ana Marques

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Gerente de Conteúdo

Ana Marques é jornalista e cobre o universo de eletrônicos de consumo desde 2016. Já participou de eventos nacionais e internacionais da indústria de tecnologia a convite de empresas como Samsung, Motorola, LG e Xiaomi. Analisou celulares, tablets, fones de ouvido, notebooks e wearables, entre outros dispositivos. Ana entrou no Tecnoblog em 2020, como repórter, foi editora-assistente de Notícias e, em 2022, passou a integrar o time de estratégia do site, como Gerente de Conteúdo. Escreveu a coluna "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Trabalhou no TechTudo e no hub de conteúdo do Zoom/Buscapé.

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