O relacionamento entre Uber e motoristas vem piorando com o passar dos anos. O que era vista como uma ótima oportunidade de ganhar dinheiro se tornou um serviço mais concorrido e menos rentável. No entanto, em meio a críticas legítimas, há também quem use algumas táticas bem questionáveis para garantir rendimentos maiores, como mostra uma reportagem da Veja São Paulo.

Uber - iPhone

Uma das artimanhas é aceitar uma viagem, seguir rumo ao local do usuário, mas estacionar a alguns quarteirões de distância. O cliente desiste da corrida e o motorista ganha a taxa de cancelamento, que varia de R$ 4 a R$ 9 em São Paulo. Você pode solicitar o reembolso no app, no entanto, e o Uber desclassifica parceiros com muitos cancelamentos.

Os motoristas também se unem em locais com alta demanda para negociar a tarifa por fora. A Veja cita o exemplo de uma casa noturna em São Bernardo do Campo. Se for direto com o cliente, eles usam como referência a categoria UberBag, mais cara que o UberX, sem deixar isso claro. Há também um agenciador que aborda as pessoas e negocia preços, cobrando uma comissão de 15% (contra os 25% do Uber).

Algo semelhante ocorre no aeroporto de Guarulhos, onde a demanda por corridas é alta. Alguns motoristas abordam os recém-chegados de viagens de avião e negociam valores por fora.

Existem esquemas mesmo se o motorista fizer a corrida pelo Uber. Alguns ligam para o passageiro querendo combinar o local de encontro – e tentando descobrir o destino. Se for muito próximo, o cliente é deixado esperando até que a corrida seja cancelada.

Segundo a Folha, se o trajeto for curto, o motorista “mente que houve uma falha no carro ou simplesmente não sai do lugar”. O jornal fez o teste pedindo uma corrida para uma rua próxima ao aeroporto. O motorista ligou, perguntou o destino e ficou parado por vários minutos. Então, ele ligou dizendo: “vou demorar para chegar aí. Se você quiser cancelar…”.

Em Cumbica, o Uber funciona de modo diferente. O motorista entra em uma fila de espera virtual no aplicativo, e ela costuma ter mais de duzentos carros. Para aproveitar o tempo de espera, que pode chegar a doze horas, há quem faça corridas paralelas usando celulares extras e cadastros em nome de parentes.

Para não sair da fila do Uber, alguns motoristas usavam apps que modificam a localização do GPS do smartphone. Segundo o Canaltech, bastava abrir o Fake GPS, marcar seu local e abrir o Uber. Essa forma de burlar a fila virtual aparentemente foi descoberta pela empresa, e os motoristas que adotaram essa prática foram desativados.

Outro truque é dividir o cadastro com outra pessoa, revezando o mesmo carro. Pode ser marido e mulher, por exemplo, tentando fechar as contas do mês. Essa prática é irregular e o Uber agora obriga o motorista a tirar selfies periódicas, para confirmar a identidade; se houver inconsistência, a conta é bloqueada.

Motoristas criticam Uber

O Uber recebe críticas de seus parceiros por pagar pouco e cobrar muito. Em 2015, a empresa instituiu uma taxa de 25% no UberX; e reduziu em 15% as tarifas para os clientes. Além disso, o número de motoristas aumentou – de mil veículos na capital paulista para os 30 mil atuais.

Essa combinação derrubou os rendimentos. Antes, era fácil encontrar casos de motoristas que ganhavam R$ 8 mil mensais; hoje, é preciso trabalhar mais horas para ganhar metade disso. Assim, a imagem do Uber prestativo que oferece água e balinha foi ficando para trás; não é a empresa que custeia esses mimos, e sim o próprio motorista.

E como nota a Veja, a maioria continua apenas por falta de opção. Apesar da concorrência de serviços como 99Pop, Easy Go e Cabify, o Uber detém 90% do mercado de transporte em carro privado via aplicativo.

Para oferecer ganhos maiores, o Uber lançou recentemente a categoria Select com preço 20% mais alto e exigência de carros mais novos, no mínimo de 2012 (o UberX pede carros modelo 2008 ou superior).

As críticas também são fortes em relação ao UberPool, que tem tarifas mais baixas. Motoristas dizem ao Motherboard que as corridas só compensam quando não são compartilhadas, pois o Uber não paga o desvio do percurso para pegar outros passageiros. Além disso, o processo de embarque de outros passageiros pode ser demorado (o UberPool recentemente implementou notificações para apressar o usuário). No entanto, se o motorista recusar a chamada, corre o risco de ser desativado.

Há também o pagamento em dinheiro, que aumentou os riscos para os motoristas. Dados obtidos pela Reuters mostram que, quando o cartão de crédito era o único método aceito, ocorriam em média 13 roubos por mês em São Paulo envolvendo motoristas de Uber. Esse número saltou para 141 por mês quando foi introduzido o pagamento em espécie.

Em resposta, o Uber agora exige que você insira data de nascimento e CPF no cadastro; antes, quem pagava em dinheiro só precisava inserir nome, e-mail e número de celular.

Além disso, o Uber investiu R$ 200 milhões para criar um centro de atendimento no Morumbi com 7 mil funcionários, para lidar melhor com os motoristas. Será o bastante para melhorar o relacionamento com eles?

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Fernando Palmieri Freire

O tamanho da fila não diz muito. Precisa saber a velocidade que fila anda. No fim vale a lei de oferta e procura.

Irineu Migotto

Mandou bem... é isso mesmo...

Anayran Pinheiro
Mimizento você, hein? Vou é de Cabify, ao menos a galera de lá está tratando melhor o usuário.
Leandro Nunes
Agradecemos sua opinião...Gostaríamos q mais pessoas assim escolhessem ônibus e nosso carro seria destinado a "pobres" educados...Obrigado Repasse sua ideologia a amigos e parentes assim nos motoristas Uber não sentiríamos mais o desprazer de colocarmos "ricos" cheirando a bunda suja em nosso carro de 40.000$
Leandro Nunes
Vá de ônibus !!!
Leandro Nunes
Faça um favor pra nós motoristas... VÁ de Ônibus por favor !!!
Francisco Teodorico
O artigo deixou de levar em consideração alguns detalhes importantes: - O Uber não tem responsabilidade pelo mau comportamento dos motoristas. Além do mais, fornece um sistema de avaliação para que o próprio cliente informe o fato para que providências sejam tomadas. Estes esquemas devem ser combatidos, é claro, mas não se pode deixar de destacar que também existem em outros formatos por taxistas quando há greves de ônibus, por exemplo. - Não se leva em consideração que esses fatos podem ser originados em estratégias de guerrilha que já tivemos o desprazer de tomar conhecimento através da mídia jornalística, inclusive com atração de motoristas do Uber e uso de violência física, inclusive contra passageiros. Quanto ao baixo rendimento atual, toda profissão passa, num momento ou outro por uma fase assim. Quando eu fiz minha primeira faculdade, ser engenheiro era sinônimo de ter de fazer bico de vendedor de pastel na praia. Há pouco tempo atrás, na construção civil faltava até pedreiros. É a lei da oferta e da procura e nada melhor que o livre mercado para regular isso. Se os taxistas oferecerem um serviço melhor (em todos os sentidos), certamente o usuário optará por eles. Além do mais, eles têm benefícios estatais que o motorista do Uber não tem. Cita-se no artigo que "as críticas também são fortes em relação ao UberPooll (...)", mas quem fez essas críticas? Qual foi o instituto que fez essa pesquisa? Críticas sempre haverão, mas elas são em número significante? Sem a fonte da pesquisa não se pode tirar essa conclusão. Enfim, o modelo é bom, mas é preciso dar um tempo a ele para que o próprio mercado se autoregule. #MenosEstadoMaisEficiencia
Heitor Marques
Assaltos, falcatruas, malandragem, excesso de oferta... Ainda acredito no Uber, acho que apenas não conhecem bem a natureza do mercado brasileiro e estão se dando mal por isso. Pelo que me parece, pecaram de verdade apenas na questão do excesso de oferta, o que realmente prejudica os motoristas. Talvez se justifique pelo desespero em manter a liderança frente a um mercado que está a cada dia se desafiando. Acho que possuem a capacidade de corrigir o rumo rapidamente.
Ligeiro
Mas o texto vai justamente ao contrário do que fala: a criação do Metrô é também uma organização social. Nada a haver (tanto) com capitalismo, mas sim com necessidade de organização urbana, aí a discussão vai longe.
Leandro Gonçalves
Não achei a materia especifica que li,Fui olhar agora e nao consegui.Mas te mando esse link http://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/27/politica/1469628095_715658.html . É uma entrevista de um urbanista que explana muito bem as dificuldades e falhas de concepção do metrô paulistano. No mais,em cada materia,é possivel ver mais "chamadas" de outras matérias relacionadas ao tema.Todas muito bem construídas,como quase todas do ELPAÌS Brasil...Pra quem gosta de ler sobre mobilidade,e especificamnte sobre metrô,são excelentes matérias ,que dão subustancia para debate. Abraço.
Ligeiro
passe o link
Leandro Gonçalves
Nessa areas que você citou ainda não tem ,por pura burocracia...Mas existe a intenção! Intenção esta bem maior que para outras regioes... Questão capitalista / socialista,neste caso,não deixam de estarem intrinsicamente ligadas... Tem uma materia no elpaisbrasil que explana muito bem essa questão...depois da uma conferida,é uma ótima materia... Flw!
Giovana Ramos
O ser. Humaninho se torna um motorista, logo se torna "taxista". Que venham carros autônomos. Por isso nao torço plr time e nem empresa nenhuma. Uso cabify, 99, e o uber ja deletei.
Ligeiro
Ótimo ver este tipo de relato por aqui :)
Ligeiro
Não é bem assim. Depende da visão social de cada lugar. No Japão, lugares distantes tinham paradas de trem. Basta lembrar da história da menina que tinha um "trem exclusivo", uma remanescência de uma linha que ficou com quase nenhum passageiro e só sobrou a menina que ia estudar. Existe uma questão mais social do que capital quando se fala em transporte público. No Brasil, os bairros cresceram nos entornos das estações, esse é o ponto. E o Metrô nasceu mais para ligar bairros distantes ao centro do que para atender áreas ricas (que subentendo que aqui você fala de área onde pessoas com poder aquisitivo alto moram). Se fosse assim, teria metrô no Morumbi há anos, e Higienópolis teria uma estação no meio do bairro conforme planejamento inicial.
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