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Mi Store Brasil, loja não-oficial da Xiaomi, encerra atividades e tenta se explicar

Mi Store Brasil orienta clientes a solicitar reembolso do PagSeguro, Mercado Pago e PayPal; loja fechou "por forças maiores"

Felipe Ventura Por

O site da Mi Store Brasil voltou ao ar para prestar esclarecimentos aos clientes que compraram celulares Xiaomi durante a Black Friday e ainda não receberam o produto: a loja online encerrou as atividades e orienta as pessoas a solicitar reembolso do PagSeguro, Mercado Pago e PayPal. Apesar do nome, ela não tem qualquer relação com a Mi Store oficial da DL Eletrônicos.

Mi Store Brasil

No comunicado, a Mi Store Brasil diz que os clientes podem entrar em contato com o PagSeguro, Mercado Pago ou PayPal para recuperar o dinheiro, inclusive se o pagamento foi feito em boleto. A empresa afirma que trabalhava com esses intermediários “para que assim como nós, vocês tivessem uma garantia no momento da compra de receber seu dinheiro de volta em caso qualquer problema”.

Porém, o Mercado Pago lembra que só devolverá o dinheiro se tiver uma resposta do vendedor. Como a compra não foi feita dentro do Mercado Livre, “a negociação não cumpre os requisitos do programa Compra Garantida e não poderemos ressarci-lo caso seu vendedor não retorne”, diz o suporte em um e-mail obtido pelo Mobizoo.

A Mi Store encerrou as atividades em 2020 “por forças maiores”, sem revelar um motivo específico. Por vários dias, o site oficial ficou fora do ar; o perfil da loja no Facebook e no Instagram foram apagados, e as queixas estão se acumulando no Reclame Aqui.

Empresas relacionadas a Mi Store deram baixa em CNPJ

A loja também repudia “qualquer ligação de nossas operações online com os franqueados que usavam de nossa marca MiStore em quiosques físicos, pois são operações diferentes sem qualquer ligação”. Os quiosques foram orientados a remover a marca Mi Store.

Ela está relacionada a pelo menos duas empresas. Uma delas é a Action Sales Companhia Digital, que pertencia a Anderson Figueiredo dos Santos; o CNPJ dela recebeu baixa na Receita Federal no domingo (12).

A outra empresa é a JCell, com presença em Santa Catarina: ela tem lojas físicas em Timbó e Blumenau, além de quiosques que traziam a marca MiStore Brasil. O CNPJ continua ativo e está em nome de Jorge Juarez Krause.

Há ainda uma terceira empresa, a PAD Eletrônicos, que é mencionada nos boletos de alguns clientes da MiStore Brasil. Seu CNPJ, em nome de Paulo Andrey Silva Dias, foi aberto em novembro de 2019 e encerrado no último domingo.

Mi Store Brasil - CNPJ Action Sales

Action Sales deu baixa em CNPJ (clique para ampliar)

Advogado recomenda entrar com processo judicial

Dois ex-funcionários afirmam ao UOL que a JCell e a MiStore Brasil pertencem a Julio Cesar Hintemann Filho. Um deles conta que, quando chegava um celular da Xiaomi na loja, “era registrada uma nota em nome de um dos laranjas, como se fosse o fornecedor; e não podíamos emitir cupons fiscais para os clientes, só imprimir um comprovante de compra”.

Marcelo Bulgueroni, advogado especialista em direito digital, sugere que os clientes da Mi Store Brasil façam um boletim de ocorrência e uma queixa-crime, preferencialmente em uma delegacia especializada em crimes eletrônicos. Ele diz ao UOL que, depois disso, é necessário reunir todas as provas (documentos, prints) e entrar com processo na Justiça.

Este é o comunicado da Mi Store Brasil na íntegra:

A MiStore Brasil por forças maiores vai se despedir em 2020, em respeito aos nossos clientes que sempre acreditaram em nós neste [sic] longa caminhada, queremos acima de tudo deixar de maneira bem clara que estamos trabalhando firmes junto aos meios PagSeguro e MercadoPago para realizar o devido ressarcimento dos pedidos não enviados durante as compras da Black Friday.

Aproveitamos este momento para repudiar a atitude de alguns portais de noticia que de forma equivocada alegam que clientes que efetuaram compras via boleto bancário não terão seu respectivo dinheiro de volta. Isso é mentira, a MiStore sempre trabalhou com PAGSEGURO e MERCADO PAGO para que assim como nós, vocês tivessem uma garantia no momento da compra de receber seu dinheiro de volta em caso qualquer problema.

De tal forma também repudiamos a atitude de fazer qualquer ligação de nossas operações online, com os franqueados que usavam de nossa marca MiStore em quiosques fisicos. pois são operações diferentes sem qualquer ligação, nós orientamos que removam nossa marca MiStore de suas lojas para que não haja por motivo de não conhecimento por parte de alguns clientes a ligação de uma
para com a outra.

Finalizamos essa nota deixando um passo a passo de como obter seu valor de volta e pedimos nosssas [sic] sinceras desculpas.

Mi Store Brasil

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Marconi (@Marconi)

Forças maiores = Apreensão da Receita Federal.

Jamis Casusa (@jamiscs)

Forças maiores né?

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Eric Viana (@Eric_Viana)

O pessoal também adora um rolo.
Não tem milagre gente… O preço dos aparelhos da Xiaomi no Brasil com impostos e markup de lucro são aqueles praticados pela DL (e isso depois que a receita pegou no pé deles). Se está barato demais é para desconfiar que não estão agindo corretamente e consequentemente há risco.

Seria mais simples essa turma toda ter comprado os celulares em lojas chinesas e ter pago o imposto na chegada dos aparelhos que, se comprados na black friday, provavelmente estariam chegando por esses dias…

John Smith (@john)

Simples. Provavelmente é(são) pilantra(s) que estava(m) importando aparelhos irregularmente sem pagar impostos para ganhar uma margem boa de lucro e tomara(m) no fió.

Mas quem tomou mais no fió foram aqueles que compraram nessa loja, que só pela nota dá pra ver o nível de amadorismo. Eu jamais compraria algo de “empresa” desse tipo.

Mickey Sigrist (@Mickey)

Começou como trambique, terminou com trambique. Não dava pra esperar outra coisa. Sinto muito aos que foram prejudicados, agora é correr atrás e aguentar a dor de cabeça.

Fabio Torelli Júnior (@fabiotorellijr)

Agora fica a pergunta será que as duas lojas físicas a do Shopping Ibirapuera e do Center Norte continuam operando normalmente?

Diego Nascimento (@Dieg0)

As notícias tão demorando a sairem aqui… Não é a primeira vez, e essa por exemplo, já li ontem em outro site.

 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido (@Wardz_de_souzA)

A notícia sai no tecnoblog.net.

Aqui é apenas para referência e facilitar o botão “citar”. A matéria só aparece quando alguém comenta a notícia.

LekyChan (@LekyChan)

essa loja que fechou não era oficial, as dos shoppings são.

Gabriel (@gabrielcarlos)

As lojas oficiais não tem nada a ver com isso

Fabio Torelli Júnior (@fabiotorellijr)

Obrigado pelo esclarecimento @Eric_Viana @LekyChan e @gabrielcarlos.

Eric Viana (@Eric_Viana)

As lojas dos Shoppings são controladas pela DL que é a única empresa legalmente autorizada à representar a Xiaomi no Brasil.

Marks Duarte (@marksduarte)

Eu acessei esse site algumas vezes e quase comprei um aparelho, ainda bem que desisti após fazer uma pesquisa sobre o mesmo.

Vinicius Andrade (@Toloko)