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HyperloopTT tenta convencer Brasil a instalar trem de 1.000 km/h

Conceito do Hyperloop foi desenvolvido por Elon Musk e promete trens de velocidades altíssimas

Felipe VenturaPor

A Hyperloop Transportation Technologies está na corrida para lançar sistemas comerciais de trens que viajam a velocidades altíssimas por levitação magnética, baseados em um conceito desenvolvido por Elon Musk. A empresa tem um projeto em andamento nos Emirados Árabes Unidos, e seus planos para o futuro envolvem o Brasil, incluindo uma possível linha que faria a rota São Paulo – Rio de Janeiro em 25 minutos.

Hyperloop

“O Brasil deve figurar na segunda leva de investimentos, prevista para daqui a cinco anos”, estima Dirk Ahlborn, fundador e CEO da HyperloopTT, à Exame. Ele vem conversando com a iniciativa privada, especialmente empresas de infraestrutura e concessionárias de rodovias, para viabilizar um projeto no país.

No entanto, as conversas com o poder público não vão para a frente. Em 2018, a HyperloopTT anunciou que teria um centro de pesquisa em Contagem (MG) por meio de uma parceria público-privada. No ano seguinte, o projeto foi cancelado porque o governo mineiro não liberou uma verba de R$ 13 milhões, equivalente a metade do custo total.

Na época, circulavam rumores de que o centro de P&D seria instalado em São Paulo, mas o CEO da HyperloopTT menciona dificuldades em negociar com o governo paulista. A empresa também tenta convencer Curitiba, dizendo que a capital paranaense “tem vocação para este tipo de inovação”.

Hyperloop faria rota SP-Campinas em seis minutos

O Hyperloop é composto por tubos despressurizados pelos quais viajam vagões chamados “pods” através de levitação magnética, atingindo velocidades de até 1.200 km/h. Os pods, que comportam de 20 a 30 passageiros, são feitos com uma estrutura de fibra de carbono chamada de “vibranium”.

Ricardo Penzin, diretor da HyperloopTT na América Latina, afirma que uma viagem do Rio a São Paulo seria feita em até 25 minutos, já levando em conta as irregularidades do terreno. Enquanto isso, a rota São Paulo – Campinas levaria seis minutos; esse trajeto mais curto seria mais fácil de sair do papel.

Ainda assim, um Hyperloop no país é um sonho distante. Ahlborn disse ao Valor no ano passado que falta no Brasil o básico para a construção desse sistema de transporte, como um conjunto definido de regras e regulamentações.

Primeiro hyperloop deve ser lançado em 2020

Outra questão é que a HyperloopTT ainda não finalizou seus projetos em outros países. Ela está construindo um sistema de transporte nos Emirados Árabes Unidos que conectará Abu Dhabi, Al-Ain e Dubai, levando os passageiros a uma velocidade máxima de 1.000 km/h. A viagem de uma extremidade à outra promete durar apenas 15 minutos; a distância percorrida é de 150 km.

O projeto custará US$ 40 milhões por quilômetro, totalizando US$ 6 bilhões. As primeiras viagens de teste devem ser realizadas ainda este ano, a tempo da Expo 2020, enquanto a operação comercial só teria início em 2023.

A HyperloopTT anunciou em 2018 um acordo com a cidade chinesa de Tongren para construir um sistema de transporte, mas não divulgou novidades desde então. O governo da China levantou dúvidas, lembrando que o projeto não seria compatível com os trens de alta velocidade já instalados no país.

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Henrique Miguel (@Miguel)

“A empresa também tenta convencer Curitiba, dizendo que a capital paranaense ‘tem vocação para este tipo de inovação’.”

Curitiba tem vocação mas o metrô é uma lenda de uns 20 anos já. Eu quero muito, mas não tenho esperanças.

O Brasil que precisa muito de infra-estrutura esta dificultando a implantação… Realmente não sem mais o que esperar, a falta de vontade dos nossos governantes é crônica. E antes que me acusem de direita ou esquerda, eu estou generalizando, são todos…

Higo Ferreira (@higoff)

Eles precisam antes convencer o Brasil de investir em… trens! Aqui no RJ a malha ferroviária foi totalmente renegada a segundo plano, com estrutura sucateada, contratos de concessão cinquentenários e uma malha férrea para o metrô que beira o ridículo, inclusive com linhas compartilhadas. Tudo em favor de um investimento no transporte rodoviário (que em lugar algum no mundo pode ser considerado transporte de massa) para enriquecer a família Barata. Claro, com o aval do Cabralzinho, que por essas e outras já foi condenado a penas que já somam mais de 250 anos de cadeia.

Sérgio (@trovalds)

Você leu tudo o que eu escrevi ou só a parte do a questão não é orçamentária e correu pra me responder? Concordo EM parte que muita cidade e estado tá com o orçamento sucateado mas tudo é questão de planejamento. Basicamente: é a diferença entre você atrair investimentos pra sua cidade e/ou estado ou não é como você trata dos problemas que surgem. Outro dia mesmo o Luciano Hang em discurso de inauguração da nova unidade Havan em Cuiabá/MT criticou justamente isso: a cidade impõe barreiras burocráticas ENORMES pro empreendedor. Daí eu pergunto: como é que a cidade vai sair do vermelho se ela não permite que se invista nela?

Posso ter sido resumido no que falei mas é basicamente isso. Os problemas orçamentários das cidades e estados são causados por má gestão e interesses escusos. Aqui no Estado de MT mesmo tem várias cidades prósperas e que vivem no azul. Oferecem todos os serviços básicos de graça e com qualidade. O que elas tem em comum: gestão que não engessa quem quer empreender, políticas públicas que minimizam problemas como saúde preventiva, o que evita lotação de UPAs por doenças facilmente evitáveis como verminoses e por aí vai.