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Facebook é processado e pode ter que vender Instagram e WhatsApp

Órgão nos EUA quer quebrar monopólio do Facebook revertendo as aquisições do Instagram e do WhatsApp

Felipe VenturaPor

A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA processou o Facebook nesta quarta-feira (9): o órgão acusa a empresa de atitudes anticompetitivas ao longo dos últimos anos, comprando concorrentes para “eliminar ameaças ao seu monopólio”. Por isso, a ação judicial pede para reverter as aquisições do Instagram e WhatsApp.

Instagram, Facebook e WhatsApp (Imagem: Tecnoblog)

Instagram, Facebook e WhatsApp (Imagem: Tecnoblog)

Em resumo, a FTC quer o seguinte:

  • desfazer as aquisições do Instagram e WhatsApp;
  • exigir que o Facebook solicite aviso prévio e aprovação para fusões e aquisições no futuro;
  • proibir o Facebook de impor condições anticompetitivas aos desenvolvedores de software.

O Facebook afirma o seguinte: “anos depois que a FTC liberou nossas aquisições, o governo agora quer uma reformulação sem levar em conta o impacto que o precedente teria na comunidade empresarial mais ampla ou nas pessoas que escolhem nossos produtos todos os dias”. A empresa promete um comunicado mais extenso em breve, enquanto analisa as queixas no processo judicial.

Segundo a FTC, os executivos do Facebook — incluindo o CEO Mark Zuckerberg — viram no Instagram uma “ameaça existencial ao poder de monopólio” da empresa. Em vez de competir, ela preferiu adquirir a rede social por US$ 1 bilhão em 2012.

A história se repetiu em 2014, quando o Facebook anunciou a compra do WhatsApp por US$ 19 bilhões; o valor final foi maior. A FTC alega que, para a empresa, “o próprio WhatsApp poderia ameaçar o monopólio da rede social”.

Facebook restringiu APIs

O processo também acusa o Facebook de impor condições anticompetitivas ao acesso às APIs: os desenvolvedores só poderiam usá-las em aplicativos de terceiros apenas se não criassem recursos concorrentes. A empresa teria usado isso como moeda de troca “para conter ameaças competitivas percebidas de redes sociais rivais, apps de mensagens e outros”.

Por exemplo, o Vine foi lançado pelo Twitter em 2013, com vídeos de até seis segundos. O Facebook impediu o app de acessar a API para obter listas de amigos dos usuários.

“As ações do Facebook para consolidar e manter seu monopólio negam aos consumidores os benefícios da concorrência”, afirma Ian Conner, diretor de competição da FTC, em comunicado. “Nosso objetivo é reverter a conduta anticompetitiva do Facebook e restaurar a concorrência para que a inovação e a livre concorrência possam prosperar.”

A investigação da FTC foi feita em cooperação com procuradores-gerais de 46 estados, mais o Distrito de Columbia e o território de Guam. Essa é a lista completa:

Alasca, Arizona, Arkansas, Califórnia, Carolina do Norte, Colorado, Connecticut, Dakota do Norte, Delaware, Distrito de Columbia (D.C.), Flórida, Guam, Havaí, Idaho, Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Louisiana, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Mississippi, Missouri, Montana, Nebraska, Nevada, Nova Hampshire, Nova Jersey, Nova York, Novo México, Ohio, Oklahoma, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Tennessee, Texas, Utah, Vermont, Virgínia, Virgínia Ocidental, Washington, Wisconsin e Wyoming

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LekyChan (@LekyChan)

titio mark deve estar com o cu na mão agora.

João M. (@RonDamon)

E quem vai comprar? Hoje devem valer uns 40 bilhões cada.

JulioCampos (@juliocesar)

Já estou lendo por aí gente defendendo o Facebook e que tais processos são antiliberais e anticapitalistas. Esquecem que monopólio destrói o livre comércio e não dá chance para novas concorrências e tende prejudicar o consumidor a médio e longo prazo.

² (@centauro)

Em tese ninguém precisa comprar, basta se tornarem empresas independentes como eram antes.

🤷‍♀️ (@xavier)

Mas só agora eles perceberam isso? Estavam onde, em Marte?

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Mas antes ele tinha um dono. Mesmo que seja um concelho administrativo, elegendo um CEO.

O facebook teria que colocar o Instagram e o WhatsApp na bolsa, daí designar através do concelho um CEO e ainda assim, o mark poderia fazer uma aquisição massiva de papéis e ainda ser o “dono”.

Hoje eles meio que são independentes na gestão, mas estão sobre o guarda chuva do Facebook.

Ronaldo Gogoni (@RonaldoGogoni)

Desfazer a venda é devolver aos antigos donos, que terão que devolver a grana ao Facebook.

No caso, o Instagram volta para a mão de Kevin Systrom e Mike Krieger, e o Whatsapp, para Brian Acton e Jan Koum.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

O nível de insanidade desse processo me deixa perplexo com as atitudes de governos em ferrar com as empresas.

1º) A venda foi aprovada por todos os órgãos no passado, sendo que o Facebook já era um monopólio em redes sociais. (Ou o Orkut era uma ameaça e não me contaram?)

2º) Se de maneira inacreditável realmente o Facebook tiver que se desfazer das operações de Instagram e WhatsApp, o precedente jurídico que se abrirá será terrível, causando enorme insegurança nos negócios.

3º) Minha maior curiosidade caso isso ocorra é saber como WhatsApp e Instagram vão sobreviver sem o Facebook ou outra gigante. Afinal, o que os sustenta hoje são os anúncios. Vão pedir doações ou terão um planos pagos?

No fim das contas não existe monopólio a não ser que seja garantido pelo governo.

E no mundo da tecnologia não é difícil vermos gigantes caindo: Internet Explorer perdeu pro Google Chrome, e mesmo o Instagram tem o TikTok pra se preocupar.

Se algum produto, serviço ou empresa é líder, existe um motivo, ela é boa no que faz até outra ser melhor. É um ciclo que não precisa de nenhuma interversão para funcionar.

Fábio Valentim (@maitabom)

Microsoft, Oracle, Elon Musk…

Ou podem voltar a serem empresas independentes como eram antes.

JulioCampos (@juliocesar)

Sempre ter alguém fazendo análise só do lado da empresa, como se fosse advogado da mesma e esquece de fazer análise como um todo, uma análise rasa da situação. Comente, por exemplo, sobre o outro lado, como os e-mails trocados pelo Zuckerberg antes das aquisições de Instagram e WhatsApp. Me fale mais sobre a atitude do dono da Facebook a recusa do Snapchat de ser comprado. Aff… estou cheio de gente defendendo essas big techs.

Senhor ranz (@Duko)

monopólio é uma gigante lixo tóxico que destrói tudo mesmo, cara o sony (tem a tutela do funimation) e então o sony comprou o Crunchyroll e agora é um monopólio no setor dos streaming dos animes.

Douglas Furtado Gonçalves (@DouglasFurtado)

Eu não me importaria de pagar uma taxa por um serviço de mensagens via internet, desde que todos os anúncios sejam removidos, como também a certeza de que meus dados não seriam vendidos para ninguém. Com a base de usuários do WhatsApp, creio que não seria difícil ser rentável.

LekyChan (@LekyChan)

Mas isso só aqui no brasil, lá fora tem outros serviços do tipo, e antes da funimation chegar aqui, só tinha a CR.

Senhor ranz (@Duko)

porém pode aumentar o valor de CR, já que o Sony tem o funimation agora com CR, o preço aumenta mais sem outros serviços do tipo no brasil.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

Não sou advogado de ninguém, mas deve-se usar a lógica, e não a emoção. Essa decisão é simplesmente insana, e só revela como o Estado consegue atrapalhar os negócios.

Esse é o mundo dos negócios, qualquer um que tem uma empresa, sabe como o mercado é selvagem e competitivo.

Além do mais, sinceramente falando, você acha que os donos do Instagram e WhatsApp fizeram um mal negócio vendendo pro Zuckerberg? Garanto que eles tão aproveitando muito bem os milhões e bilhões que ganharam.

Sabe quem se arrependeu de se vender? Snapchat. Sim, o Facebook copiou descaradamente o app, e conseguiu popularizar os Stories, levando pro esquecimento a rede social que só era focada nisso.

Ao invés de aceitar um bom valor pra ser vendido, a rede social achou que tinha poder para bater de frente com um concorrente de peso, mas todo o seu modelo foi baseado num único formato que qualquer um consegue replicar, mostrando a fragilidade de sua operação.

Gostando ou não, foi só depois que o Instagram e WhatsApp foram comprados que diversas melhorias e novidades chegaram aos apps.

Com um big tech por trás, você ganha suporte e conhecimento que uma empresa pequena dificilmente consegue, por isso ser comprado pode ser uma ótima solução para startups, por exemplo.

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