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Os planos da Alphabet ao transformar a divisão de ciências do Google em Verily

Emerson Alecrim
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Verily

Em agosto, você deve se lembrar, o Google iniciou uma reorganização completa e passou a se chamar Alphabet. A decisão fez o buscador se tornar uma entre as várias unidades de negócio que o conglomerado deve ter. Os demais efeitos da nova fase começam a se manifestar aos poucos. Nesta semana, por exemplo, a Alphabet transformou a divisão Google Life Sciences em Verily Life Sciences. A mudança tem um significado especial: mais do que nunca, a companhia quer conhecer os pormenores da nossa saúde.

Antes da reorganização, a Google Life Sciences era uma divisão dos laboratórios Google X. Dali saíram projetos bastante interessantes. O mais notável talvez seja a lente de contato que mede os níveis de glicose em diabéticos, mas há outros dignos de nota, como a pesquisa que visa entender a evolução da esclerose múltipla e as nanopartículas que detectam câncer precocemente.

Lentes - Google

A Verily dará sequência a esses e a outros projetos, mas trabalhará sob uma perspectiva mais ampla: em vez de se focar apenas nos estudos de enfermidades, a divisão terá a missão de desenvolver pesquisas sobre como melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Existe um objetivo indireto aí. Se a Verily conseguir fazer descobertas importantes sobre como o corpo humano funciona, eventualmente a Alphabet poderá ter respostas para uma pergunta que nos perturba desde a antiguidade: como viver mais?

Como uma unidade distinta — e não mais como um mero departamento —, a Verily terá autonomia e recursos mais abundantes para se focar nesses projetos. A base de tudo estará em algo que o Google sabe fazer bem desde os seus primórdios: análise de dados.

Médicos, engenheiros, físicos, químicos, biológicos e tantos outros profissionais trabalharão dentro de suas respectivas especialidades, mas os resultados de todos esses esforços não serão analisados isoladamente: a Verily tem à sua disposição tecnologias que a permitirão cruzar esses dados sempre que cabível e certamente fará uso disso.

Se o objetivo é conhecer em detalhes o funcionamento do corpo humano, a Verily tem ainda a possibilidade de cruzar as pesquisas com todo o conhecimento que o Google acumula com parâmetros de saúde advindos de smartwatches, pulseiras inteligentes, sensores de smartphones e por aí vai.

Ao entrar no site da Verily, você verá que uma pergunta ocupa quase toda a parte superior da página: “como podemos usar a tecnologia para criar uma imagem real da saúde humana?”, em tradução livre.

Verily

Esse questionamento sugere que os trabalhos da Verily não ficarão mesmo focados apenas no combate a doenças. Mas, invariavelmente, as enfermidades estarão no centro das pesquisas da divisão. Primeiro porque a medicina avançou consideravelmente nas últimas décadas, mas ainda há muito o que ser feito nos campos de tratamento e prevenção. Segundo porque os estudos sobre as doenças também podem trazer revelações importantes sobre o funcionamento do corpo humano.

Para comandar todo o time, a Alphabet manterá Andrew Conrad, um especialista em biologia celular que fez um excelente trabalho à frente da Google Life Sciences. Mas talvez o nome mais chamativo entre os líderes seja o de Linus Upson, um engenheiro de software que ajudou a criar o Chrome e o Chrome OS.

Não chega a ser espantoso essa combinação de especialidades. Com o poder computacional que o Google desenvolveu ao longo dos anos (incluindo aí tecnologias de inteligência artificial e Big Data), a Verily poderá extrair informações realmente relevantes de grandes volumes de dados em tempo hábil, o que a coloca em posição de vanguarda. Será interessante observar o que sairá de seus laboratórios.

Com informações: Fast Company, Re/code

Emerson Alecrim

Autor / repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais, negócios e transportes. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém um site chamado InfoWester.

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