Lembra de quando a AMD ameaçou a supremacia da Intel?

Rivalidade entre as duas empresas marcou uma época de ouro para micreiros mundo afora

Josué de Oliveira
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O fim da linha Pentium nos notebooks abre uma caixa de memórias dos anos 1990 e 2000. Uma época em que nos divertíamos montando nossos desktops, e em toda esquina brotavam cursos de montagem e manutenção de micros. Foi também um período em que a AMD, principal competidora da Intel, viu sua distância em relação à primeira colocada diminuir.

Lembra de quando a AMD ameaçou a supremacia da Intel? (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)
Lembra de quando a AMD ameaçou a supremacia da Intel? (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A Intel sempre foi um player importante, mas a partir do final da década de 1970 pulou na frente da concorrência. Um fator determinante nisso foi a parceria com a IBM, que escolheu o Intel 8088 como processador de sua primeira geração de PCs. A partir daí, a Intel virou o adversário a ser batido.

O Pentium só viria algum tempo depois, em 1993, e se tornaria o processador mais usado para computação pessoal nos anos seguintes, de acordo com a PCMag. A partir de 2006, a Intel passou a priorizar a linha Core; o Pentium, antes o modelo mais destacado da empresa, acabou migrando para computadores de entrada.

E essa passagem de faixa foi essencial para a Intel recuperar sua supremacia. Afinal, antes da introdução da linha Core, a AMD havia se tornado um incômodo.

Uma história de clones e Megahertz

A relação entre as duas empresas é antiga: além de terem sido fundadas com menos de um ano de diferença, a AMD fabricou diversos clones de chips da Intel.

O acordo com a IBM exigia que a Intel licenciasse sua tecnologia para outras empresas, uma forma de garantir o suprimento da demanda. Porém, mesmo antes disso, a AMD produziu outros de seus chips a partir de chips da Intel, num processo demorado de engenharia reversa (outras empresas também faziam isso, deve-se dizer).

Ao longo dos anos, a Intel licenciou outros chips produzidos pela AMD, mas, em 1985, as duas se envolveram num imbróglio jurídico. A AMD queria produzir o seu clone do 80386, porém a Intel argumentava que o acordo entre as duas só ia até o 80286. No fim das contas, a AMD venceu a disputa, e lançou o seu AM386 em 1991. E, vejam só: o clock deste clone era mais rápido do que o do original.

Processador visto de perto (Imagem: TobiasD/Pixabay)
Processador visto de perto (Imagem: TobiasD/Pixabay)

Essa disputa de MHz prosseguiu por anos, e cada pequeno aumento era alardeado pelas companhias como o grande diferencial de seu produto. Porém, mesmo quando a AMD saltava na frente nesse quesito, a Intel tinha um forte jogo de marketing a seu favor. Isso nunca foi tão claro quanto com a linha Pentium. Pela primeira vez, um processador se tornava também uma marca, um nome que todos reconheciam.

Esse é um dos motivos pelos quais a aposentadoria do Pentium foi uma surpresa. São quase trinta anos de história, uma das marcas mais fortes da empresa. O Pentium era sinônimo de bom desempenho, um termo que até leigos conseguiam reconhecer. A AMD podia ter tudo, mas não tinha isso.

Mas então o jogo virou…

Em 1995, a AMD comprou a pequena NexGen, empresa que vinha desenvolvendo processadores comparáveis aos Pentium. Essa aquisição se mostraria decisiva para viabilizar a competição com a Intel.

Os primeiros frutos foram colhidos em 1997, quando o K6 chegou ao mercado. O processador da AMD competia com o Pentium 2 – o melhor que a Intel tinha a oferecer na época – tanto em velocidade quanto em preço. O lançamento foi muito celebrado. Um review do Tom’s Hardware da época sentenciava: a chegada do K6 tornava o Pentium mais recente completamente obsoleto.

O modelo seguinte, K7, recebeu o nome de Athlon, pelo qual ficou mais conhecido. Ele deu à AMD uma importante vitória simbólica sobre a Intel, sendo a primeira das duas a ultrapassar 1 GHz de velocidade de clock. E, até o final de sua fabricação, a linha conseguiria chegar a incríveis 2,33 GHz. Ou seja: em termos de desempenho, o Pentium tinha encontrado um rival.

Mas o auge competitivo da AMD se deu com o lançamento do K8, ou Athlon 64. Como o já nome indica, era um processador com instruções de 64 bits, o que mudou o jogo na época. Mais adiante, a própria Intel licenciaria extensões AMD64 para uso próprio, tão boa era a tecnologia.

Para completar, a nova arquitetura da AMD deu muito certo não apenas em desktops, mas também em servidores, chegando a abocanhar um quarto do setor. Para os entusiastas, estava claro que os chips da empresa eram os melhores do mercado.

…e depois voltou a virar

No entanto, a AMD não soube aproveitar o bom momento. Uma série de problemas de gestão atrapalharam; a manutenção das fábricas da empresa também comeu muito dinheiro. E a Intel, por sua vez, começou a deixar o Pentium para trás.

A arquitetura NetBurst, que alimentava a linha Pentium 4, não estava trazendo bons resultados. Perdia em performance para o Athlon 64, além de consumir mais energia. O passo seguinte foi, na verdade, um passo atrás: a Intel planejou sua nova linha de chips não a partir do Pentium 4, mas do Pentium 3. Daí nasceu a linha Core, que designa desde então os chips topo de linha da empresa.

Chip Intel Core (imagem: divulgação/Intel)
Chip Intel Core (imagem: divulgação/Intel)

A maré voltou a subir para a AMD daí para frente, sobretudo com o lançamento do Core 2. A Intel voltava ao topo, e sua rival, ainda lidando com os problemas internos, viu a distância aumentar. As duas velhas adversárias voltavam aos seus lugares.

Mas fica a lembrança: certa vez, há muito tempo, a AMD fez a Intel suar. E mudou o mercado no processo.

Você era time Pentium ou time Athlon?

No Tecnocast 261, pegamos carona na aposentadoria da linha Pentium nos notebooks (R.I.P.) para conversar sobre os bons e velhos tempos da informática (alguém ainda usa essa palavra) nos anos 1990 e 2000.

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