TSE vê Telegram como desafio em combate à desinformação nas Eleições 2022

Com grupos de até 200 mil participantes, o mensageiro rival do WhatsApp é potencialmente perigoso quando o assunto é fake news

Ana Marques
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O Telegram vem ganhando popularidade no Brasil, principalmente após os problemas de privacidade enfrentados pelo seu maior rival, o WhatsApp. Com uma base crescente de usuários e alguns recursos específicos, o mensageiro pode ser um desafio no que diz respeito ao combate à desinformação nas próximas eleições – quem afirma isso é a secretária-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Aline Osorio, em uma entrevista à Folha publicada no domingo (13).

Aplicativo do Telegram (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)

Aplicativo do Telegram (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)

Aline, que também é coordenadora do Programa de Enfrentamento à Desinformação, acredita que a falta de moderação de conteúdo do Telegram pode ser um problema nas Eleições de 2022.

O aplicativo de mensagens permite a criação de grupos com até 200 mil participantes e de canais que podem facilmente transmitir uma informação em massa. Entretanto, a empresa não parece estar preocupada com o potencial risco que essas ferramentas oferecem sem a moderação adequada – especialmente ao nosso país, onde faltam representantes da companhia.

“O Telegram é um grande desafio, nós temos buscado canais, ainda não conseguimos chegar no Telegram. Atualmente a moderação de conteúdo que é feita, ou que praticamente não é feita pelo Telegram, é mais com base em preocupações de terrorismo. Estamos usando caminhos diplomáticos para chegar em representantes do Telegram”, afirmou Aline Osorio à Folha.

TSE tem parceria com WhatsApp, Google e mais empresas

Diversas empresas de tecnologia já se uniram ao TSE para ajudar a desarticular movimentos que propagam desinformação por meio de redes sociais – é o caso do WhatsApp, do Google e do Twitter.

Aline avalia que o programa foi bem-sucedido e atribui o resultado ao protocolo de ação para cada incidente, que proporcionou resultados rápidos em uma parceria com plataformas e checadores de fatos.

Nas Eleições de 2020, o WhatsApp afirma ter banido mais de 360 mil contas no Brasil em apenas três meses por realizar disparos em massa de mensagens. Em maio de 2021,  o projeto de lei que prevê até cinco anos de prisão pelo disparo em massa de fake news foi aprovado pela Câmara dos Deputados.

Ana Marques

Gerente de Conteúdo

Ana Marques é jornalista e trabalha com tecnologia há 6 anos. Formada pela UFRJ, já passou pelo TechTudo (Globo) e pelo hub de conteúdo do Zoom, onde cobriu eventos nacionais e internacionais, analisando celulares, fones e outros eletrônicos. Em 2019, iniciou a coluna semanal "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Antes disso tudo, cursou Farmácia e fundou uma banda de rock.

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