Filtros contra interferência no 5G serão instalados em sete anos

5G de 3,5 GHz pode causar interferência na TV aberta via satélite; operadoras querem filtro de mitigação para antenas parabólicas

Lucas Braga
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• Atualizado há 2 anos e 5 meses
Antenas parabólicas (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)
Antenas parabólicas (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

O leilão de 5G deve ocorrer em 2021, e a frequência de 3,5 GHz pode causar interferências no serviço de TV aberta via satélite (TVRO), que utiliza banda C. A distribuição de filtros LNBF para as antenas parabólicas poderia resolver o problema, mas a substituição de equipamentos em todo o Brasil pode demorar sete anos.

O cronograma foi previsto pela Conexis (antigo SindiTelebrasil), que representa as principais operadoras de telecomunicações. A entidade estima que será necessário implementar o filtro em equipamentos de 1,37 milhão de pessoas que estão no CadÚnico do Governo Federal e vivem em regiões onde a interferência seria causada.

Este é o cronograma para solução de interferência do 5G proposto pela Conexis:

Período Cidades
12 meses Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, e São Paulo
24 meses Restante das capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes
36 meses Cidades com mais de 200 mil habitantes
48 meses Cidades com mais de 100 mil habitantes
60 meses Cidades entre 30 e 100 mil habitantes e restante do PGMC 1 (municípios competitivos)
72 meses Restante das cidades com PGMC 2 (municípios potencialmente competitivos)
84 meses Restante das cidades com PGMC 3 (municípios pouco competitivos)

Migração para Banda Ku custaria R$ 1,75 bilhão

Caso a solução de mitigação com filtro LNBF não seja aceita pela Anatel, o esforço será ainda maior: o desligamento do serviço de TVRO na Banda C e transferência para a banda Ku implicaria em decodificadores, antenas e filtros em todos os 5.570 municípios brasileiros, com custo muito mais alto para as operadoras.

No plano de mitigação de interferências, a Conexis espera que as operadoras gastem R$ 224,13 milhões com a distribuição e instalação de filtros. A migração da banda C para a banda Ku seria 7,8 vezes mais cara, chegando a R$ 1,75 bilhão – isso considerando a cotação do dólar a R$ 4,18 e equipamentos apenas para usuários do CadÚnico.

Com informações: Telesíntese

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Lucas Braga

Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.

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