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LG Nexus 4, o queridinho do Google

Um aparelho mais do que fantástico que bate de frente com smartphones como iPhone 5 ou Galaxy S III. Pena que a bateria decepcione um pouco.

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5 anos atrás

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A LG foi a fabricante agraciada para fabricar a nova geração da linha de smartphones Nexus, projetada pelo Google com o objetivo de oferecer a experiência mais pura possível do sistema operacional Android. Com especificações excelentes, o Nexus 4 é o casamento ideal entre o preço cobrado (ao menos lá fora) e o que o aparelho realmente entrega.

Confesso que fiquei com muito receio do Nexus 4. O medo maior vinha por conta da LG, uma fabricante que nunca se destacou junto dos concorrentes por smartphones high end – só agora ela está erguendo a cabeça e se saindo melhor no mercado de celulares topo de linha. Mas é a linha Nexus, projetada nos mínimos detalhes pelo Google, e o smartphone serve como uma referência de funcionalidades, design e especificações para todas as fabricantes que adotam o robô verde se espelharem e criarem bons dispositivos.

Design e pegada

O Nexus 4 é bonito. Muito bonito. A parte frontal lembra bastante o irmão mais velho Galaxy Nexus, tanto é que de longe meus amigos achavam que eu estava com o telefone antigo. Ele possui um friso cromado, bem similar ao que encontramos no iPhone 3GS. Logo abaixo do friso cromado, uma camada emborrachada traz firmeza ao aparelho e impede que ele saia escorregando da sua mão.

Essa parte de escorregar, inclusive, é bastante curiosa. O Galaxy S III é que tem o formato de sabonete, mas quem escorrega de verdade é o Nexus 4. Se eu deixar o smartphone em alguma superfície, como uma mesa, a chance dele deslizar com algum esbarro é muito alta. Isso me incomodou tanto que estou usando uma capa para que ele não ande sozinho por aí. Uma parte triste, afinal, isso tampa a traseira do aparelho.

Mas o que tem de tão especial nessa traseira? Ela tem um efeito holográfico que lembra lantejoulas. Quando posicionado contra a luz, dá a impressão de que tem alguma coisa mexendo no aparelho, sendo que nada mais é do que o movimento do próprio telefone ou do seus olhos. Sendo um pouco nostálgico, a traseira lembra bastante aqueles Tazos 3D que vinham nas embalagens de salgadinhos e mudavam a imagem de acordo com a posição. Quando não há iluminação, a traseira se mantém preta, como se não existisse nenhum detalhe. Discreto.

Bem fino, o Nexus 4 tem 9,11 mm de espessura e não possui bateria removível. Na parte de baixo, é encontrado o conector microUSB, microfone os dois únicos parafusos do aparelho. Na lateral esquerda se encontram o botão de volume e a gaveta para microSIM (que, por sinal, não possui o famigerado hot-swap, sendo necessário reiniciar o aparelho para que o SIM Card seja reconhecido). Na outra lateral se encontra apenas o botão Power, e na parte superior o conector de fone de ouvido 3,5 mm e o microfone para cancelamento de ruídos.

Tela de 4,7″

Com 0,05 polegada a mais que seu antecessor, o Nexus 4 tem uma tela True HD IPS Plus (respira) de 4,7 polegadas com resolução WXGA (768×1280). Com uma leve curva (lembra bastante o Lumia 800) e proteção Gorilla Glass 2, o aparelho se mostra bem responsivo e as cores são muito mais bem definidas quando comparado às telas de Super AMOLED adotadas pela Samsung em diversos aparelhos. O porém da tela IPS é que, também em relação à Super AMOLED, o uso na luz do sol fica comprometido e bem difícil de enxergar. E tem mais: os itens pretos nas telas de AMOLED se aproximam mais do chamado preto real.

Mesmo com essas desvantagens, a tela do Nexus 4 continua sendo muito melhor que a do irmão mais velho, o Galaxy Nexus. A sensibilidade do toque é excelente e corresponde à velocidade do aparelho.

Multimídia

O Nexus 4 não é o melhor aparelho no quesito multimídia. Para começar, o kit não conta sequer com fones de ouvido, obrigando você a comprar algum. A qualidade sonora é boa, mas o volume da saída de áudio poderia ser mais alto. Isso não impede, claro, de utilizar o smartphone como player de música, de forma que ele exerce essa função muito bem.

A loja Play Music vem de fábrica como player de música. Com algumas gambiarras, é possível utilizar o serviço de streaming sem complicações: um aplicativo para computador faz upload de até 25 mil músicas para a Google Play Music online. No aplicativo do celular é possível baixar todas as músicas ou apenas aquelas que você quer. Ainda, é possível escutar a música online, algo completamente indicado já que o Nexus 4 só possui versões com 8 GB ou 16 GB de armazenamento, relativamente pouco para uma era com músicas, imagens e vídeos de alta definição.

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É possível comprar ou alugar filmes na Play Store, assim como é possível adquirir livros. Em outros países existe a venda de músicas. Se você estiver migrando de um iPhone, fique tranquilo: suas músicas compradas na iTunes Store funcionam perfeitamente no Nexus 4. Todas as músicas da loja da Apple são livres de DRM.

O player nativo de vídeos reconheceu vídeos em AVI (em DivX), MP4 e até mesmo MKV, algo que não encontrei em outros smartphones da linha Nexus. Entretanto, nada de legendas: se você quiser assistir a seus episódios direto na tela do celular é preciso baixar algum tocador de vídeo. Eu recomendo o gratuito MX Player.

Ao contrário da saída de áudio, devo elogiar o falante do aparelho. É alto o suficiente para você escutar suas músicas sem fone enquanto está em casa (por favor, não façam isso no ônibus e metrô!) e isso beneficia também o toque do celular: eu vivia perdendo ligações por não escutar o telefone tocando – algo meio impossível no Nexus 4.

Câmera

A câmera do Nexus 4 faz boas fotos. A câmera principal tira fotos em 8 megapixels, possui foco automático e um flash bem forte que quebra bastante o galho em fotos noturnas. É possível capturar imagens panorâmicas e fotos com HDR, que realmente ajudam bastante a chegar na foto desejada.

Veja algumas fotos tiradas pelo aparelho:

O software da câmera é bem legal: a maioria dos controles é feita por gestos e não por botões, algo que auxilia no manuseio. Dá pra ajustar a câmera e capturar a imagem segurando o telefone com uma mão só. Basta pressionar qualquer ponto da tela por um segundo que o disco circular de ajustes aparece. Feito isso, basta arrastar até a função desejada para realizar o ajuste.

Basta segurar o dedo em qualquer lugar que o dial de opções aparece na câmera

Basta segurar o dedo em qualquer lugar que o dial de opções aparece na câmera

Outro recurso interessante é o Photo Sphere do Jelly Bean. A ideia é tirar fotos como um carro do Google Street View, sendo possível capturar imagens de 360º. Entretanto, o resultado é desanimador: objetos repetidos, distorções de iluminação e borrões fazem parte da foto capturada pelo recurso. Veja o resultado você mesmo.

A câmera de vídeo captura imagens em Full HD 1080p a 30 quadros por segundo. Veja o vídeo de teste:

A câmera frontal do aparelho cumpre bem o seu papel. Tira fotos em 1,2 megapixels e filma em resolução HD 720p. Conversas por vídeo no Skype e Google Talk ficaram com boa qualidade quando o smartphone está conectado em uma rede Wi-Fi.

Sincronização e conectividade

Ao ligar o Nexus 4 pela primeira vez, é necessário adicionar uma conta Google no aparelho. Feito isso, seu Gmail, contatos, Google Talk e demais informações são sincronizados automaticamente no smartphone. Se você estiver migrando de outro Android, como eu, o aparelho baixa automaticamente todos os seus aplicativos instalados no telefone anterior e relembra algumas configurações, como senhas de redes Wi-Fi, papel de parede e preferências de alguns aplicativos.

É bem fácil adicionar seus arquivos usando o Windows, sistema que reconhece o smartphone como um dispositivo de mídia no Explorer. No Mac é mais complicado porque exige o download do Android File Transfer. O software é bem simples e oferece muito poucas opções, de forma que preferi gerenciar meu telefone por meio do AirDroid, um app gratuito usando a rede Wi-Fi.

O Nexus 4 conta com Wi-Fi a/b/g/n, suportando também redes de 5 GHz, além de Bluetooth 4.0, NFC e DC-HSDPA, um tipo de rede 3G (inexistente no Brasil) que proporciona velocidades de até 42 Mbps. Um dos desfalques é a ausência do LTE, tecnologia que está chegando gradativamente ao Brasil.

Android em sua essência

Uma das maiores vantagens do Nexus 4 é a ausência de personalizações de fabricantes e operadoras no Jelly Bean. Diga adeus para aquelas versões de demonstrações de jogos, aplicativos de serviços que você não usa ou até mesmo aquela personalização horrenda  que as fabricantes insistem em empurrar goela abaixo. Estamos falando do Android puro, da forma como o Google projetou e sem terceiros se intrometendo nisso.

Tudo flui muito bem no manuseio do sistema. Começando com a tela de bloqueio, que deixou de ser apenas uma tela de bloqueio: com a possibilidade de adicionar widgets, um mar de opções surge para que você resolva seus problemas sem precisar destravar o smartphone. Isso faz toda a diferença na hora de realizar tarefas rápidas, como checar o email ou o Twitter, bem como anotar rapidamente alguma informação ou visualizar seus compromissos do dia.

Em seguida, vem a tela de início. Ou melhor, as telas de início. O sistema permite que você personalize cinco telas com ícones ou widgets, de forma a dinamizar o seu espaço da maneira que preferir. Outros quatro aplicativos são fixos na barra inferior (também personalizáveis). Também é possível agrupar aplicativos em pastas, bem útil na hora de separar aplicativos em categorias.

O menu de aplicativos exibe tudo que você tem instalado no celular, em ordem alfabética. Esse é mais um incentivo para você usar e abusar das homescreens, afinal, a cada aplicativo instalado a ordem onde eles se localizam no menu muda. Dentro desse mesmo menu também se encontra o catálogo de widgets para que sejam adicionados às telas de início. Com eles fica fácil atualizar seu status no Facebook ou encontrar o que está tocando no ambiente através dos widgets de aplicativos de reconhecimento de música.

Navegando com o Chrome

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Como navegador web, o smartphone tem o Google Chrome como padrão. Aliá-lo ao Chrome no desktop é muito interessante, afinal, ele sincroniza as abas e os favoritos entre diferentes dispositivos. Ele tem suporte a abas e não tem limite de quantas podem ser abertas: consegui abrir mais de 40 nos meus testes, e teve um momento que eu estava com 24 abas, todas com alguma página carregada. Nem isso atrapalha o desempenho do navegador. Navegar entre abas é fácil: basta deslizar seu dedo a partir borda esquerda e a mágica acontece. Para voltar a aba anterior, o mesmo procedimento deve ser executado, mas começando da borda direita. É possível abrir abas de navegação anônima. O navegador não apresenta suporte a Flash e permite que você abra o site desktop de páginas da web desenhadas para smartphones.

O aplicativo do Gmail é show! Elegante e funcional, ele também funciona com gestos: para deletar ou arquivar uma mensagem, basta deslizar o item para a direita ou esquerda na lista na Caixa de Entrada. Ele permite suporte a múltiplas caixas de entrada e possui notificação push. A integração é plena com os marcadores do Gmail, bem como os contatos do Google ou os armazenados no próprio telefone.

Assim como a maioria dos aplicativos, o Gmail se integra ao sistema através do hub de compartilhamentos. Esse hub, aliás, um dos diferenciais mais legais do Android perante aos seus concorrentes: se eu gostei de um vídeo que alguma pessoa me mandou no WhatsApp, é possível do próprio aplicativo compartilhá-lo para o Gmail ou mesmo para o YouTube.

Google Now

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Quem merece destaque é o Google Now. Como o Google já sabe tudo da sua vida, ele aproveita as informações coletadas para fornecer informações relevantes. Se eu estou dentro do shopping, por exemplo, o assistente me informa quais são as sessões de cinema disponíveis para aquele dia. Ou ainda, se estou viajando para outro país, ele me informa a cotação do dia e fornece rápido acesso ao Google Tradutor

Legal mesmo são as informações de trânsito: antes de sair de casa, basta verificar o card de trânsito para ver se há algum congestionamento ou mesmo quando parte o próximo ônibus. Tudo isso de forma silenciosa, mas se você fizer questão de conversar com seu próprio telefone, basta aproveitar as Voice Actions, mas que só funcionam com o idioma do aparelho em inglês.

Notificações

As notificações no Android também são geniais. Da própria barra de notificações é possível resolver sua vida dali mesmo. Após tirar uma screenshot, uma notificação aparece com a opção de poder compartilhá-la dali mesmo. A notificação de chamada não atendida permite que você retorne a ligação ou envie um SMS dali mesmo. E isso não se restringe apenas a aplicativos do sistema: é possível aceitar novos amigos no Foursquare ou retwittar alguma menção recebida no Twitter.

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E na própria barra de notificações se localiza um menu de acesso rápido: basta deslizar com dois dedos do topo do aparelho e surgem opções para mudar configurações do aparelho sem esforço, como o brilho da tela, ativar e desativar Wi-Fi, ligar o Bluetooth ou mesmo colocar o celular no modo avião.

A versão Jelly Bean do Android trouxe o suporte a Emoji, aquelas carinhas que você provavelmente já viu no WhatsApp ou no iOS. O Nexus 4 já desembarca com um teclado de Emojis, da forma que você não poderá apenas visualizar como também escolher e enviar as caretas. A pena é que os desenhos não são coloridos, e sim pictogramas.

Quem comprar um Nexus 4 vai ficar feliz ao saber que tem a garantia de atualizações. Isso significa que o bendito aparelho é o primeiro entre todos os modelos com Android a receber novas versões, já que ele é mantido pelo próprio Google. Nessa semana a gigante das buscas liberou a versão 4.2.2 do Android e meu telefone está devidamente atualizado.

Bateria

É na bateria que esse smartphone decepciona. Com capacidade de 2100 mAh e não-removível, o Nexus 4 vai te deixar na mão se você depender tanto de um smartphone como eu. O processador e chip gráfico do Nexus 4 são muito bons, e, por isso, consomem muita energia. Entretanto, a vilã da história é a tela, que ficou responsável por 52% de toda a energia gasta.

Foram realizados dois testes de uso com o Nexus 4, de acordo com o padrão de testes aqui do site. No uso moderado, o smartphone saiu da tomada com carga total e, terminados os testes, ficou com 43% de carga. No uso intenso a bateria terminou com 19%.

Essa autonomia me obriga a levar uma bateria externa para carregar o celular durante o dia. Mais um peso na mochila, mais um cabo pra carregar, mais uma coisa para se preocupar.

Devo dizer que o telefone também esquenta bastante. Não chega a ficar desconfortável em ligações ou durante a navegação, mas isso me preocupa ainda assim. E não precisa de muito esforço para que a temperatura fique alta: mesmo em tarefas simples, como ouvir músicas e usar o Twitter ao mesmo tempo é garantido que a temperatura do smartphone aumente.

Benchmarks

O Nexus 4 passou por quatro testes: o teste de HTML5 do Vellamo, Quadrant Standard, GLBenchmark 2.5.1 e AnTuTu. Confira nas imagens como o smartphone se saiu:

 

Especificações técnicas

  • Processador: Qualcomm Snapdragon S4 Pro de 1,5 GHz, GPU Adreno 320.
  • RAM: 2 GB de RAM.
  • Armazenamento: 8 GB ou 16 GB de armazenamento interno e sem suporte para cartões de memória.
  • Conectividade: 3G DC-HSDPA, 3G HSPA+, Wi-Fi dual-band a/b/n/g, NFC, Bluetooth 4.0 e microUSB.
  • Tela: True HD IPS Plus de 4,7 polegadas, resolução de 768×1280 (densidade de 318 ppi), Gorilla Glass 2.
  • Câmera: 8 megapixels com autofoco e flash, filma em 1080p a 30fps; câmera frontal de 1.3 megapixel com captura de vídeos em 720p.

Pontos positivos

  • Atualizações garantidas do Android.
  • Câmera surpreende e tira boas fotos, e mesmo em ambientes com pouca luz o resultado é bom.
  • Tela HD IPS Plus de 4,7 polegadas com Gorilla Glass, uma das telas de smartphone mais nítidas que já vi.

Pontos negativos

  • Armazenamento limitado com opções de 8 GB ou 16 GB, porém sem slot para cartão de memória.
  • Bateria deixa a desejar.
  • Esquenta demais.
  • Volume da saída de áudio baixo.

Conclusão

O Nexus 4 é um aparelho mais do que fantástico. É um modelo que bate de frente com smartphones high end, como iPhone 5 ou Galaxy S III. O maior pecado desse smartphone é a autonomia da bateria, que poderia ser bem maior do que o atual.

Eu comprei o Nexus 4 na última viagem que fiz. Meu smartphone anterior era um Galaxy Nexus (eu que escrevi o review no TB), e mesmo que as funções sejam bem parecidas, não me arrependo em nada da troca. A parte triste é que tive que pagar um pouco mais do que o valor cobrado pelo Google, tendo em vista que a Play Store (loja que vende o dispositivo) não aceita cartões de crédito de fora dos EUA. De 359 dólares, foi para 550 dólares numa loja independente.

Até o presente momento, o Nexus 4 ainda não está disponível comercialmente no Brasil. Por onde anda? Boa pergunta. Acredito que ele não demore para chegar nas lojas, tendo em vista que o aparelho foi homologado em dezembro. Rumores dão conta que o aparelho chegará ao Brasil com os subsídios do Google, embora outros contrariem isso. De qualquer forma, o Nexus 4 é um excelente aparelho e bate de frente com o Galaxy S III ou iPhone 5.