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LG G6: voltando ao básico

Depois de fracassar com o modular G5, a LG aposta (e acerta) no caminho mais simples

Por
10/05/2017 às 15h50
8.4

Prós

  • Ficou lindão
  • Grande angular permite fotos diferentonas
  • Resistência contra água, até que enfim!
  • Tela com alto brilho e cores equilibradas

Contras

  • Câmera frontal poderia ser melhor
  • Esse preço sugerido está errado
  • Hardware da geração passada
  • Pouca capacidade de armazenamento

Depois de perder uma geração com o smartphone modular G5, a LG voltou para trazer o G6, um flagship que tenta oferecer o melhor que a empresa tem para dar.

No G6, a LG desistiu dos módulos e seguiu por um caminho mais seguro, criando um smartphone mais simples, sem nenhum recurso mirabolante. Ele se destaca pelo visor de 5,7 polegadas que domina a parte frontal, continua com as duas câmeras na traseira e agora traz hardware potente, mesmo na versão brasileira.

O smartphone chegou bem caro ao Brasil, com preço sugerido de R$ 3.999. Será que o G6 é bom? Como ele se compara ao seu principal concorrente? Foi uma boa decisão ter equipado o smartphone com um processador do ano passado? Eu conto tudo nos próximos minutos.

Review em vídeo

Design

Seguindo a tendência de smartphones com molduras cada vez menores, o G6 aumentou de tela em relação ao G5, mas não aumentou de tamanho. Mesmo com painel maior, de 5,7 polegadas, contra 5,3 polegadas do antecessor, ele é menos comprido e menos largo. A ergonomia, no entanto, não melhorou: por ser mais reto, com uma curvatura quase imperceptível na traseira, ele não encaixa tão bem na mão como o aparelho anterior.

A traseira do G6 é de vidro, voltando às origens da linha G. Na cor prata, há uma agradável pintura que lembra metal escovado. Foram embora os calombos na região da câmera traseira e do sensor biométrico — que, embora tenha um posicionamento ruim, como já comentei em outros reviews, é menos pior que no Galaxy S8 por estar em uma região onde o seu dedo indicador alcança naturalmente, sem exercício de alongamento.

O leitor de impressões digitais é preciso e desbloqueia o aparelho rapidamente. Ele está integrado ao botão liga/desliga, que pode ser incômodo para quem mantém o aparelho sobre a mesa, por estar na traseira. No entanto, a LG continua com um recurso que melhora a experiência: toque duas vezes para ligar a tela, ou faça uma combinação de toques com a tela desligada para desbloquear o aparelho com o Knock Code.

O G6 não tem bateria removível. Parece estranho falar isso em pleno ano de 2017, mas é a primeira vez que isso acontece no flagship da LG desde o G2. O único compartimento acessível é o slot para microSD e chip de operadora, no singular. É uma pena que a LG não tenha partido para o dual SIM, característica presente no Galaxy S8 e no Moto Z, que facilita a vida de quem tem duas linhas ou quer fugir do roaming internacional.

A boa novidade dentro da linha de smartphones da LG é o fato do G6 ter certificação IP68, sendo resistente contra água e poeira. Isso evita que o aparelho estrague em acidentes envolvendo piscinas, cafés ou toddynhos, e já deveria ser padrão em todos os smartphones caros (estou olhando para você, Lenovo).

Tela

A frente do smartphone é dominada pela tela de 5,7 polegadas com resolução de 2880×1440 pixels. A LG sempre fez painéis IPS excelentes nos topos de linha, e isso continua no G6. Ele traz uma tela com brilho forte, ótimo contraste e cores agradáveis, sem o excesso de saturação de AMOLEDs descalibrados. O preto não é totalmente preto, mas é um dos mais escuros que eu já vi em uma tela LCD.

Um detalhe é que a tela do G6 tem uma proporção incomum, de 18:9 (2:1), sendo um pouco mais alta que os displays com o tradicional 16:9. Assim como acontece no Galaxy S8 (18,5:9), os vídeos que você consome no YouTube, na Netflix ou em qualquer outro serviço acabam criando barras pretas nas laterais. Em aplicativos, no entanto, não houve problemas de compatibilidade.

Outra característica à frente do nosso tempo é ser o primeiro smartphone com Dolby Vision. Essa é apenas uma das tecnologias de HDR disponíveis no mercado e, além da tela, o conteúdo precisa estar preparado para exibir cenas de maior alcance dinâmico. No entanto, apenas Netflix e Prime Video anunciaram o suporte ao Dolby Vision, sendo que a Netflix nem sequer havia atualizado seu aplicativo nos meus testes — por isso, eu não tenho como dizer se isso realmente faz alguma diferença.

Fato é que, mesmo sem embarcar no AMOLED em smartphones, a LG continua fazendo um ótimo trabalho em telas.

Software

O G6 traz o Android 7.0 Nougat de fábrica, mas a interface é basicamente a mesma que a LG utilizava no Marshmallow no G5. Por padrão, todos os ícones e widgets ficam espalhados nas telas iniciais, em uma abordagem parecida com a do iOS, mas é possível voltar com o menu de aplicativos se você prefere o estilo tradicional do Android — como é o meu caso.

O sistema não é tão carregado. Além do pacote padrão do Google, a LG manda alguns aplicativos de suporte, um player de música próprio, um otimizador de memória, uma ferramenta para fazer anotações à mão e um gravador de voz HD. Não há joguinhos de demonstração, nem um monte de aplicativos inúteis pré-instalados, o que é uma boa notícia para o limitado armazenamento de 32 GB.

A LG adaptou alguns aplicativos para que eles funcionassem melhor com a proporção de tela 18:9. No modo paisagem, a agenda divide a tela em dois quadrados exatos, um deles com a lista dos eventos no dia selecionado e outro com o calendário, por exemplo. A câmera, por sua vez, pode tirar fotos quadradas e mostrar a prévia da foto em tamanho grande.

Até o gravador de voz teve a interface adaptada. Ele também se aproveita do hardware de áudio mais sofisticado do G6, permitindo gravar em FLAC a 24 bits e amostragem de 192 kHz — uma boa ideia se você tiver um microfone de boa qualidade. A versão do G6 comercializada no Brasil, a H870, é a mesma vendida na Europa, que não possui o carregamento wireless do modelo americano.

Uma das novidades destacadas pela LG no G6 é o suporte ao Google Assistente — este é o primeiro smartphone não produzido pelo Google a trazer o recurso. O detalhe é que, por enquanto, ele só pode ser ativado em inglês. Se você quiser acionar o assistente virtual em português, vai precisar instalar o aplicativo de mensagens Allo ou uma versão beta do Google Now Launcher, como em qualquer outro Android.

Câmera

A câmera dupla do G6 continua com a lente normal e a grande angular do G5, mas houve um avanço impressionante na qualidade da fotografia. Agora, ambos os sensores de imagem têm resolução de 13 megapixels, diferente do smartphone anterior, que tinha um componente inferior para a grande angular, prejudicando bastante as capturas em condições de baixa iluminação.

Para avaliar as câmeras do G6, preciso levar em conta fatores subjetivos e objetivos. O subjetivo é que o pós-processamento da LG continua agressivo demais para o meu gosto: há uma tentativa de forçar cores na vegetação ou no céu, que chega a ficar artificialmente azulado até quando o dia está nublado. Além disso, a câmera suaviza as cenas ao ponto de dar um “efeito aquarela”, perdendo detalhes de objetos.

Em termos mais objetivos, a câmera com lente normal do G6 (f/1,8) tira fotos com bom alcance dinâmico, baixo ruído e nível de detalhes decente mesmo em ambientes com iluminação ruim. A grande angular (f/2,4) não tem estabilização ótica e também sofre um pouco mais para capturar informações e manter o ruído sob controle. A qualidade da imagem é visivelmente inferior, havendo presença de aberrações cromáticas, mas o “abismo” é bem menor que nas câmeras do G5 SE.

O que definitivamente poderia ser melhor é a câmera frontal, que sofreu um downgrade em números do G5 para o G6, passando de 8 para 5 megapixels e fechando a lente de f/2 para f/2,2. Em comparação com outros topos de linha, dá para ver que as selfies poderiam ter definição melhor e depender menos do pós-processamento para forçar uma nitidez que o sensor não conseguiu capturar.

Hardware e bateria

A LG não insistiu no erro e trouxe um G6 com o mesmo processador dos outros países ao mercado brasileiro. É verdade que se trata de um chip da geração passada, o Snapdragon 821, não o Snapdragon 835. No entanto, embora isso signifique que o G6 tenha uma vida útil menor que a dos outros topos de linha lançados em 2017, o fato é que, hoje, trata-se de um hardware que faz tudo com um pé nas costas.

Com 4 GB de RAM, o desempenho multitarefa é muito bom, e eu não sofri com engasgos na interface, como espero de qualquer smartphone caro. Mesmo jogos com gráficos mais elaborados, como Unkilled e Breakneck, rodam sorrindo na GPU Adreno 530.

O maior defeito do hardware é o armazenamento interno de 32 GB. Ainda que o G6 seja expansível, o microSD é mais lento que a memória flash do aparelho. E quando você pensa em um smartphone que filma em 4K, que é o mais sofisticado da marca e, principalmente, que custa R$ 3.999, é inconcebível ter só isso de espaço. Até o Moto G5, de R$ 999, tem 32 GB de memória.

A bateria de 3.300 mAh, pelo menos, está dentro da média dos topos de linha. O resultado foi semelhante ao do Galaxy S8, que traz um componente com capacidade ligeiramente menor (3.000 mAh), mas vem com processador atualizado, que tende a consumir menos energia fazendo a mesma tarefa.

Nos meus dias de teste, eu utilizei o G6 das 9h às 23h, e a bateria sempre caiu de 100% para algo entre 20% e 30%, com 2 horas de streaming de música no 4G e 1h30min a 1h50min de navegação, também na rede móvel, sempre com brilho no automático. É uma marca suficiente para atender a maioria dos usuários durante um dia inteiro — não impressiona, mas também não decepciona.

Conclusão

A LG se redimiu. O G6 corrige as principais falhas da geração passada: as duas câmeras traseiras são capazes de tirar fotos de boa qualidade, o hardware não foi capado no mercado brasileiro, o design está mais refinado e não há mais os módulos pouco interessantes e mal executados do antecessor. O G6 é o que o G5 deveria ter sido desde o começo.

Mas não há como ignorar o preço sugerido de R$ 3.999. O valor cobrado pela LG não só é alto demais: é simplesmente errado. É o mesmo preço do Galaxy S8, que é um produto superior em todos os quesitos, trazendo câmera melhor, processador melhor, tela melhor e capacidade de armazenamento decente. O G6 é um belíssimo concorrente do Galaxy S7, mas não há nem o que pensar em uma disputa com o rival mais recente da Samsung.

Ainda assim, pensando em um cenário no qual o G6 esteja pelo menos uns 20% mais barato em relação ao Galaxy S8, seja com promoção do varejo, seja com ofertas de operadoras em planos pós-pagos, ele pode ser uma opção a se considerar. A novidade da LG é bem construída, é um avanço significativo em relação a qualquer outro aparelho da marca e, definitivamente, não é ruim em nada. Quase nada.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 3.300 mAh;
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, BDS, Bluetooth 4.2, USB-C, NFC, rádio FM;
  • Dimensões: 148,9 x 71,9 x 7,9 mm;
  • GPU: Adreno 530;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 2 TB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 163 gramas;
  • Plataforma: Android 7.0 Nougat;
  • Processador: quad-core Snapdragon 821 de 2,35 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, barômetro, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5,7 polegadas com resolução de 2880×1440 pixels e proteção Gorilla Glass 3.

Notas Individuais

Design
9
Tela
10
Câmera
8
Desempenho
8
Software
8
Bateria
8
Conectividade
8
Mais sobre: ,
  • KARALBPIN

    Gosto da LG. Tive G2, G3 e G4 e gostei muito dos aparelhos. Do G5 não gostei. Mas esse G6 parece ser bem legal. Vou esperar o valor baixar um pouco e comprar um. Belíssimo aparelho.

  • Tom

    Belo smartphone, mas o preço era para estar no máximo pouca coisa acima do s7.

  • Carlos Almeida

    Pelo jeito a versão que recebemos aqui no BR é a verão UK que não vem nem com o QUAD DAC nem com o carregamento sem fio, confere?

  • Robson Alexandre

    quem dera ter um deste,mas isso é só para gente do MST,e da CUT, que tem grana..

    • Louis

      Acho que não. Eles só usam iPhone. Deve ser algo genético.

  • Jonas S. Marques

    Com S7 e S7 Edge batendo e as vezes caindo pra baixo da barra dos R$2000 fica difícil pra LG.
    Os smartphones da Samsung tem câmera melhor, leitor de digitais frontal “Eu prefiro”, e no caso do S7 Edge mais bateria.

    Que triste pra LG.

  • Trovalds

    Até agora tentando entender onde a LG quis chegar com esse aparelho. Fizeram um G5 “do jeito certo” mas esqueceram que estamos 12 meses à frente. Se fosse no ano passado, até se justificaria o preço (e as falhas fora ele). MAS com valor de um S8 (quer dizer, o S8 já tá baixando de preço) só vai comprar mesmo quem tiver um desconto polpudo pra adquirir subsidiado pela operadora e olhe lá.

    Não duvido nada que esse aparelho valha daqui 1 ano abaixo de R$ 1.500,00.

    • DumbSloth87

      E é aí que ele vai valer a pena, eu troco de aparelho mais ou menos a cada 18 meses e sempre compro um lançamento de 18 meses atrás por menos de R$ 1500. Foi assim com o G2, G3 e Nexus 5X. Meu próximo celular acabou de ser lançado mas só vou comprá-lo no meio do ano que vem e o principal candidato até o momento é o G6.

      • Acho que no meio do ano que vem você também poderá comprar um S8 que é bem mais negócio.

        • DumbSloth87

          O problema é que celulares da Samsung tão seguindo o esquema da Apple de não desvalorizar tanto assim. O S6, por exemplo, que foi lançado na mesma época do meu 5X tá custando R$ 2.000,00 enquanto o 5X é R$ 1.400,00.
          Outra coisa é que peguei o costume do leitor de digital do 5X, que fica na mesma posição do G6, o do S8 é zuadíssimo.

          • Nathan

            Eu paguei 1400 no meu S6, a propósito péssima compra.
            O aparelho é bom e tem um belo design, porém a bateria é ridícula, 1:30h de screen on time, no máximo.

            Estou esperando o Oneplus 5 ser lançado e ver se vai valer a pena importar um 3T

          • Luana Andrade

            amigo o que pra mim valeu apena é o galaxy A9, otimo processador, ótima bateria, ótimas camêras. Minha bateria dura dois dias inteiros, uso 4G, wifi, música , apps diversos e de noite ainda assisto aquele ep no netflix

        • Tom

          O LG vai desvalorizar mais que o S8.

      • Trovalds

        O G6 é o G5 com a carcaça remodelada. Nada mais. Hardware do ano passado com software desse ano.

  • evefavretto

    Aquilo é um indicador “4G+” na primeira foto?

  • Dimitri Augusto

    Higa:

    “O maior defeito do hardware é o armazenamento interno de 32 GB. (…)”
    “(…) Até o Moto G5, de R$ 999, tem 32 GB de memória.”

    • Gertrudes, a Lhama

      Uma coisa é 32gb pagando R$999, outra é pagando R$3999

  • Mickael Fernandes

    Gostei do que foi apresentado. Sempre apontei a bateria removível como um ponto positivo, mas o fato é que foram rara as vezes que utilizei essa possibilidade, então o ganho da certificação IP me atrai mais, o que não sei se seria viável colocar em um smartphone com a traseira removível.
    Em relação ao processador, está bem aceitável. Acho que a LG ainda lançará alguma variante melhorada ou seu carro-chefe será outra linha.

    Quanto ao preço, bem, sem comentários…

  • leoleonardo85

    Nossa, eu odiei todas as fotos desse review, todas lavadas, estranhas.

  • leoleonardo85

    Nossa, eu odiei todas as fotos desse review, todas lavadas, estranhas.

  • Leandro Nascimento

    Fabricado no Brasil com esse preço?! Pessoal da LG tá cheirando cola, não é possível…

  • Mago Erudito®

    Posso gastar metade e comprar um S7 Edge.

    Valeu, falou!

  • Johan Falk

    Tem que ter a foto do sorvetinho maroto, senão não é review rsrsrs

    Brincadeira, ótimo review, como sempre!

  • UNO PEDAÇO DE MADERA

    Não tenho coragem pra comprar celular acima de 1000 e se tivesse, ia pegar S8 oi iphone 7. pagar 4k nesse ai só pra maluco mesmo.

  • Limitados 32 gigas? kkkkkkkkkkkkk ah vah, eu uso um moto E 2014 com 4 gigas, CM14 instalado e estou super feliz, imagina eu com um desses de ” limitados 32 gigas” hahauhauahuahua

    • Felipe Santos

      Eu comprei o meu primeiro smartphone de 32GB esse ano, só havia usado aparelhos com 16GB e pensei “Nossa, vai ter o dobro de espaço, não vou usar isso nunca”
      Só que com o melhor processamento e memória, eu comecei a usar apps de uma maneira que eu não usava no anterior, aí entendi que os 32GB estavam no mínimo mesmo.