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Dilma aceita que teles estrangeiras toquem o PNBL

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8 anos atrás

A impressão que eu tenho é de que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) não vai sair nunca. Ele é um dos pilares do governo da presidenta Dilma Rousseff, além de ser amplamente apoiado pelo ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. Caso as operadoras brasileiras não tenham interesse em colaborar com o plano, a presidenta já autorizou que empresas estrangeiras sejam convocadas para tocar o PNBL.

O assunto é complicado porque depende de negociações (e negociatas) entre o setor público e o setor privado. Por enquanto, somente as operadoras de telefonia fixa e banda larga estavam sendo visadas pelo Governo Federal. Depois, o governo começou a dialogar também com as operadoras de telefonia móvel. Se nenhuma delas apoiar o PNBL, alguns grupos estrangeiros já demonstraram interesse no negócio.

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SK Telecom, da Coreia do Sul, tem interesse no PNBL

De acordo com uma reportagem publicada na Folha de hoje, a coreana SK Telecom — da qual eu nunca tinha ouvido falar — é uma das empresas estrangeiras de olho no PNBL. Ela foi a primeira operadora coreana a oferecer 3G e HSDPA naquele país, referência mundial em internet de alta velocidade.

Outra operadora, dessa vez americana, teria interesse em cuidar da parte de telefonia fixa do Plano Nacional de Banda Larga. O nome da empresa não foi revelado pela reportagem.

Se nada der certo na negociação com empresas brasileiras, o tal chamamento internacional permitiria a entrada da teles estrangeiras no mercado de telecomunicações nacional por meio da compra de empresas de telecom menores que já tenham rede instalada ou por meio de parceira com a Telebrás, que é responsável pela própria rede de fibra ótica e pela rede da Petrobras, que foi transferida para o governo federal com propósito de atender o PNBL.

A principal reclamação das teles é com relação à oferta de telefonia e banda larga em lugares onde há baixo poder aquisitivo, o que geraria prejuízo econômico para as empresas. Em resposta a esse argumento, o ministro Paulo Bernardo disse à Folha que, dias depois da polícia ocupar o Morro do Alemão, no Rio, as empresas de TV a cabo haviam estabelecido o serviço formal por lá.

“Existe demanda. O que não existe é oferta”, diz o ministro. E se as empresas brasileiras não enxergam isso, que venham as estrangeiras.