Exoesqueleto vai ajudar a dar o pontapé inicial da Copa do Mundo – literalmente
Parecendo uma armadura, ele será utilizado por um paraplégico, que terá a honra de participar da cerimônia de abertura do mundial
Ninguém sabe ainda a sua identidade, mas um paraplégico brasileiro terá a oportunidade de ser Tony Stark por um dia, e em uma celebração muito especial: na abertura da Copa do Mundo, na próxima quinta-feira.
Durante a cerimônia, ele ou ela deixará para trás a cadeira de roda para vestir um exoesqueleto à la Homem de Ferro, que vai auxiliar no pontapé inicial do campeonato mundial – literalmente.
O aparato futurista, desenvolvido pelo médico Miguel Nicolelis e por sua equipe de mais de 156 pesquisadores, já foi até batizado. Será chamado de BRA-Santos Dumont, em homenagem ao país e também ao pai da aviação brasileira.
O futurismo fica por conta do vislumbre de poder fazer com que paraplégicos possam voltar a andar ao serem assistidos pelo BRA-Santos Dumont.
Controlado por atividade cerebral, um dos destaques do exoesqueleto é que ele também irá permitir ao usuário “sentir” o movimento e o contato com o chão, com informações advindas de circuitos nos pés da estrutura. “Fazer uma demonstração em um estádio é algo muito fora da nossa rotina na robótica. Nunca foi feito antes”, explica Nicolelis em entrevista à AFP, lembrando que essa será a primeira vez que um exoesqueleto controlado por atividade cerebral oferecerá um feedback para o paciente que o utiliza.
Para chegar a esse modelo que será apresentado na abertura da Copa do Mundo, Nicolelis vem trabalhando desde 1984, quando focou seu doutorado na exploração de conexões neurais no controle muscular. A ideia da “armadura” no estilo Tony Stark veio mais tarde, em 2002, e desde 2009 os esforços estão direcionados em fazer essa demonstração científica em meio à maior festa do futebol no mundo.
Empolgado, Nicolelis tem uma contagem regressiva na sua página oficial, e também divide com seus fãs vídeos como esse, em que o exoesqueleto aparece completando 12 passos dentro do laboratório Walk Again, em São Paulo.
Parafraseando Neil Armstrong, é um pequeno passo para os atletas, mas um salto gigantesco para a ciência médica e para as pessoas que esperam um dia conseguirem se reabilitar.
Com informações: UOL Notícias