Brasil vive a guerra dos celulares dobráveis

Motorola e Samsung investem pesado para capturar a atenção do consumidor. Gloria Groove e Anitta participam da divulgação do Razr 40 Ultra e do Galaxy Z Flip 5.

Thássius Veloso
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Mulheres segurando smartphones dobráveis
Gloria Groove e Anitta estrelam campanhas de smartphones dobráveis da Motorola e da Samsung (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Entre no YouTube, ligue a TV ou abra o feed do Instagram. A chance de você ser impactado por alguma publicidade de um certo dispositivo tecnológico nunca esteve tão alta. O Brasil vive atualmente a guerra dos celulares dobráveis. De um lado, a Motorola, que anunciou a linha Razr 40 em junho com direito clipe da Gloria Groove. Do outro, a Samsung, que convocou Anitta para promover o recém-lançado Galaxy Z Flip 5.

Ambas as marcas tentam tirar proveito de uma nova tendência que vem se construindo ao longo de anos. Demorou para que as vendas dos dobráveis decolassem. Aliás, fontes do mercado dizem que ainda não estão perto do que sonharam os executivos. Não por acaso, agora as gigantes do setor colocam muito dinheiro para promover os novos equipamentos.

Tome como exemplo o que foi feito pela Motorola. Para mostrar os predicados do Razr 40 Ultra, a companhia praticamente ressuscitou um hit dos anos 2000: a música Oops! I did it again. Sai de cena Britney Spears e entra em ação Gloria Groove, uma campeã de plays no cenário musical brasileiro.

Trata-se da maior campanha para promover um smartphone realizada pela marca nos últimos cinco anos, de acordo com a gerente de branding Andrea Brandi. Ela me contou a estratégia da campanha: se aproveitar do recall (ou seja, a lembrança na mente das pessoas) do antigo V3 e fazer estardalhaço com um novo dispositivo que repete aquele formato (apesar de ser completamente diferente do ponto de vista tecnológico).

A executiva menciona o conceito de Y2K, muito popular no TikTok, a rede social dos jovens. A geração mais nova está resgatando itens do início do século – os anos 2000 – com muito carinho e uma pitada de nostalgia. A Motorola tenta se aproveitar disso. “O V3 sempre foi um item de moda”, comenta Andrea. No que depender dela, o mesmo se repete com a linha Razr 40. A ousadia está, por exemplo, em negociar com os autores da música eternizada pela Britney, gravar um videoclipe e ainda contar com os plays do Spotify.

Andrea defende com entusiasmo a ideia de que o smartphone com tela flexível faz o consumidor mudar de comportamento. Diversas tarefas podem ser realizadas diretamente na tela externa do dispositivo, como criar compromissos ou responder mensagens.

Esta, aliás, é a mensagem da Samsung com o lançamento do Galaxy Z Flip 5. O anúncio global ocorreu em Seul no fim de julho, com a presença in loco deste jornalista e cobertura no Tecnoblog. De lá para cá, a gigante sul-coreana disparou publicidades e unboxings com influenciadores que atiçam seus seguidores a conhecer mais do produto.

A própria Anitta publicou fotos em preto e branco nas quais o novo Flip aparece como um item de desejo, estrategicamente posicionado na bota dela. Resultado? Perto de 8,5 mil comentários. Quase 30 outros influenciadores participaram da mesma ação no ambiente digital.

Nenhuma fabricante revela os números do investimento em marketing. No caso da Motorola, Andrea menciona sites e plataformas digitais, relógios de rua, abrigos de ônibus e televisão por assinatura, entre outros meios de divulgação.

Vitrine de loja
Ação com Z Flip 5 em vitrine de shopping em São Paulo (Imagem: Divulgação/Samsung)

Acredite: é um caminhão de dinheiro. Na guerra dos smartphones dobráveis, fato é que este formato de telefone está em evidência por conta do esforço de marketing das duas maiores interessadas em alavancar as vendas.

Resta saber se, passado o hype de ver Gloria Groove ou Anitta desfilando pelas redes com um dispositivo diferente, o usuário final irá desembolsar as elevadas quantias pedidas pelo Razr 40 Ultra e pelo Z Flip 5 – na faixa de R$ 7 a 8 mil.

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