Uber Eats encerra entrega de restaurantes no Brasil e culpa iFood

Ao Cade, Uber informou que "barreiras artificiais impostas pelo iFood" contribuíram para fim do Uber Eats no Brasil

Emerson Alecrim
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Era o final de 2016 quando a Uber começou a entregar refeições no Brasil, mas a modalidade não vai durar muito mais. Em comunicado enviado por email a usuários, a plataforma confirmou o que sabíamos desde o começo de 2022: esta segunda-feira (7) é o último dia de funcionamento do Uber Eats no país.

Uber Eats (imagem: divulgação/Uber)
Uber Eats (imagem: divulgação/Uber)

Em sua estreia, o serviço cobria apenas parte da região central e alguns bairros nobres de São Paulo (SP), como República, Pinheiros, Vila Madalena, Moema e Vila Olímpia. É claro que as áreas de atendimento foram expandidas com o passar do tempo: o Uber Eats encerra as suas operações no momento em que marcava presença em mais de 150 cidades brasileiras.

Por que é o fim do Uber Eats no Brasil?

Quando a decisão veio à tona, no começo de janeiro, a Uber não revelou o motivo para o Uber Eats ser descontinuado no Brasil. Porém, naquela época, já havia uma forte suspeita de que a desistência tinha relação com o amplo domínio do iFood no segmento de entregas de refeições por aplicativo.

Uma movimentação recente da Uber praticamente confirmou essa teoria: o Valor apurou que, na última sexta-feira (4), a companhia enviou uma manifestação à Superintendência Geral (SG) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em que afirma que a decisão é consequência do “monopólio” do iFood.

Um trecho do documento informa o seguinte:

Infelizmente, as barreiras artificiais impostas pelo iFood com sua conduta exclusionária, que são o foco do presente Inquérito Administrativo por esta SG, contribuíram para a decisão da Uber de encerrar as operações do aplicativo de intermediação de delivery de refeições Uber Eats.

As tais “barreiras artificiais” citadas na manifestação consistem, presumivelmente, nos contratos de exclusividade que o iFood mantém com restaurantes para evitar que eles realizem entregas de refeições por meio de outras plataformas.

Esses contratos podem ter um efeito óbvio: deixar o Uber Eats (e outras plataformas rivais) em desvantagem no que diz respeito ao número de restaurantes disponíveis no serviço. Esse cenário fica mais nítido quando olhamos para os números: estima-se que o iFood domine cerca de 80% do mercado de entregas de refeições por aplicativo.

A Uber explica, porém, que entregas de compras em mercados, farmácias e outras lojas realizadas via Cornershop continuam sendo realizadas, o mesmo valendo para entregas via Uber Flash (para pequenos pacotes) e Uber Direct (para envios comerciais no mesmo dia da compra).

Disputa no Cade

Para quem lamenta o fim do Uber Eats no Brasil, resta uma pequena esperança: dependendo dos desdobramentos do assunto no Cade, a plataforma pode, eventualmente, voltar a operar no país.

Neste ponto, vale destacar que, em fevereiro, o Rappi pediu ao Cade que revise uma decisão de março de 2021 que bloqueia novos contratos de exclusividade entre o iFood e restaurantes, mas preserva acordos anteriores. A saída do Uber Eats do Brasil é apontada pelo Rappi como uma das consequências desses contratos.

Em sua defesa, o iFood afirma que a decisão da Uber é efeito de uma estratégia global da companhia e que o mercado brasileiro de entregas por aplicativo “apresenta competitividade acirrada e amplas condições de crescimento”.

O assunto ainda vai ser analisado pelo Cade. Com relação ao Uber Eats, nada muda por enquanto: a partir desta terça-feira (8), o serviço deixa de existir no Brasil.

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