Montadoras estão vendendo dados sobre como motoristas dirigem para seguradoras

Fabricantes usam aplicativos nativos para avaliar a sua direção. Depois, passam esses dados para empresas que os vendem para seguradoras

Felipe Freitas
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OnStar, da GM Motors, é um dos aplicativos usados para coletar dados para seguradoras (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

Se o seu carro tem um aplicativo para avaliar a sua direção, saiba que a fabricante pode estar vendendo esses dados para seguradoras. Com essas informações, as seguradoras podem aumentar os valores cobrados nos seguros dos motoristas. GM, Mitsubishi, Ford e Honda são algumas montadoras ligadas a esses casos.

Esses apps nativos, criados pelas próprias fabricantes, como o OnStar da GM, monitoram os hábitos dos motoristas. Os programas registram os horários em que os motoristas costumam dirigir, casos de freadas bruscas e acelerações fortes (aquela pisada mais funda na hora de arrancar).

Na teoria, esses dados permitem que o motorista melhore hábitos que podem prejudicar componentes e geram economia de combustível. No entanto, as montadoras também os repassam para empresas de análise de dados.

Gamificação da direção pode ser furada

A ideia por trás do aplicativo é ótima: você pode corrigir hábitos ruins que podem acelerar a degradação de componentes do carro. Por exemplo, se o app destaca que você pisa muito no freio, uma medida para reduzir o desgaste das pastilhas é usar mais o freio motor. Contudo, você acaba por fornecer às montadoras dados que podem indicar uma direção perigosa — pelo menos aos olhos das montadoras.

A ironia é o Chevrolet Tracker contar com um aplicativo que te rastreia (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)
A ironia é o Chevrolet Tracker contar com um aplicativo que te rastreia (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

O caso revelado pelo New York Times mostra que as empresas de análise de dados LexisNexis e Verisk possuem contratos com fabricantes e seguradoras. A primeira tem parceria com a GM, Subaru, Kia e Mitsubish. Já Verisk conta com Ford, Hyundai e Honda entre seus clientes. Com essa mediação, as empresas vendem avaliações de segurança dos motoristas para que as seguradoras precifiquem seus planos.

Em resposta ao jornal americano, a Subaru afirma que só compartilha dados de odômetro, que necessitam da autorização do cliente. A Ford também afirmou que só divulga essas informações se o motorista concordar com o compartilhamento.

Um cliente entrevistado pelo New York Times, dono de um carro da GM, revelou que o preço do seguro subiu 21% ao renovar. Ele não possuía histórico de acidentes. Os dados dos quais a seguradora teve acesso não revelava as localizações, apenas dados de direção.

Mesmo que as montadoras divulguem o termo de uso e políticas dos apps, uma pesquisa da Mozilla revelou que a grande maioria das fabricantes são péssimas em proteger os dados dos clientes. Ou seja, esses termos de uso podem ser vagos ou enganosos, fazendo com que as montadoras repassem dados sem consentimento dos motoristas.

Com informações: The New York Times

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Felipe Freitas

Repórter

Felipe Freitas é jornalista graduado pela UFSC, interessado em tecnologia e suas aplicações para um mundo melhor. Na cobertura tech desde 2021 e micreiro desde 1998, quando seu pai trouxe um PC para casa pela primeira vez. Passou pelo Adrenaline/Mundo Conectado. Participou da confecção de reviews de smartphones e outros aparelhos.

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