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BlackBerry desiste de produzir smartphones

Desenvolvimento interno de hardware será terceirizado para empresas parceiras

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52 semanas atrás
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Hoje é um dia histórico: a BlackBerry anunciou oficialmente nesta quarta-feira (28) que não vai mais produzir seus próprios smartphones. A fabricante canadense planeja encerrar todo o desenvolvimento interno de hardware, dependendo apenas de parceiros para lançar aparelhos com sua marca.

O primeiro passo já foi dado. Em julho, a BlackBerry anunciou o DTEK50, que nada mais era do que um Alcatel Idol 4 renomeado — todas as especificações de hardware e até o design (com exceção do logotipo, claro) eram exatamente iguais aos do modelo chinês. O diferencial ficava por conta do software, um Android 6.0 Marshmallow com os recursos de segurança e aplicativos da BlackBerry.

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Para os próximos smartphones, a BlackBerry vai seguir a mesma estratégia, comprando projetos prontos, colocando sua marca e instalando sua própria versão segura do Android, que pode, inclusive, ser licenciada para outras empresas. No maior mercado da BlackBerry, a Indonésia (sabia?), a empresa fechou uma parceria, com o aval do governo, para desenvolver e fabricar produtos localmente.

Nos bons tempos, em meados de 2008, a BlackBerry (até então conhecida como Research In Motion) chegou a ter 20% do mercado global de smartphones; nos Estados Unidos, a participação chegou a 55%, sendo que um dos principais clientes era o governo americano, devido aos recursos de segurança que a RIM oferecia. O rápido desenvolvimento dos iPhones e Androids (e a demora da RIM em se adaptar ao mercado) fizeram as vendas despencarem.

A empresa não vai bem das pernas há muito tempo. A BlackBerry chegou a receber uma oferta para ser comprada por US$ 4,7 bilhões em 2013, mas as negociações não avançaram. O BlackBerry 10 era legal (eu gostava do teclado virtual!) e até rodava aplicativos de Android, mas não conseguiu atrair a atenção do mercado, dividido em duas plataformas móveis. Em 2014, o pior ano da empresa, o prejuízo foi de US$ 5,9 bilhões. As perdas continuam, mas diminuíram, e a BlackBerry tem ganhado dinheiro especialmente com software e serviços.

Mais sobre:
  • Breno

    Vamos ver se o mercado corporativo ajuda o Windows 10 Mobile.

    • Gertrudes, a Lhama

      Se aqui fosse nosso outro querido blog, eu faria piada. Mas aqui o papo é sério, então…

      Acho que o mercado corporativo é a única área do mercado onde o W10M tem alguma chance. Resta saber se isso é o suficiente para manter os esforços na fabricação de hardware(não estou nem falando de software, já que teoricamente é o mesmo time do W10 desktop). O tal do Surface Phone pode até sair, mas um aparelho que provavelmente será relativamente caro será o suficiente pra manter o interesse das empresas?

    • Portuga Goleta

      Primeiro a Microsoft tem que ajudar o W10M. Meu tio comprou ano passado um 950XL e usou um mês, não se adaptou e deixou o celular de lado, mês passado ele me emprestou pra ver se eu iria gostar, para comprar dela por um bom preço. Usei duas semanas, também não gostei, por incrível que pareça é cheio de bug, pequenas travadas irritantes, o sistema em si é legal, mas parece um beta. Não consegui usar mais do que isso.

  • Alisson Silva

    Quando eu ouvia falar de usuários do BlackBerry, já imaginava um sujeito com 40 anos de idade, os cabelos com alguns fios brancos e usando um suéter por cima de uma camisa social xadrez. Talvez esse tenha sido o erro da BlackBerry.

    • grande_dino_2

      BlackBerry desenvolveu seus aparelhos pensando em um grupo específico, que é mais ou menos esse grupo que você descreveu, pessoas mais velhas e que precisam de um celular com capacidades de realizar tarefas que, na época, nenhum outro celular conseguia de maneira satisfatória, ou seja, acessar a internet (principalmente e-mails), editar documentos e outras funções mais voltadas para um mundo corporativo/de escritório.

      Eles não tinham concorrência e mesmo quando a Apple lançou o iPhone, eu imagino que a BB não tenha dado muita bola porque não viam o iPhone como um concorrente direto, já que a imagem que a Apple pintou do seu aparelho não era essa de “ferramenta ideal para o seu escritório”. O problema é que o iPhone (e depois outros smartphones similares) se provaram, também, uma “ferramenta muito boa para o seu escritório”. E a BB perdeu o seu nicho para um produto que não estava focando exclusivamente nesse nicho.

  • Mago Erudito

    Os grandes diferenciais da BB eram o teclado físico e a “segurança”!
    No início dos smartphones as pessoas não tinham tanta familiaridade com o touch, mas agora crianças de 3 anos já saem usando normalmente.
    Quanto a segurança de um BB hoje eu prefiro nem comentar. 😀

  • Thalles Ferreira

    RIP RIM.

  • Trovalds

    Pelo menos a BB ainda detém o ecossistema de software corporativo imbatível que até hoje nenhum concorrente sequer chegou perto.

    Agora acredito que vá ser uma corrida pela aquisição do que sobrou da empresa (principalmente patentes) e know-how. Quem conseguir levar, vai ter uma vantagem enorme no corporativo. Isso SE a empresa for colocada à venda.

  • Christyan Yury

    :”(

  • deivinho_O

    Essas empresas são uma chatice. Um dia desiste de fabricar… Em algumas semanas ou meses, podem esperar a notícia: Empresa Fulana de Tal Volta a Fabricar!!! Parece até que é estratégia! É um tal de para e continua insuportável. Na verdade eu que já não aguento mais ficar acompanhando especulação. Esse é um segmento de notícias que enche o saco. Sem perceber eu entrei nessa, de ficar seguindo site e blog de notícias especulativas de tecnologia e agora não suporto mais. Um aparelho vai ser lançado… Meses antes esse pessoal já disseca tudo que pode ser possibilidade… Quando o lançamento acontece, não tem mais graça nenhuma! Gostava mais quando a gente acordava e ficava sabendo de surpresa. Enfim. Vida que segue.

  • Everton Duarte

    Eu sinceramente não consigo ver o que seria um ‘smarphone corporativo’. Hoje, até mesmo um intermediário supre todas as necessidades, seja o consumidor corporativo, voltado para empresas, whatever. Acho que esse conceito de smartphone para o mercado corporativo seja falha…

    • FABIO NEVES

      Até hoje também nunca entendi esse termo “smartphone corporativo.”
      Telefone corporativo para mim é aquele cujo a empresa paga a conta.
      De resto, parece que é só para dar status a uma coisa que só fazia sentido em 2009.

  • Souza

    É a TCL Alcatel) que vai ficar com os direitos de fabricação do hardware?

  • brian jones

    Estão deixando um monte de gente na mão, pois quem já adquiriu aparelhos vai ficar sem suporte e atualização do SO. O Playbook foi uma bomba, quem tem sabe disso. Insistem em colocar aparelhos carissimos no mercado, como o último lançamento o Priv. Más decisões na empresa, assim como ocorreu com a Nokia.

  • uma pena mais e assim ou você inova ou se adapta rapidamente ao mercado…..viva o capitalismo laissez faire!!!