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Google é multado em 2,4 bilhões de euros por monopólio

Para Comissão Europeia, empresa prejudicou concorrentes ao priorizar resultados do Google Shopping nas buscas

Emerson Alecrim Por

Há mais de dois anos que a Comissão Europeia acusou, formalmente, o Google de abuso de poder econômico. Desde então, a companhia convive com a possibilidade de receber uma multa. Só que ninguém esperava por um montante tão alto: nesta terça-feira (27), a Comissão Europeia anunciou a decisão de multar o Google em € 2,42 bilhões, um valor recorde.

Para Margrethe Vestager, comissária antitruste da União Europeia, o “Google tem criado muitos produtos e serviços inovadores que mudaram as nossas vidas, o que é uma boa coisa”. Ela continua dizendo que, apesar disso, o “Google abusou da sua posição dominante no mercado na vertente de motor de busca, promovendo o seu próprio serviço de comparação de preços nos seus resultados de pesquisa e despromovendo os dos concorrentes.”

Google

Além de estabelecer a multa, a Comissão Europeia deu um prazo de 90 dias para o Google deixar de favorecer seus serviços nas buscas, do contrário, a empresa poderá ter que pagar multa diária de 5% sobre o faturamento médio global da Alphabet.

O que, exatamente, o Google fez de errado para ser tratado com tanto rigor pela Comissão Europeia? A história toda começou em 2010, quando várias empresas — entre elas, Microsoft e TripAdvisor — acusaram o Google de prejudicar seus serviços de comparação nos resultados de buscas.

Uma extensa investigação foi iniciada a partir daí e, com base nela, a Comissão Europeia concluiu que páginas de comparação de preços do próprio Google são exibidas nos resultados com prioridade sem que haja méritos para isso.

A Comissão Europeia também concluiu que o Google tem um mecanismo de punições que, com base em certos parâmetros, pode rebaixar serviços de comparação de preços nos resultados das buscas, mas que as suas próprias páginas não são submetidas a esse sistema, o que as deixa sempre em vantagem.

Não termina aí. Para a Comissão Europeia, a conduta do Google impactou negativamente a competitividade, pois empresas rivais, diante de tantas restrições, acabam tendo menos incentivos para investir em inovação, o que também gera o efeito de impedir o usuário de encontrar resultados que poderiam ser mais relevantes.

Google - abuso

No documento que descreve a decisão, a entidade destaca que o primeiro serviço de comparação de preços do Google, o Froogle, nunca fez grande sucesso. Em 2008, depois de o mecanismo ser rebatizado para Google Product Search, a empresa passou a utilizar as estratégias tidas como indevidas pela Comissão Europeia para promover o serviço. Essa prática teria continuado em 2013, quando o comparador de preços passou a se chamar Google Shopping.

As práticas da companhia tiveram impacto significativo na União Europeia. De acordo com a entidade, “o serviço de comparação de preços da Google aumentou o seu volume de tráfego 45 vezes no Reino Unido, 35 vezes no Alemanha, 19 vezes na França, 29 vezes nos Países Baixos, 17 vezes na Espanha e 14 vezes na Itália”. Em contrapartida, serviços concorrentes tiveram queda de tráfego, supostamente.

O Google responde

Assim que a decisão da Comissão Europeia foi divulgada, o Google publicou uma nota em seu blog oficial para se defender. A empresa afirma que respeita a decisão, mas que irá estudar a possibilidade de apelar.

No mesmo texto, o Google argumenta que sempre tenta levar o usuário para aquilo que ele quer encontrar. Nesse sentido, a companhia entende que os usuários preferem acessar diretamente a página de um produto do que entrar em um site de comparação para ter que repetir a pesquisa.

O Google também considera injusta a alegação de que as suas práticas prejudicam concorrentes, citando como exemplo as ferramentas de busca da Amazon e do eBay, que conseguem mostrar informações bastante úteis nos resultados.

Pagar € 2,42 bilhões pode não ser o bastante. A Comissão Europeia ainda investiga o Google por supostas práticas anticompetitivas na plataforma Android e na rede de anúncios do AdSense.

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IAmYourFather-Your Mom Likes

Pense assim:
Você é leigo e compra um notebook com um navegador pré instalado.
Pra você aquilo não é um navegador, é a Internet.

Isso favorece a sua empresa, já que a pessoa não teve que "decidir" qual browser usar.

iamyourfather - your mom likes
Pense assim: Você é leigo e compra um notebook com um navegador pré instalado. Pra você aquilo não é um navegador, é a Internet. Isso favorece a sua empresa, já que a pessoa não teve que "decidir" qual browser usar.
Keaton
O Google bem que podia deixar alguns recursos polêmicos como esse nas configurações.... tipo, ai se o usuário ativa... foi o usuário que ativou e não padrão.... Agora, querer depenar o Google porque o Google está sendo o Google... fumaram.
Tiago Celestino
Lembro que o Buscapé abriu um processo alegando os motivos que a Comissão ditou. Realmente, decisão tem base, porém tem que se pensar o quanto pode ser penalizado os serviços que usam o serviço do Google como plataforma de divulgação.
Jeronimo Fagundes
Correto. Mas a situação continua diferente, uma vez que a Apple não detém monopólio de smartphones. O consumidor continua tendo várias opções apresentadas no mercado de igual forma. Seria um exemplo válido caso a Apple detivesse o monopólio de smartphones, só pudesse usar a app store deles, e nessa app store eles promovessem no topo só os apps da Apple. Se fosse esse o caso, não só poderia como deveria ser punida, afim de equilibrar a concorrência.
André G
O que eu estou dizendo que no Android vc pode baixar apps de outras lojas ou até fora da loja. No IOS vc não tem opção.
robertha fechativa
Jeronimo Fagundes
Mas os concorrentes não tem como mostrar os seus resultados direto dentro da busca do Google.
Jeronimo Fagundes
Achei correta a decisão. Como na prática eles tem um monopólio da busca, fica difícil para qualquer um que queira concorrer com eles. É injusto com os demais. Adicionalmente, é benéfico para os consumidores/usuários, pois eles tem mais opções. No momento em que eles (Google) detém um monopólio na busca e suprimem os concorrentes, estes últimos vão a falência, e adeus concorrência. A comparação com outros negócios feita aqui nos comentários não é tão válida. Se você tivesse um supermercado X que detivesse o monopólio, e que produzisse os próprios produtos da marca X e desse visibilidade gigantesca a esses produtos e deixasse os demais escondidos, isso seria predatório com as outras marcas, e também deveria seria punido. Monopólio é sempre péssimo para o mercado. As comparações com a Microsoft também são inválidas, uma vez que também foi punida pela UE por monopólio com o Internet Explorer (pro vir pré-instalado e sem outras opções). É uma pena que isso só se aplique à UE, e não ao mundo todo.
Jeronimo Fagundes
A situação não é a mesma... essa restrição que você citou tem a ver com arquitetura tanto de hardware quanto de software. Não é possível instalar um app de Android no iOS, e vice-versa.
Molinex
Vamos usar o Bing galera, ele não favorece os parceiros da MS nos resultados...
André G
Desse jeito logo vão processar a Apple por só permitir baixar apps da Apple Store.
Tori
caraca..que notícia mais estranha de se ler. a google deve estar assim nesse momento https://uploads.disquscdn.com/images/41693f42b382f4cbd94fd6e88c17add4237b897710d536a2ffc715f9a9f763b7.jpg
Marsupial radical
Sim, também percebi isso. Pareceu os políticos daqui falando que irão se pronunciar somente após a defesa analisar o caso. Que coisa não.
Ricardo
Usando sua analogia,é como se o sua padaria tivesse construído um muro em volta da concorrência.
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