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Afinal, existe um sistema operacional móvel perfeito?

Bia Kunze

Por

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Como consultora em tecnologia e blogueira, estou sempre às voltas com lançamentos de smartphones e tablets, testando as novidades do mercado, de todas as marcas e plataformas. Mesmo dando meu parecer técnico, é comum as pessoas questionarem minhas preferências pessoais: como enxergo o mercado de sistemas operacionais móveis hoje? Quais eu acho melhores?

Não arrisco mais dizer que existe sistema operacional “melhor” ou “pior”. Há aquele que mais de aplica a cada usuário. Claro que todos possuem defeitos e qualidades, mas sejamos honestos: há os que tem mais defeitos e os que tem mais qualidades.

Entre os 4 principais – iOS, Android, Windows Phone e BlackBerry – , é evidente que o embate é mais acirrado entre o sistema da Apple e o do Google. São os mais vendidos, os mais idolatrados, mas não significa que sejam perfeitos. Aliás, como sistema operacional, sozinho, gosto muito mais do Windows Phone. A interface Metro nasceu sem ser parecida com os concorrentes. É original. Infelizmente Android e iOS estão cada vez mais parecidos, inclusive nos defeitos, e eu sinto falta de concorrência de verdade.

Android e Windows Phone são as duas plataformas que fabricantes podem licenciar e colocar em seus dispositivos. O Windows Phone está presente em aparelhos da Nokia, Samsung e HTC. O Android, em praticamente todas as marcas, exceto a Nokia.

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Além da originalidade, gosto mais do Windows Phone por causa de uma característica imbatível: desempenho. Ele é veloz, fluido, não trava, não engasga, tanto em aparelhos de R$ 500 quanto nos de R$ 2.000. Há muito mais Android no mercado, é evidente, mas até hoje não tive nenhum modelo de até R$ 500 com desempenho tão bom quando um Windows Phone de valor equivalente. Também gosto da maneira orgânica com que integra os contatos às redes sociais, e esse é um elogio recorrente entre donos desses aparelhos.

Tenho um Lumia 900 que já me levou a extremos de amor e ódio. Eu o comprei numa loja da AT&T nos EUA e, 3 meses depois, foi anunciado que o novo sistema Windows Phone 8 não seria disponibilizado para ele. Foi extremamente frustrante investir uma alta de carga de expectativa (e dinheiro) num topo de linha para levar uma canelada dessas em tão pouco tempo… mas do aparelho em si, não tenho queixas. Atualzei para a “versão-consolo” 7.8 e segui a vida. Excelente sistema, ótima bateria, câmera com lente Zeiss, grande prazer no uso diário. Contudo, paralelamente, eu usava um iPhone 4. Não senti vontade de trocá-lo por um modelo mais recente porque o sentimento ruim continuaria: sistema datado, bateria ruim, câmera ruim. Mas eu precisava dos malditos aplicativos!

Sei que muitos de vocês amam o iPhone. Perdoem-me por minha heresia… Eu adoro a maioria dos produtos da Apple, amo o OS X e meu MacBook Air. Gosto mais do iPad que do iPhone, e acho que, como ecossistema, o iOS deixa muito a desejar. O iCloud, por exemplo, precisa desabrochar, funcionar de uma maneira decente. Felizmente o iOS 7 parece que mudará as coisas, mas como os betas liberados ainda tem muitos bugs, minha opinião definitiva fica para quando sair a versão final. Mas de início, ao contrário de boa parte dos appletarados, aprovei a mudança estética. O sistema ganhou ares de modernidade.

iOS 7 foi visto pela primeira vez na WWDC 2013

iOS 7 foi visto pela primeira vez na WWDC 2013

Passei os últimos meses querendo me desfazer do iPhone, mas como preciso de um aparelho iOS por questões de trabalho (tenho que ter ao menos um aparelho de cada plataforma com seu respectivo OS mais atual) e eu tinha um iPad 1 (já desatualizado e não servindo mais para minhas consultorias) não sabia se me desfazia do iPhone e pegava um iPad mini ou se comprava um Galaxy Note 2 para fazer par a um iPad 4. O formato atual do iPhone 5 (e do provável 5S) não me agrada, sinto falta de um ganho real de tela. Uma fileira extra de ícones não melhora a legibilidade de fontes e ícones, por exemplo, e muitas pessoas com acuidade visual limitada se queixam disso.

Já tinha um tablet Android de 7″ (Positivo Ypy, para dar aulas da universidade), e sempre considerei o tamanho perfeito. Mas meus apps de odonto favoritos e indispensáveis, dicionários e outros materiais de referência só existem no iOS. Além do mais, já gastei algumas centenas de dólares neles. Então, a questão aqui era ter um tablet Android para dar aulas (e consultorias na área educacional) e um tablet iOS para meus apps caros, o odonto-homecare, testes de novos aplicativos e consultorias em geral que envolvam o iOS.

Louca para me livrar do iPhone e decepcionada com a falta de aplicativos no Windows Phone, parti em busca de um Android para ser meu smart principal. Escolhi o Galaxy Note 2 e decidi que iria comprá-lo na próxima viagem aos EUA. Mas de repente ganhei um Galaxy S4 num sorteio… E prontamente dei adeus ao iPhone 4 e peguei um iPad mini para fazer par com o dispositivo da Samsung.

É incrível como o mini representou um salto de produtividade. Antes, eu tinha um iPad. Agora, eu uso um iPad. Antes, ao sair de casa e escolher meu dispositivo móvel para aquele dia, sempre optava por deixar o iPad de lado. Oras, com um MacBook Air de 11″, que tem praticamente o mesmo tamanho e com teclado de verdade, fazendo muito mais coisas, a escolha era bem evidente, não?

iPad Mini na mão (foto: João Brunelli / Tecnoblog)

Minha dupla de trabalho Galaxy S4 e iPad mini tem se mostrado perfeita, e eu só levo o Air comigo se eu precisar especificamente dele, como em viagens, aulas, consultorias e palestras. No dia-a-dia, vão somente os 2. A bolsa está bem mais leve. Mochilas ou bolsas de laptop, só mesmo quando a ocasião exigir. Mesmo assim, tais ocasiões eram bem raras, já que o Air cabe com folga em qualquer bolsa média ou pasta executiva.

E a minha segunda linha de celular fica no smartphone de testes do momento. Não raro, estou com 3 ou 4 aparelhos, e tenho vários chips extras para testes. Antes de sair de casa, escolho apenas um. Passo os dias alternando entre eles. Meu objetivo é usar cada um como sendo meu mesmo, por isso coloco todas as minhas contas de email, redes sociais, apps de trabalho. Configuro as opções de nuvem para acessar minhas coisas. Fico com cada um por 20 ou 30 dias antes de tecer meu veredito – antes desse tempo, é comum a gente ficar em estado de “lua de mel” e demorar a notar os defeitos.

Continuo gostando muito da plataforma Windows Phone, e confesso que estou bem caidinha pelo Lumia 1020 e sua super câmera. Mas por enquanto, não investirei no sistema. Ele não vai pra frente! Os apps continuam se limitando a apenas os mais famosos, falta muita coisa profissional e de produtividade. Fora o medo que eu tenho de levar outra rasteira da Microsoft e ficar com um topo-mico-de-linha desatualizado em poucos meses. Basta ver a longevidade dos Nexus e iPhones, muitos com 3 anos de idade e ainda atuais, para ver que estou sendo sensata.

Teclado BlackBerry Q10

E a BlackBerry? Bem, tenho também uma dupla BlackBerry Curve e tablet Playbook. Gostaria de poder usá-los mais no dia-a-dia, mas eles estão restritos às consultorias em empresas. Simplesmente porque não consigo usá-los no dia-a-dia. Falta tudo! São brilhantes como hardware, a bateria é a melhor entre todas as plataformas. Quando saiu o novo sistema BlackBerry 10, fiquei entusiasmada. Poderia ser um sopro de vida à empresa. Afinal, um sistema tão confiável, estável e seguro não merecia mais aquela interface datada e limitada.

Tive o Z10 em mãos e fiquei apaixonada. Entrou na minha lista de provável próximo smartphone, junto com o Galaxy Note 2. Quando chegou ao Brasil e foi anunciado pela bagatela de R$ 2.449, o ânimo desapareceu na hora. Mas continuo acompanhando a adoção da plataforma por parte dos usuários e empresas. A maioria tem a mesma sensação que eu, e prefere continuar com os BlackBerry antigos e mais em conta. Também acompanho o cenário dos desenvolvedores, e vejo que a eles continuam sendo caçados a laço pela companhia.

Notem: a maioria dos apps e serviços mais incríveis do mundo da mobilidade são anunciados sempre para iOS e/ou Android. Um ou outro tem para Windows Phone também, mas em número reduzidíssimo. Quanto ao BlackBerry… quase nunca.

Sinceramente, não sei qual o futuro da companhia. Talvez continuem apenas com o serviço de dados e servidores, mas acho que nem eles tem certeza: o Z10 não precisa necessariamente de um plano BlackBerry para funcionar, como os antecessores. Por outro lado, seus serviços já alcançam smartphones de outras plataformas.

(Ainda não acabou: no próximo post falarei dos sistemas operacionais “emergentes”, como o S40, Rex e Firefox OS)