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Meta arrumou um jeito para rastrear iPhones — e está sendo processada por isso

Navegador interno de apps da Meta, como Facebook e Instagram, injeta código em todas as páginas; três usuários entraram com ações coletivas nos EUA

Giovanni Santa Rosa
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A Apple criou um recurso para evitar que aplicativos rastreiem sem consentimento os usuários. A Meta, como você pode imaginar, não gostou nem um pouco disso — estima-se que ela perdeu US$ 10 bilhões com isso. Um pesquisador descobriu que a empresa arrumou uma forma de continuar com o rastreamento. Agora, são os usuários que não gostaram — e processaram a empresa por trás de Facebook e Instagram.

Logotipo do Facebook
Facebook (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Três usuários do Facebook e do iOS entraram com duas ações coletivas contra a Meta na justiça americana.

Eles acusam a empresa de driblar as opções de privacidade do sistema móvel, e interceptar, monitorar e gravar atividade em sites de terceiros.

Isso daria a ela, segundo a acusação, informações identificáveis, detalhes privados de saúde, textos digitados e outros dados confidenciais e sensíveis.

“Usar um app não dá a uma empresa permissão para vigiar em quais links você clica”, diz Adam Polk, advogado que representa dois usuários do Facebook. Ele acrescenta que a ação busca responsabilizar a companhia.

A Meta declarou que as acusações não têm mérito e que a empresa se defenderá vigorosamente. A companhia afirma respeitar as escolhas de privacidade dos usuários.

Meta monitora sites abertos em seus apps

A acusação vem na esteira de uma descoberta feita pelo pesquisador de cibersegurança Felix Krause, que já trabalhou no Google.

Krause notou que o navegador interno do Facebook e do Instagram injeta um código em todas as páginas carregadas dentro dele.

Isso pode permitir à Meta monitorar tudo que os usuários fazem nestes sites. O pesquisador, porém, não conseguiu decifrar o que os apps realmente enviam para os servidores da companhia.

Em resposta, a Meta disse que não está fazendo nada sem o consentimento dos usuários. O código serviria para agregar dados do usuário e usá-los no direcionamento de anúncios ou em métricas, mas só faria isso de acordo com o que o usuário optou.

Krause mantém o que disse: os aplicativos injetam código JavaScript em todos os sites renderizados no navegador interno.

Facebook culpa Apple por resultados financeiros ruins

Grande parte dos negócios da Meta envolve direcionar corretamente anúncios, isto é, mostrar as propagandas certas para as pessoas certas. Para isso, ela rastreia o que os usuários fazem, como forma de entender suas preferências e interesses.

A Apple, no iOS 14.5, implementou o App Tracking Transparency (ATT). Desde então, os desenvolvedores são obrigados a pedir consentimento explícito do usuário para monitorar suas atividades em outros aplicativos. Como você pode imaginar, grande parte recusa esse tipo de prática — mais de 60%, segundo a Apple.

Isso é um problema para a Meta, que perde uma forma de entregar os anúncios de maneira precisa. A empresa culpou a fabricante do iPhone por sua primeira queda de receita em dez anos, atribuindo a ela uma perda de US$ 10 bilhões de dólares no trimestre.

Com informações: Ars Technica, Engadget, The Conversation.

Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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