Meta vai demitir 11 mil pessoas; Zuckerberg detalha como será o processo

Mais de 10% da força de trabalho será atingida pelo layoff da Meta; contratações também serão congeladas até o começo de 2023

Bruno Gall De Blasi
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• Atualizado há 5 meses
Meta passa pela sua primeira demissão em massa; mais de 11 mil funcionários foram atingidos (Imagem: Reprodução)
Meta passa pela sua primeira demissão em massa; mais de 11 mil funcionários foram atingidos (Imagem: Reprodução)

Meta é a próxima empresa de tecnologia que vai passar por um layoff. Nesta quarta-feira (9), a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp confirmou os desligamentos, que vai atingir cerca de 11 mil funcionários, para enxugar os gastos da companhia. As informações foram revelados pelo próprio CEO Mark Zuckerberg.

O passaralho, como falamos no Brasil, está detalhado em uma publicação na sala de notícias da Meta. De cara, Zuckerberg aponta que esta é uma das mudanças “mais difíceis” na história da companhia. E não é para menos, pois a empresa decidiu cortar por volta de 13% da sua folha de pagamento.

“Também estamos tomando várias medidas adicionais para nos tornarmos uma empresa mais enxuta e eficiente, cortando gastos discricionários e estendendo nosso congelamento de contratações até o primeiro trimestre [de 2023]”, disse o executivo.

Zuckerberg assumiu a responsabilidade sobre os desligamentos. “Eu sei que isso é difícil para todos, e lamento especialmente os afetados”, afirmou. Ainda segundo o CEO, as reduções estão atingindo todas as organizações da Família de Aplicativos e do Reality Labs, setor responsável pelas operações em realidade aumentada e virtual.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)

Zuckerberg explica os motivos por trás do layoff

A carta expõe os fatores que estão por trás do layoff da Meta. Sem surpresas, Zuckerberg fala sobre a pandemia de COVID-19, que resultou em vários investimentos conforme a vida se tornou praticamente virtual. Não à toa, o limite de chamadas do WhatsApp primeiro subiu para oito pessoas e agora está em 32 integrantes

O problema é que tudo isso tomou uma proporção inesperada, escapando das expectativas da empresa. “Não apenas o comércio on-line voltou às tendências anteriores, mas a desaceleração macroeconômica, o aumento da concorrência e a perda de sinal de anúncios fizeram com que nossa receita fosse muito menor do que eu esperava”, explicou. “Eu entendi errado, e assumo a responsabilidade por isso.”

Mas a situação não envolve apenas os impactos da pandemia. Nos últimos tempos, a Meta passou a focar no metaverso, movimento que ainda não ofereceu os retornos esperados pela empresa e que sequer provou a sua necessidade no mundo ou, pasmem, a sua existência. Não à toa, a divisão Facebook Reality Labs (FRL) teve um prejuízo de US$ 2,81 bilhões no segundo trimestre de 2022

Vale lembrar que a companhia até mudou de nome devido à nova aposta. O problema é que nem os acionistas aguentam mais essa história que não dá em lugar nenhum. Aliás, nem os funcionários da empresa querem usar o Horizon Worlds.

Mesmo assim, a Meta ainda vai dar algum destaque à ideia. “Nesse novo ambiente, precisamos nos tornar mais eficientes em termos de capital”, ressaltou Zuckerberg. “Transferimos mais recursos para um número menor de áreas de crescimento de alta prioridade, como nosso mecanismo de descoberta de IA, nossos anúncios e plataformas de negócios e a nossa visão de longo prazo para o metaverso.”

Horizon Worlds (Imagem: Reprodução/Meta)
Horizon Worlds (Imagem: Reprodução/Meta)

Funcionários perderam acesso aos sistemas da Meta

O desligamento será notificado aos funcionários via e-mail. No comunicado, haverá uma explicação sobre todo o processo. Mas o CEO da Meta compartilhou alguns detalhes sobre as medidas que serão adotadas aos atingidos nos Estados Unidos. A começar pelo pagamento de 16 semanas de salário-base mais duas semanas adicionais para cada ano de serviço, e tudo isso sem limite.

As folgas remuneradas também serão pagas aos funcionários, incluindo as ações, que serão oferecidas até 15 de novembro. Já o plano de saúde ficará coberto pela empresa até seis meses. A companhia ainda vai oferecer três meses de suporte para garantir que os colaboradores atingidos pelo desligamento sejam contratados novamente. 

“Eu sei que isso é especialmente difícil se você estiver aqui com um visto [nos Estados Unidos]”, disse Zuckerberg aos imigrantes. “Há um período de aviso prévio antes da rescisão e alguns períodos de carência de visto, o que significa que todos terão tempo para fazer planos e trabalhar em seu status de imigração. Temos especialistas em imigração dedicados para ajudar a orientá-lo com base no que você e sua família precisam.”

O CEO também disse que o processo será similar em outros países. Neste caso, será preciso considerar a legislação local. Os afetados pela demissão em massa, no entanto, não terão mais acesso à boa parte dos sistemas da Meta para evitar o acesso às informações confidenciais.

Mas olha que bonzinhos: os funcionários que serão desligados ainda poderão entrar no e-mail para se despedir!

Com informações: Meta (Newsroom)

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Bruno Gall De Blasi

Bruno Gall De Blasi

Repórter

Bruno Gall De Blasi é jornalista e cobre tecnologia desde 2016. Sua paixão pelo assunto começou ainda na infância, quando descobriu "acidentalmente" que "FORMAT C:" apagava tudo. Antes de seguir carreira em comunicação, fez Ensino Médio Técnico em Mecatrônica com o sonho de virar engenheiro. Entrou para o Tecnoblog em 2020 e também escreveu para o TechTudo e iHelpBR.

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