Anatel homologa modem de internet 5G fixa que Claro deve usar

ZTE MC8020 é um roteador que se conecta em redes 5G e compartilha a internet via cabo Ethernet ou Wi-Fi 6; produto pode ser fabricando no Brasil pela Multi

Lucas Braga Everton Favretto
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A quinta geração ainda engatinha no Brasil com poucas regiões cobertas, e até agora as novidades são quase sempre voltadas para uso em smartphone. Isso pode mudar em breve: a Anatel homologou o MC8020, um modem 5G da fabricante chinesa ZTE destinado para banda larga fixa. O manual inclui menções à Claro, indicando que o produto deve ser utilizado pela operadora.

5G
5G (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O ZTE MC8020 não tem muito segredo: é um modem (CPE) que se conecta às redes 3G, 4G e 5G, com suporte ao formato Standalone (SA) e Non-Standalone (NSA). O produto homologado suporta todas as bandas atualmente relevantes para o mercado brasileiro (1, 3, 5, 7, 28, 40 e 78), mas não traz suporte às frequências mmWave.

O modem compartilha a internet em alta velocidade através do Wi-Fi 6, mas também é possível conectar algum dispositivo via cabo graças às duas portas Ethernet.

Fotos externas do ZTE MC8020
Fotos externas do ZTE MC8020 (Imagem: Reprodução / Anatel)

O produto tem NFC para conexão rápida ao Wi-Fi: basta encostar um smartphone compatível no topo do modem, evitando compartilhamento de senhas. O manual também informa sobre a possibilidade de expandir o sinal com outros dispositivos via mesh.

O modem da ZTE utiliza chip do tamanho nanoSIM, e inclui uma porta RJ-11 que permite ao usuário fazer ligações caso conecte um aparelho de telefone fixo.

O MC8020 foi lançado pela ZTE na Mobile World Congress de 2021. Ainda não há informações oficiais sobre sua chegada no Brasil; é possível encontrar o produto em sites do exterior por cerca de US$ 400 (cerca de R$ 2,2 mil).

Modem 5G da ZTE deve ser utilizado pela Claro

Algo chama atenção nos manuais e nas fotos do produto: há menções à operadora Claro. Até o momento, nenhuma operadora brasileira lançou planos 5G adequados para uso com banda larga fixa, que é a principal função do ZTE MC8020.

Manual do CPE da ZTE mostra que software é persoanlizado para Claro
Manual do CPE da ZTE mostra que software é persoanlizado para Claro (Imagem: Reprodução / Anatel)

No mercado brasileiro, o produto da ZTE pode competir com o Intelbras GX 3000, que também foi homologado pela Anatel e não teve seu preço divulgado. O concorrente possui características muito similares, incluindo suporte a mesh e Wi-Fi 6.

O certificado de conformidade disponibilizado na Anatel indica que a Multi (antiga Multilaser) poderá fabricar o MC8020 no Brasil, além da unidade fabril em Shenzhen, na China.

Precisamos de planos melhores para usar 5G fixo no Brasil

Ok, o 5G entrega altas velocidades e uma boa experiência de uso (quando há sinal). No entanto, não faz sentido utilizar a tecnologia para internet fixa com os planos de dados atuais das operadoras, com franquias que podem se esgotar em segundos.

A Claro, operadora que aparece nas informações do ZTE MC8020, tem apenas três planos de internet móvel pura (sem serviço de ligações). Confira os respectivos preços e franquias:

  • 20 GB: R$ 73,99 mensais
  • 40 GB: R$ 93,99 mensais
  • 120 GB: R$ 110,99 mensais

Considerando uma velocidade de 300 Mb/s (o que é até baixo para uma rede 5G), é possível esgotar a franquia de 120 GB em menos de uma hora com downloads contínuos.

Ao menos por enquanto, não faz sentido adotar o 5G como conexão fixa. O sinal de quinta geração ainda é restrito a grandes centros, em locais que já são atendidos por operadoras de fibra óptica ou cabo coaxial. Os planos da banda larga cabeada são ilimitados e o custo é competitivo.

Em países estrangeiros, como Estados Unidos e Itália, operadoras já oferecem planos ilimitados e acessíveis no 4G ou 5G, tanto para uso no smartphone como para banda larga fixa. Não custa sonhar para que algo assim desembarque no Brasil.

Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.

Everton Favretto

Assistente de Conteúdo

Everton Favretto é bacharel em Tecnologias Digitais pela UCS e caça homologações da Anatel para o Tecnoblog. Gosta de telefones (velhos e novos) e está sempre pronto para falar de aviões. Consegue identificar um modelo de 737 olhando para a fotografia dele e tem um Raspberry Pi Zero W na sacada só para rastrear as aeronaves por ADS-B.

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