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Tudo o que você precisa saber sobre o Snapdragon 835

O que esperar para 2017: câmeras duplas, baterias gigantes e muita realidade virtual

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03/01/2017 às 22h26
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Direto de Nova York — A Qualcomm anuncia nesta terça-feira (3) os detalhes do Snapdragon 835, novo processador de alto desempenho para smartphones e tablets. Ele foi revelado em novembro, quando a empresa informou que o chip teria fabricação em 10 nanômetros e seria produzido pela Samsung. Agora, temos mais informações sobre a performance e as tecnologias integradas do novo chip.

Os detalhes essenciais

Depois de passar um tempo com CPUs de quatro núcleos nos Snapdragon 82x, a Qualcomm decidiu voltar para o octa-core, mantendo a técnica big.LITTLE, que utiliza conjuntos de núcleos diferentes para melhorar a eficiência energética. O Snapdragon 835 tem quatro núcleos Kryo 280 de alto desempenho de 2,45 GHz e outros quatro de baixo consumo de energia, com frequência máxima de 1,9 GHz.

Dentro do Snapdragon 835 também há a GPU Adreno 540, que é uma pequena atualização da Adreno 530 presente na geração anterior. Ela está 25% mais rápida e suporta as tecnologias gráficas mais recentes, incluindo OpenGL ES 3.2, OpenCL 2.0, Vulkan e DirectX 12.

E uma das grandes novidades do chip é que, além de rodar Android, o Snapdragon 835 também é otimizado para Windows 10 e será capaz de executar os aplicativos da área de trabalho clássica, emulando os softwares x86 em arquitetura ARM.

4K, 4K, 4K, VR, VR, VR

O que mais me chamou a atenção no Snapdragon 835 foi o foco em 4K e realidade virtual. O processador de sinais (DSP) Hexagon 682 ganhou instruções para reduzir a latência entre o instante que você mexe a cabeça e o smartphone entende o movimento: passou de dezenas de milissegundos para apenas 15 ms. Isso deve evitar o atraso indesejado do headset, que te deixa perdido e chega a causar enjoos em certas pessoas.

Até a duração de bateria leva em conta as tecnologias novas: a expectativa é que os smartphones com o Snapdragon 835 aguentem mais de 11 horas com reprodução de vídeo em 4K, mais de 7 horas de streaming em 4K, mais de 3 horas de filmagem em 4K e mais de 2 horas em jogos de realidade virtual. O VR é o ponto mais crítico porque, se o processador não fosse otimizado e esquentasse demais, não seria possível chegar a esse tempo de jogatina mantendo um desempenho aceitável.

Durante os jogos, o Snapdragon 835 é capaz de rastrear seus olhos e receber dados dos sensores de acelerômetro e giroscópio até 1.000 vezes por segundo. Essas informações são utilizadas no Foveated Rendering, que simula o campo de visão humano, focando o processamento na região da imagem em que você realmente está prestando atenção.

Também há suporte ao Q-Sync, que atualiza a tela na mesma frequência em que a GPU renderiza as cenas, além de HDR10 para melhorar o alcance dinâmico das imagens, tornando-as mais próximas do que o olho humano é capaz de enxergar — o Galaxy Note 7 era o único smartphone do mercado com a tecnologia até então, mas ele explodiu.

6.000 mAh? 7.000 mAh? Baterias maiores estão chegando

Não adianta ter um processador que aguente o tranco se a bateria acaba rapidamente, mas a Qualcomm deu sinais positivos para o futuro. A empresa diz que “alguns parceiros de hardware” já trabalham em projetos de smartphones com baterias de 6.000 ou 7.000 mAh. Atualmente, essas capacidades são restritas a aparelhos de nicho (como o Oukitel K6000 ou K10000), mas podem finalmente virar mainstream. A Samsung já deu o primeiro passo com o Galaxy A9, de 5.000 mAh.

O Snapdragon 835 também deve contribuir com a bateria, gastando 25% menos energia em relação aos Snapdragon 82x para processar a mesma coisa. Esse resultado é atingido com computação heterogênea, ao delegar tarefas para partes específicas do chip — as tarefas de aprendizagem de máquina, por exemplo, agora podem ser feitas pelo DSP, que é quatro vezes mais eficiente que a CPU.

O carregamento das baterias gigantes poderá ser feito com o Quick Charge 4.0, que entrega até 5 horas de autonomia com 5 minutos na tomada por meio de adaptadores de até 36 watts. A tecnologia de carregamento rápido da Qualcomm causou polêmica porque o Google desencorajou explicitamente as fabricantes a utilizarem padrões proprietários de recarga — a recomendação é que elas adotem o USB Power Delivery (USB-PD), estabelecido pela organização responsável por definir os padrões do USB.

Quanto à polêmica, a Qualcomm avisa que o Quick Charge 4.0 é compatível com o USB-PD e traz benefícios adicionais: o ecossistema de carregadores, cabos e gadgets é bem maior (enquanto o USB-PD ainda está nascendo), os tempos de recarga são mais consistentes entre diversos produtos e há proteções maiores para evitar danos aos aparelhos.

Espere por boas novidades nas câmeras

O processador de imagem (ISP) Spectra 180 suporta câmeras com um sensor único de 32 megapixels ou dois sensores de 16 megapixels. Smartphones com duas câmeras deverão ser uma tendência para 2017, especialmente nos modelos mais caros, para melhorar as fotografias com baixa iluminação ou para enxergar mais longe — como aconteceu no iPhone 7 Plus.

O chip dá conta de três possíveis configurações de câmera:

  • Câmera única, como na maioria dos smartphones de hoje;
  • Clear Sight, que aproveita dois sensores, um colorido (para capturar as cores) e outro preto e branco (que é melhor que o colorido para capturar a iluminação). Ao combinar as fotos geradas pelos dois sensores ao mesmo tempo, é possível melhorar a nitidez e obter imagens melhores em ambientes noturnos;
  • Optical Zoom, que utiliza uma lente grande angular (para tirar as mesmas fotos que você tira hoje no seu smartphone) e uma teleobjetiva (que enxerga mais longe). O Snapdragon 835 permite alternar entre as duas lentes de forma suave, para que o usuário nem perceba a troca.

A Sony deve estar bem feliz com a quantidade de sensores a mais que vai vender.

Conexão mais rápida, dentro e fora de casa

As conexões 4G de um gigabit por segundo ainda estão longe da nossa realidade, mas o modem LTE Cat 16 do Snapdragon 835 será capaz de suportar essas velocidades altíssimas quando as operadoras finalmente implantarem a tecnologia (ou, talvez, quando você viajar para algum país da Ásia).

Com agregação de três portadoras (o que será possível no Brasil com a liberação da faixa de 700 MHz, que se juntará aos 1.800 MHz e 2.600 MHz), 256-QAM e 4×4 MIMO, a velocidade máxima teórica atingida pelo modem será de 979 Mb/s. A taxa de upload pode chegar a 150 Mb/s.

Se a sua operadora não lançar as redes ultrarrápidas a tempo, os smartphones com Snapdragon 835 também poderão ser mais rápidos em casa, com o suporte ao Wi-Fi 802.11ad. Como já explicamos, ele não vai substituir o seu roteador 802.11ac: o novo padrão é voltado para transmissões de curta distância (entre dispositivos no mesmo cômodo, por exemplo). A vantagem é que ele chega a ser mais rápido que o cabo, com velocidades de 4,6 Gb/s.

Quando chega?

O Snapdragon 835 consegue ser ainda menor que o 820

O Snapdragon 835 já está na linha de produção da Samsung e será lançado nos smartphones, tablets, computadores com Windows 10 e outros dispositivos ainda no primeiro semestre de 2017. Os primeiros benchmarks não devem demorar muito para aparecer.

Paulo Higa viajou para Nova York a convite da Qualcomm.

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