Twitter dominou o ano, mas redes sociais tiveram grandes destaques em 2022

Elon Musk e a compra do Twitter monopolizaram as redes sociais, mas BeReal, metaverso, eleições e TikTok tiveram momentos marcantes

Felipe Freitas
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Retrospectiva Redes Sociais 2022 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Retrospectiva Redes Sociais 2022 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Se em 2021 o ano das redes sociais poderia ser resumido em TikTokização, este ano nós podemos usar a palavra “doideira” — o cenário está uma bagunça neste segmento. O ano não está favorável para as big techs, o que é perceptível na Meta. O Twitter é a maior “doideira” de 2022 desde que Elon Musk comprou a rede social — o assunto que está dominando o tópico.

Apesar desse “monopólio” do Twitter e problemas na Meta, teve gente se dando bem. O TikTok e BeReal tiveram sucesso em 2022 — principalmente este último, considerado o app do ano na App Store. Outro momento marcante das redes sociais foi a parceria com o Tribunal Superior Eleitoral para as eleições gerais de 2022, visando criar medidas contra fake news e evitando o mal uso das plataformas nas campanhas. A retrospectiva está longa, mas temos um “culpado”.

O Twitter… Bem, o Twitter dominou o tema

Aqui vai um chute: provavelmente você ficou de saco cheio com o tanto que se falou de Twitter e Elon Musk em 2022. A novela da aquisição do Twitter por Musk (ruim como Fina Estampa) foi o assunto do ano — desde o anúncio de compra de 9,1% das ações até as decisões tomadas na gestão da empresa.

Vamos tentar resumir os pontos mais importantes desta história, pois aquisição da plataforma já deve ter cansado todo mundo. Mas não esqueça: 2023 o assunto volta, porque Musk é dono da rede social faz apenas dois meses.

E tanta coisa acontecendo no Twitter de Elon Musk que noticiá-las chega a ser difícil (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)
E tanta coisa acontecendo no Twitter de Elon Musk que noticiá-las chega a ser difícil (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Em 4 de abril, o bilionário divulgou que era o maior acionista do Twitter, com um total de 9,1% de ações da rede social. O caso gerou a expectativa de que Musk entraria para o conselho da empresa. O que não aconteceu.

Dias depois, Elon revelou que faria uma oferta para comprar a rede social. A oferta foi apresentada no dia 14 de abril — US$ 44 bilhões, US$ 54,20 por cada ação.

A resposta da empresa foi tentar uma estratégia chamada de “poison pill”, na qual ela evita uma compra forçada ao permitir que outros acionistas comprem ações com descontos, “diluindo” a participação do “comprador hostil”.

No dia 25 de abril, Musk anunciou que comprou o Twitter, após o conselho aceitar a proposta. Agora era só esperar os trâmites finais, certo? Não. Teve bagunça na história e acusações de que a plataforma divulgou dados falsos sobre o seu uso.

Musk começou a acusar a diretoria da empresa de mentir sobre o número real de bots. Segundo o bilionário, existiam bem mais contas falsas do que o anunciado. Inclusive, ele chegou a suspender a compra até que a plataforma provasse os seus dados de que menos de 5% dos usuários são contas falsas.

Em junho, Musk continuou acusando a plataforma de enganá-lo. Acionistas rebateram falando que era uma estratégia de abaixar a oferta original. Em julho, ele desistiu da compra e foi processado pelo Twitter por quebra de acordo.

O processo terminaria de duas maneiras: ou Musk comprava a rede ou pagava uma multa. Acabou que a ação não precisou ficar na justiça. Em outubro, o bilionário finalmente decidiu comprar a plataforma — levando uma pia para a sede da empresa e tranquilizando os anunciantes.

Compra feita, tudo resolvido. Certo? Nada disso! Ainda estamos no começo da Era Musk no Twitter e teve muita acontecendo logo nos primeiros dias da aquisição.

Elon Musk (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Elon Musk (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A aquisição aconteceu na sexta, 28 de outubro. 7 dias depois, metade dos funcionários da empresa foram demitidos. Alguns dias depois, foi revelado que uma parte dos empregados foram mandados para a rua por engano. Só não vale criticar o chefe.

Uma das propostas do Chief Twit (como ele colocou na sua bio após oficializar a compra) era “acabar” com a diferença de “castas” entre contas verificadas e não verificadas. 

Para isso, o selo verificado virou um recurso do Twitter Blue, serviço de assinatura da rede social. Para ser uma conta verificada, basta pagar — não precisa ser você mesmo, uma pessoa pública, órgão governamental ou empresa. A diferenciação ficaria a cargo de um selo extra, na cor cinza, localizado na parte de baixo do nome da conta, que informaria se a conta é a oficial ou não.

Esse selo cinza foi criado e morto ainda no primeiro dia da nova direção. O selo de verificação via Twitter Blue só foi lançado uma semana depois. Como esperado, a ideia de transformar uma ferramenta de verificação trouxe um caos nas suas primeiras horas.

Diversas contas falsas, operadas por pessoas reais, assinaram o Twitter Blue para publicar mensagens enganosas. Dois casos exemplificam bem o problema: um fake do LeBron James e de uma farmacêutica americana. A solução encontrada foi suspender momentaneamente o Twitter Blue para quem criou a conta após 9 de novembro.

Para diferenciar os verificados da primeira geração, da época em que isso não era um recurso do Twitter Blue, a rede social lançou diferentes cores para o selo.

Nesses dois meses, ainda tivemos a briga com a Apple. Elon Musk esperneou contra a comissão de 30% que são cobradas por qualquer compra dentro da App Store, falou que lançaria um celular próprio do Twitter e acabou visitando a sede da Apple depois de ser convidado por Tim Cook.

Ele não lançou o smartphone da plataforma e nem conseguiu usar seus fãs para fazer a Apple mudar de ideia (através de ataques ou boicotes) sobre a comissão de 30%. No fim, o Twitter Blue será mais caro no iOS — para compensar o valor que a plataforma paga para a App Store.

Meme publicado por Elon Musk em seu perfil do Twitter para questionar a taxa de 30% da Apple (Imagem: Reprodução/Twitter)
Meme publicado por Elon Musk em seu perfil do Twitter para questionar a taxa de 30% da Apple (Imagem: Reprodução/Twitter)

E o papo de liberdade de expressão absoluta? Bem, esse durou pouco. O novo dono da plataforma prometeu que promoveria a liberdade de expressão na plataforma, mantendo até mesmo a conta que rastreava o seu jatinho particular — e de oligarcas russos. 

Em dezembro, o Twitter criou uma nova política que proíbe o compartilhamento de dados de localização. A conta do jatinho foi banida (mas ainda existe Flightradar24) e jornalistas que divulgaram o caso também foram suspensos — coincidentemente, repórteres que cobrem o dia a dia da gestão da rede social. Diga lá, Tino. 

Falando em suspensão, o Twitter também anunciou a suspensão de contas que divulgassem perfis em outras redes sociais. Pouco depois, Musk desistiu da ideia. É aquilo: se você fingir que a concorrência não existe, ela não roubará o seu público. 

E tudo isso em apenas dois meses de Twitter…

BeReal estourou e concorrência ficou BeScared

YouTube video

Para muitas pessoas, as redes sociais só mostram falsidades, pessoas que acordam belas, omitem o que é real e forçam uma positividade tóxica. Para “acabar” com esses problemas, surgiu o BeReal.

Criado na França em 2020, o app tem uma proposta curiosa: você só pode publicar uma foto por dia, mas a publicação só pode ser feita quando o BeReal permitir.

Em algum momento aleatório do dia, você receberá uma notificação do aplicativo dizendo que a sua postagem diária pode ser feita. O usuário tem até dois minutos para fazer o registro e o número de tentativas fica registrado. E nada de filtros!

Após publicar a imagem “realista”, o “berealer” está liberado para ver o que os amigos já publicaram. É basicamente um Snapchat com mais regras — e ainda assim podemos considerar o BeReal como o sucesso de 2022.

A rede social, como esperado, fez sucesso com a Geração Z, mas também atingiu os millenials, um público saturado do mesmo formato das redes sociais nos últimos 20 anos (contando o tempo de Orkut e suas frases motivacionais).

Celebrado por sua autenticidade, BeReal leva como app do ano para iPhone / Reprodução / BeReal
BeReal (Imagem: Reprodução / BeReal)

Quer uma prova de que o BeReal pode ser facilmente chamado de app do ano? O TikTok criou o TikTok Now, a sua própria versão de “publique a foto agora e sem filtro”. Quando o app com o formato mais copiado na atualidade “se inspira” em outro, é sinal de que há uma preocupação em acabar perdendo seu público para o concorrente. 

E claro, o Instagram está embarcando nessa onda (que surpresa). O desenvolvedor Alessandro Paluzzi encontrou o IG Candid, recurso que será o “BeReal” da Meta, nos códigos da rede social. Contudo, essa novidade não está nem mesmo em fase de testes. No dia 13 de dezembro, a rede social iniciou os testes do IG Candid, o seu BeReal. Ao contrário do TikTok Now, que deve ser lançado como um app separado em outros países, o IG Candid ficará ao lado do botão de adicionar um story.

Se não fosse toda a bagunça de Elon Musk no Twitter, o BeReal seria o destaque de 2022 no tópico redes sociais.

TikTok vira Google da Gen Z e aumenta contratações

TikTok
TikTok (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Quem acompanha o TecnoCast já entendeu o título acima. Fora que também deve ter se espantado com essa forma encontrada pela Gen Z de usar o TikTok — sim, usuários do Google começam a sentir a idade chegar. Conforme explicado no TecnoCast 265, os jovens estão usando a rede social para pesquisar. 

Mas calma, não é exatamente pesquisar tudo no TikTok, mas conteúdos com formato de tutorial ou de análises. A geração Z descobriu que é mais prático pesquisar “5 melhores restaurantes em [insira aqui o nome da cidade]” ou “receita de farofa” na plataforma do que no buscador. 

Além de não precisar clicar em pop-ups de sites e aceitar os cookies, os vídeos são bem mais diretos ao assunto — e curtos. Aqui nós, nascidos antes de 2000, temos que dar o braço a torcer. Têm momentos que um vídeo de 2 minutos no TikTok explicando como fazer molho branco é melhor que um vídeo de 10 minutos no YouTube — e que no fim o tempo de conteúdo é o mesmo da contraparte no TikTok.

O uso da plataforma para pesquisas de “consumo” é um dos exemplos de como ela é a rede social que mais cresce na atualidade. Mesmo que o TikTok tenha realizado demissões e pausas nas contratações em julho, o ambiente da empresa mudou no fim de ano

Em novembro, de acordo com o The Information, a ByteDance, empresa dona do TikTok, iniciou a contratação de ex-funcionários da Meta e da Amazon. Entretanto, não em um ritmo acelerado. 

Ao buscar os desenvolvedores das big tech americana, a ByteDance fortalece a sua presença nos Estados Unidos (a divisão europeia passou por um layoff) e adquire conhecimento de outras áreas — porque ser o Google da Gen Z e app de vídeos não é o bastante. Falamos anteriormente que o TikTok criou o seu próprio recurso “BeReal”. Porém, a plataforma tem planos de entrar no mercado de jogos e lançou o Modo Foto — sim, aqui é o TikTok copiando um recurso do Instagram. No fim, todas as redes sociais querem ser a plataforma de tudo.

Instagram, cada vez mais TikTok, traz serviço premium

Instagram (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Instagram (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Se no ano passado o TikTok botou medo nas redes sociais, para 2022 o Instagram “bateu de frente” com a plataforma chinesa. Aspas porque esse “bater de frente” foi mais um “vamos copiar o que faz sucesso lá e trazer para cá”. 

O Reels foi lançado para mais de 50 países em 2020, mas neste ano ele foi liberado para todas as nações do globo. Mais importante do que isso, é que o Instagram mergulhou de cabeça no formato de conteúdo em vídeo. Se você gostou ou não, a plataforma não dá a mínima — só se você for uma Kardashian.

A proposta de copiar o TikTok investir em vídeos está tão forte que, mais do que o discurso e incentivo para criadores de conteúdo, o Instagram testou um feed com vídeos em tela cheia — igual ao seu maior concorrente. O público odiou e os testes foram interrompidos, conforme divulgou Adam Mosseri, CEO da plataforma. 

Mas como mostrado no vídeo, Mosseri reforça que o Instagram e as outras plataformas investirão mais em vídeos. De fato, não tem como escapar desse formato de conteúdo. O YouTube também aprimorou o Shorts, seu recurso “à la TikTok”. Na plataforma do Google, usuários podem criar Shorts através de vídeos publicados em seus canais.

Neste ano, o Instagram também lançou os recursos IG Candid e Notas. O primeiro, em testes na África do Sul, é a versão da Meta do BeReal. Já o Notas permite que os usuários coloquem recados de até 60 caracteres na seção das mensagens diretas. Estes recados são apagados após 24 horas.

O Notas é a mistura do Twitter com stories e uma péssima interface. As Notas estão localizadas na parte superior da lista de mensagens. Em alguns momentos você pode se confundir que recebeu uma notificação de mensagem ou que é um story. Até o momento, as Notas só podem ser silenciadas individualmente.

Apesar de imitar BeReal, TikTok e tentar tomar o lugar do Twitter, o Instagram tomou as medidas corretas para competir com os rivais (fique atento aqui, Musk): valorizar o criador de conteúdo. Você pode vender verificado a rodo, mas quem faz uma rede social valer a pena são os influenciadores que estão nela — e há uma relação simbiótica entre eles e o lucro de uma plataforma 

Em janeiro, o Instagram anunciou os testes do serviço de assinaturas para alguns influencers nos Estados Unidos. Em julho, os testes foram expandidos para outros criadores de conteúdo ao redor do mundo, incluindo no Brasil. 

Com esse serviço, os usuários ganham recursos únicos ao assinar a conta de um criador de conteúdo. Entre os benefícios estão um selo de assinante, visível sempre que um comentário é feito nas publicações do criador ou ao enviar DMs; canal de mensagens dos assinantes e conteúdos exclusivos. 

Este último, parecido com o que o YouTube faz com membros de canais, dá também acesso ao feed de publicações exclusivas. Desse modo, o fã não perde no feed geral aquele conteúdo feito especialmente para ele. Basta acessar o feed exclusivo e ver todas as publicações feitas para os assinantes.

O Instagram fez o certo ao aliar o seu investimento em vídeo com recursos para valorizar os criadores de conteúdo. Seja no TikTok, Instagram ou YouTube, a fórmula de lucrar é a mesma: anunciantes estão dispostos a pagar mais por publicidade conforme há um grande número de usuários passando muito tempo na plataforma. 

Porém, os usuários só estão dispostos a passar horas nas redes sociais se o conteúdo lhe agrada. Para isso, os criadores precisam ter um bom retorno da própria plataforma, não apenas dos “recebidos” ou “publis”. Neste ponto, o Instagram está ciente que para rir, tem que fazer rir. Mas na Meta não tem muita gente rindo.

Meta (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Meta para 2023: superar o trauma que foi 2022 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Desde que mudou o nome da Facebook Inc. para Meta em 2021, Mark Zuckerberg está usando o metaverso como o norte da sua empresa. Mas os investidores, público e até os funcionários da empresa não estão engolindo essa tecnologia.

2022 não foi um bom ano para as Big Tech, porém o desempenho ruim da Meta se destacou por essa “obsessão” de seu CEO com o metaverso. A Reality Labs, divisão da empresa responsável pelas aplicações em realidade virtual, registrou uma queda de 36% na receita no terceiro trimestre (Q3). Ainda assim, Zuckerberg anunciou que o setor deve receber mais investimento para 2024.

A carta aberta de um acionista da Meta viralizou dias antes do anúncio dos resultados do Q3. No texto, Brad Gerstener, CEO da Altimeter Capital, pediu que Zuckerberg diminuísse o foco em metaverso e realocasse recursos para inteligência artificial, uma tecnologia que atenderá bilhões de consumidores mais rapidamente.

Dos conselhos de Gerstener, Zuckerberg seguiu dois: investir em IA e demitir funcionários — a primeira demissão em massa da história da Meta/Facebook Inc.

Em novembro, a empresa anunciou que demitiria 11 mil pessoas — 10% do quadro de funcionários — e congelaria contratações até janeiro de 2023. Por mais que muitas empresas tenham realizado demissões em 2022, incluindo a Amazon, o caso da Meta chama a atenção por parecer resultado de um erro de gestão da empresa.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Reprodução)
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Reprodução)

E sim, estamos falando novamente do metaverso e da carta de Brad Gerstener. Para o acionista, Mark Zuckerberg abandonou os serviços de redes sociais após identificar que o negócio estava “estagnando”.

Segundo Gerstener, os investidores perderam a confiança na empresa ao ver que a mudança de foco para o metaverso foi rápida. Mas mesmo que as redes sociais tenham diminuído o ritmo de crescimento, as plataformas da Meta são as mais lucrativas do mundo. Fazendo um comparativo, é parecido com o temor dos investidores da Tesla em relação a Elon Musk e a compra do Twitter.

Zuckerberg tinha a oportunidade de usar todo o conhecimento da empresa sobre redes sociais para retomar o crescimento ou fazer um investimento gradual no metaverso — algo ainda distante e sem muito apelo.

Enquanto as outras big techs viram o preço de suas ações caírem, em média, 19%, a Meta teve uma perda de 55% nos últimos 18 meses. A despesa de capital da Meta é  de quase US$ 45 bilhões — mais do que Apple, Snap, Tesla, Twitter e Uber somadas. Desse total, entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões vão para a Reality Labs.

Ao apresentar os resultados do Q3, que registrou US$ 5,5 bilhões em renda, Zuckerberg revelou que as redes sociais da Meta tiveram um ganho de público — com a América do Norte registrando o maior crescimento de usuários.

O desempenho das plataformas reforça o ponto do acionista. Todavia, também passa a mensagem de que a demissão em massa é resultado não apenas do mercado das big techs, mas de um erro de prioridade.

O ponto a observar em 2023: as atualizações no Instagram e mudanças na gestão estão surtindo efeitos nas finanças da Meta?

TSE e empresas firmaram parceria por eleições justas

Urna Eletrônica (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)
Urna Eletrônica (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Neste ano, o Brasil realizou as eleições gerais e o papel das redes sociais na divulgação de fake news foi combatido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em parceria com as redes sociais.

De acordo com uma pesquisa do Datasenado realizada em 2019, 83% da população brasileira acredita que o conteúdo das redes sociais influencia a opinião dos usuários. Para evitar que notícias falsas e desinformações influenciassem os eleitores, o TSE firmou parcerias com a Meta, Telegram, TikTok e Twitter para que houvesse uma maior integração entre as partes na identificação de conteúdo falso.

Entre os produtos da parceria estava um canal de comunicação direto entre as redes sociais e o setor de denúncias do TSE. Através das plataformas, usuários poderiam acessar os canais de comunicação do Tribunal. Somado a isso, a parceria também fez com que o WhatsApp adiasse a estreia do recurso “Comunidades” no Brasil.

A preocupação do órgão é que a ferramenta do app de mensagens ampliasse a divulgação de fake news no período pré e pós-eleitoral. Por isso, o WhatsApp Comunidades só chegará aqui em janeiro de 2023.

A medida mostrou não apenas que o TSE se atualizou ao novo cenário de comunicação e propaganda, mas que os próprios políticos estão mais cientes da força que as redes sociais possuem no alcance das campanhas.

Por falar na força das redes sociais nas eleições, o Google e o Facebook faturaram R$ 160 milhões de reais com publicidades nessas eleições, 5,5 vezes mais do que em 2018.

Quem mais lucrou foi o Facebook, cuja arrecadação também conta com os investimentos no Instagram. No total, a rede social recebeu R$ 88 milhões em publicidade. A fatia do Google foi de R$ 71,9 milhões.

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