O que são TVs de Plasma e por que elas saíram do mercado?

Populares na década de 2000, TVs de Plasma funcionavam com gases ionizados e sofriam críticas por baixa vida útil e alto consumo de energia

Paulo Higa
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• Atualizado há 1 ano
Samsung F8500, TV de Plasma lançada no Brasil em 2013 (Imagem: Giovana Penatti/Tecnoblog)
Samsung F8500, TV de Plasma lançada no Brasil em 2013 (Imagem: Giovana Penatti/Tecnoblog)

Plasma foi uma tecnologia usada em TVs de tela plana nos anos 2000. Sua aplicação gerava imagens de alta definição com pretos profundos, graças ao funcionamento baseado em gases ionizados. Perdeu espaço para o LCD, que dominou o mercado a partir da década de 2010.

A primeira TV de Plasma foi lançada em 1997 pela Fujitsu e tinha resolução de 852×480 pixels em um painel de 42 polegadas. Panasonic e Samsung se tornaram as maiores fabricantes do Plasma nos anos seguintes, mas ambas desistiram da tecnologia devido a problemas como burn-in e alto consumo de energia.

Como funciona uma TV de Plasma?

Uma TV de Plasma funciona com gases nobres, como neônio e xenônio, que ficam armazenados em pequenas células entre duas placas de vidro. Os gases recebem uma tensão elétrica e então liberam elétrons que colidem com átomos de fósforo, capazes de produzir luz visível.

A tela de Plasma é estruturada em sete camadas principais:

  1. Placa de vidro traseira;
  2. Eletrodos emissores;
  3. Camada dielétrica traseira;
  4. Camada de células de plasma;
  5. Camada dielétrica frontal;
  6. Eletrodos de exibição;
  7. Placa de vidro frontal.
Estrutura básica de uma TV de Plasma (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Estrutura básica de uma TV de Plasma (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A formação de imagem começa nos eletrodos. Eles fornecem energia para cada célula de plasma, que representa um pixel e é revestida com diferentes combinações de fósforo. Quando uma tensão é aplicada, os gases dentro da célula são ionizados e formam o plasma, o quarto estado físico da matéria.

O plasma emite apenas luz ultravioleta (UV), que é invisível a olho nu. A luz UV do plasma excita o fósforo, que é capaz de exibir as cores vermelho, verde e azul (padrão RGB) em uma intensidade variável. O trio de subpixels coloridos compõe um pixel, e o grupo de pixels forma uma imagem.

As camadas em volta das células de plasma têm apenas função estrutural. As placas de vidro protegem os componentes internos e dão suporte à estrutura da tela, enquanto as camadas de dielétricos atuam como isolantes elétricos, separando os eletrodos dos gases nobres.

Como as células de plasma revestidas com fósforo são capazes de emitir luz própria, não é necessário ter um backlight como nas telas LCD. Por isso, o Plasma funciona de maneira semelhante ao OLED, MicroLED e outras tecnologias autoemissoras de luz.

Por que as TVs de Plasma acabaram?

As telas de Plasma eram um salto em relação às TVs de tubo e tinham vantagens sobre o LCD, como maior contraste, excelente ângulo de visão e tempo de resposta mais rápido, reduzindo o motion blur. No entanto, esses pontos positivos foram ofuscados por problemas como baixa eficiência energética e burn-in.

As fraquezas do Plasma fizeram a tecnologia perder espaço para as TVs de LCD e OLED. Abaixo, detalhamos os principais problemas das TVs de Plasma:

Vida útil reduzida pelo burn-in

O burn-in limitava a vida útil do Plasma. O problema ocorria quando uma imagem estática, como a marca de uma emissora de TV, era exibida na tela por um longo período, causando retenção de imagem e queima de pixels.

Nas TVs de Plasma, os fósforos são responsáveis pela geração de luz. Quando uma imagem estática é mantida na tela, os fósforos das áreas correspondentes são constantemente ativados, o que leva ao desgaste dessas áreas específicas. Com o tempo, isso resulta em marcas permanentes no display.

Marcas de burn-in em uma TV de Plasma (Imagem: Divulgação/Samsung)
Marcas de burn-in em uma TV de Plasma (Imagem: Divulgação/Samsung)

Maior consumo de energia e aquecimento

TVs de Plasma precisavam da ionização de gases nobres e ativação de fósforos para emitir luz e formar imagens, o que resultava em maior consumo de energia. O processo era menos eficiente que as telas LCD com backlight de LED, que se popularizaram no início da década de 2010.

Além disso, as TVs de Plasma tendiam a esquentar mais porque o fósforo emitia calor quando era ativado, e era necessário usar uma quantidade significativa de energia para manter os gases em estado de plasma, sendo que parte dessa energia era dissipada em forma de calor.

Muitos reflexos na imagem

A camada de vidro frontal das TVs de Plasma tinha um acabamento brilhante, o que aumentava a reflexão da luz do ambiente e prejudicava a visualização da imagem em locais muito iluminados. Mesmo com o uso de filtros antirreflexo no Plasma, as TVs de LCD com acabamentos foscos sofriam menos com o problema.

Brilho mais fraco

O brilho das TVs de Plasma era mais baixo devido à geração de imagem por ativação de fósforos nas células de plasma, que emitiam luz de forma difusa e menos intensa que o backlight de uma tela LCD.

Aumentar o brilho no Plasma também poderia acelerar o desgaste dos fósforos e reduzir a vida útil, fazendo com que as fabricantes optassem por manter o brilho em níveis mais moderados.

TV de Plasma de 103 polegadas da Panasonic (Imagem: Alexandre Fugita/Meio Bit)
TV de Plasma de 103 polegadas da Panasonic (Imagem: Alexandre Fugita/Meio Bit)

Outras desvantagens das TVs de Plasma

O Plasma apresentava outras desvantagens menores devido à sua composição:

  • Peso e espessura: os painéis eram pesados e espessos porque tinham que acomodar as células de plasma e os fósforos, além de serem revestidos com vidros grossos;
  • Tamanho: as limitações no processo de fabricação também restringiram a resolução e a variedade de tamanhos de tela. As TVs de Plasma populares tinham 42 polegadas ou mais. Não havia modelos menores que 32 polegadas à venda.
  • Sensível ao ambiente: TVs de Plasma eram mais sensíveis às condições climáticas, especialmente à altitude. Em altitudes mais elevadas, a pressão atmosférica menor afetava o comportamento dos gases dentro das células de plasma, o que poderia reduzir a qualidade da imagem.

Essas desvantagens tornaram as TVs de Plasma menos competitivas no mercado, sendo gradualmente substituídas por tecnologias mais avançadas e versáteis, como LCD e OLED.

No final de 2013, Panasonic e Samsung anunciaram o fim da produção de TVs de Plasma. Na época, a tecnologia respondia por apenas 5% das vendas de TVs no Brasil, contra 83,1% do LCD, segundo dados da consultoria GfK.

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