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Motorola RAZR i tem processador Intel de 2 GHz

Smartphone tem processador Intel Atom de 2 GHz e roda Ice Cream Sandwich.

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5 anos e meio atrás

Motorola RAZR i, o primeiro smartphone com processador Intel a ser vendido no Brasil | Clique em qualquer foto para ampliar

Em meados de setembro, a Motorola anunciou seu primeiro smartphone desenvolvido em parceria com a Intel. O RAZR i demorou apenas duas semanas para ser lançado no Brasil, e nós ficamos curiosos para saber como o aparelho se comportaria — é o primeiro com arquitetura x86, diferente de todos os outros lançados no país até agora, que possuem processador ARM.

Apesar do clock alto, de 2 GHz, e das características de um aparelho topo de linha, como a câmera de 8 megapixels que filma em Full HD, o RAZR i deverá competir com smartphones do segmento intermediário, como o Galaxy S III Mini e o LG Optimus L9. Com fabricação nacional, o aparelho possui preço sugerido de R$ 1.299 e promete tela de “borda a borda”, bom desempenho e até 20 horas de duração de bateria.

Será que o RAZR i possui boa autonomia de bateria, mesmo deixando de lado os processadores ARM, que são conhecidos por sua eficiência energética? O Intel Atom faz o aparelho esquentar muito? O desempenho é bom, mesmo com um processador single-core? A câmera de 8 megapixels tira fotos boas? As respostas para essas e outras perguntas você confere nos próximos parágrafos.

Design

Alto-falante do RAZR i fica escondido no logotipo da Motorola

A primeira impressão que tive ao segurar o RAZR i foi: nossa, ele é pequeno! A tela de 4,3 polegadas é a mesma do RAZR MAXX, mas a diferença de pegada entre os dois é notável — é bem mais fácil alcançar os cantos da tela do RAZR i sem precisar inclinar o aparelho. O lançamento da Motorola tem praticamente o mesmo tamanho do iPhone 4S, que possui tela bem menor, de 3,5 polegadas.

Mas não é bruxaria. Um dos destaques do aparelho, segundo a própria Motorola, é a tela que vai de “borda a borda”. A frente do RAZR i é totalmente dominada pela tela e houve um cuidado especial em deixar os outros componentes ocupando o mínimo de espaço possível. A câmera frontal está espremida e o alto-falante para ligações está escondido embaixo do logotipo da Motorola. Assim como no Galaxy Nexus, não há botões físicos na frente: eles agora fazem parte do sistema.

O acabamento do RAZR i segue o padrão da linha RAZR. Com um plástico bem rígido, alumínio aeronáutico em volta da tela e uma traseira feita com material de Kevlar, o aparelho passa uma sensação de robustez e parece um daqueles que não vai quebrar na primeira queda. Ele também possui parafusos expostos nas laterais, lembrando o Motorola Defy, smartphone que funcionou até debaixo da água num teste maluco do próprio Tecnoblog.

Na lateral esquerda, há um conector microUSB e uma porta que dá acesso ao slot para o chip microSIM e o cartão de memória microSD — nesse último, inclusive, a Motorola colocou um falso cartão de memória feito com plástico transparente, talvez para evitar que o usuário coloque o microSIM por engano no slot errado.

Comparativo: Galaxy Nexus, RAZR i e RAZR MAXX

Três botões estão localizados na lateral direita do aparelho: um botão liga/desliga, um controle de volume e um botão para acionar o aplicativo da câmera, que tira fotos rapidamente — falarei mais sobre isso adiante. O conector de fone de ouvido é o padrão de 3,5 milímetros e está na borda superior do RAZR i.

Tela

A Motorola colocou uma tela Super AMOLED Advanced de 4,3 polegadas com resolução de 960×540 pixels. O visor possui o polêmico esquema de pixels PenTile, que usa dois subpixels para formar as cores em vez dos três subpixels do tradicional RGB. Na teoria, esse tipo de tela possui uma durabilidade maior e gasta menos bateria, mas pode gerar alguns efeitos estranhos, como letras com sombras indesejáveis e imagens em preto e branco que misteriosamente ganham cores.

Tela de 4,3 polegadas do RAZR i não decepciona

Na prática, não notei problemas ao usar a tela do RAZR i, que possui boa relação de brilho e contraste. A leitura de textos é bastante agradável e as fontes são bem definidas. Em distâncias normais de uso, também não é possível diferenciar os pixels. Vale lembrar que, como o sistema “rouba” alguns pixels para exibir os botões na parte inferior, os jogos acabam rodando com resolução de 888×540 pixels.

Interface e navegação

Depois de ser muito criticada por encher o Android de widgets de utilidade questionável e aplicativos que só servem para consumir espaço e deixar o sistema mais lento, parece que a Motorola aprendeu a lição. Assim como o RAZR MAXX, o RAZR i traz um sistema muito parecido com o Android puro, encontrado na linha Nexus. Ainda há jogos de demonstração indesejáveis, mas pelo menos é possível desabilitá-los no Ice Cream Sandwich.

As poucas personalizações que a Motorola fez no Android 4.0.4 são bem-vindas. Ao deslizar a tela para o lado esquerdo, é possível ter acesso a um menu de configurações rápidas, que permite ativar ou desativar recursos como Wi-Fi, rede de dados, GPS e Bluetooth. O menu de aplicativos ganhou uma seção Favoritos, onde é possível escolher aplicativos muito usados para acessá-los rapidamente.

Há outras pequenas alterações em relação ao Android puro. A barra superior, que mostra as notificações e o horário, assim como a barra de botões, possuem uma discreta transparência. Os ícones Telefone e Mensagens foram levemente modificados e incluem um contador de eventos perdidos — assim, é possível saber rapidamente quantos SMS não lidos você possui.

O RAZR i ainda possui o Smart Actions pré-instalado, um aplicativo que executa tarefas automaticamente de acordo com o horário, local ou nível de bateria. É possível configurá-lo para que, quando você chegar ao seu trabalho, as notificações sejam automaticamente desativadas e o smartphone entre no modo silencioso, por exemplo.

Câmera

A câmera de 8 megapixels do RAZR i não impressiona nem um pouco na hora de fotografar. Mesmo sob a luz do dia, as fotos ficam com ruídos visíveis e com alguns estragos causados pelo processador de imagens. Em ambientes com pouca luz, a situação se complica mais ainda. Durante a noite, assim como em outros smartphones da mesma faixa de preço, borrões e granulações invadem a imagem.

O diferencial fica por conta do disparo contínuo, que tira dez fotos em menos de um segundo, algo que a Intel fez questão de destacar no evento de lançamento do aparelho. Talvez você não use esse recurso o tempo todo, mas ele pode ser útil nos momentos em que você estiver fotografando cenas com muito movimento. Aqui você confere oito fotos de exemplo tiradas com o RAZR i, com as configurações padrão da câmera:

O RAZR i também faz vídeos em 1080p, uma vantagem em relação aos smartphones intermediários, que normalmente só chegam a 720p. Mas também não espere requintes: o vídeo é tremido por conta da ausência de estabilização de imagem, os detalhes não são nítidos e há presença de ruídos.

Aqui você confere o vídeo gravado em 1080p, na véspera do feriado de 12 de outubro, um dia meio chuvoso e com bastante congestionamento em São Paulo:

Assista ao vídeo no YouTube e no Vimeo

Multimídia

O player de música é o padrão do Android, com integração com o Google Music. Como boa parte da minha biblioteca de músicas está nos servidores do Google, fica bem fácil ter acesso a elas de qualquer lugar, sem precisar conectar o smartphone ao PC. O player da Motorola, que tinha suporte ao pesado e ineficiente Motocast, não está mais presente.

Player de música padrão do Android

A execução de vídeos no RAZR i também é feita pelo player padrão do Android, que roda filmes em 720p sem engasgos, mesmo com um processador single-core. A experiência é muito boa, já que os botões do sistema ficam ocultos e o vídeo ocupa toda a tela de 4,3 polegadas, que exibe cores vivas e imagens nítidas. O som que sai do alto-falante traseiro é bem alto.

Conectividade e acessórios

A caixa do aparelho não traz nada além do básico. Há um guia rápido, um carregador de tomada, um cabo USB e um fone de ouvido com espumas de reserva. Esse fone de ouvido é o mesmo utilizado no RAZR MAXX: encaixa bem, mas é bem simples, faltam graves e as espumas parecem frágeis. Se você é mais exigente, vale a pena comprar fones de ouvido melhores.

A Motorola aposentou a conexão HDMI no RAZR i. Ele não traz mais o recurso Webtop, que permitia a execução de aplicativos adaptados para telas maiores quando o smartphone estivesse conectado a uma TV ou monitor externo. Na prática, poucas pessoas conheciam ou usavam o Webtop, então ele não deverá fazer muita falta.

Débito ou crédito, senhor? Celular!

O RAZR i, assim como boa parte dessa nova leva de smartphones, possui conectividade NFC. No evento de lançamento, a Motorola exibiu o aparelho funcionando com terminais de pagamento da Cielo, mas os estabelecimentos ainda precisam se adaptar e no momento não há muito o que fazer com NFC no Brasil.

Desempenho

Chegamos ao ponto crítico do smartphone: o Android é um sistema operacional feito originalmente para processadores ARM. Quase todos os smartphones do mercado contam com chips ARM. Será que o RAZR i, com arquitetura x86 e um processador single-core Intel Atom Z2480 de 2 GHz, traz um desempenho a altura dos concorrentes de mesma faixa de preço? A resposta é sim.

Não percebi grandes diferenças de desempenho em relação ao meu Galaxy Nexus, que possui um processador ARM dual-core de 1,2 GHz da Texas Instruments. É rápido abrir ou alternar entre aplicativos, e não há travadinhas incômodas nos jogos.

Mesmo após abrir vários aplicativos, o Android continua bastante rápido e fluído. O SwiftKey (teclado muito bom, recomendo), que costuma travar em aparelhos mais simples, roda sem problemas no RAZR i. Os benchmarks do RAZR i mostram um desempenho semelhante e em alguns casos superior ao RAZR MAXX e ao Galaxy Nexus:

Bateria

Bateria de 2.000 mAh dá conta do recado

O segundo ponto crítico do smartphone é a bateria: o RAZR i possui um processador com clock bem alto, de 2 GHz. E nós estamos falando de um chip com arquitetura x86, a mesma encontrada em notebooks e desktops, que normalmente ficam ligados a uma tomada elétrica ou baterias com capacidades bem maiores. Será que essas características não impactariam negativamente na autonomia do smartphone?

Com bateria de 2.000 mAh, o RAZR i não faz feio. No meu uso normal, que consiste em ler algumas centenas de feeds, responder a alguns emails, tweetar e ouvir duas horas de música, sempre na conexão 3G, o aparelho da Motorola termina o dia com carga sobrando. Muito provavelmente você não precisará se preocupar em ficar levando um carregador na mochila.

No teste padrão de uso intenso, com brilho no máximo, 30 minutos de navegação por 3G, 30 minutos de navegação por Wi-Fi, 20 minutos de streaming de vídeo por Wi-Fi, 40 minutos de execução de vídeo em 720p e 40 minutos de GLBenchmark 2.5 Egypt HD, a bateria chegou a 43%. É uma ótima marca, especialmente em comparação com o meu Galaxy Nexus, que terminou o teste com apenas 24% de carga.

No teste padrão de uso moderado, com brilho no médio, 15 minutos de navegação por 3G, 15 minutos de navegação por Wi-Fi, 10 minutos de streaming de vídeo por Wi-Fi, 20 minutos de execução de vídeo em 720p e 20 minutos de GLBenchmark 2.5 Egypt HD, a bateria chegou a 79%, uma marca excelente.

Pontos negativos

  • Alguns aplicativos ainda não estão adaptados para a arquitetura x86.
  • Câmera tira fotos com bastante ruído.

Pontos positivos

  • Acabamento excelente para um smartphone intermediário.
  • Bateria com boa autonomia.
  • Design compacto; tela de borda a borda.
  • Ice Cream Sandwich rápido, com modificações úteis da Motorola.

Conclusão

Tenha em mente que, por se tratar de um smartphone com processador x86, alguns aplicativos da Play Store são incompatíveis. Essas problemas acontecem principalmente com jogos, que muitas vezes usam recursos específicos da GPU para exibir efeitos gráficos mais avançados — o Asphalt 6, por exemplo, não roda no RAZR i. Mas a maioria dos aplicativos é instalada e executada normalmente — o Netflix e o Chrome, que até poucas semanas atrás não rodavam em x86, agora funcionam sem problemas.

Mesmo com processador x86, o aparelho não esquenta em uso normal. Ao usar intensamente a conexão 3G ou rodar um jogo pesado, o RAZR i começa a esquentar na região entre o logotipo da Motorola e a câmera traseira, mas a temperatura é aparentemente menor que a atingida pelo meu Galaxy Nexus e pelo novo iPad, e não deve causar incômodos.

No teste de estabilidade, o Galaxy Nexus também esquenta mais que o RAZR i

A Motorola fez um bom trabalho no Android, eliminando widgets inúteis do Motoblur e acrescentando modificações muito bem-vindas. Com o Jelly Bean, a responsividade do sistema deve ficar ainda melhor — e esperamos que a fabricante cumpra a promessa de disponibilizar o Android 4.1 entre o final de 2012 e o início de 2013, já que ela tem a péssima fama de cancelar suas atualizações em cima da hora, sem qualquer explicação.

O Motorola RAZR i é, sem dúvida, um dos melhores smartphones intermediários do mercado. Com acabamento típico de smartphones mais caros, desempenho bastante respeitável, boa autonomia de bateria e preço sugerido de R$ 1.299, ele deve ser uma boa opção para quem deseja uma boa experiência no Android sem gastar muito com um aparelho topo de linha.

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.000 mAh.
  • Câmera: VGA (frontal) e 8 megapixels (traseira).
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi, GPS, Bluetooth 2.1, DLNA, NFC e USB 2.0.
  • Dimensões: 122,5 x 60,9 x 8,3 mm.
  • Kit contém: aparelho Motorola RAZR i, fone de ouvido (3,5 mm), carregador e cabo USB.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB.
  • Memória interna: 8 GB.
  • Memória RAM: 1 GB.
  • Peso: 126 gramas.
  • Plataforma: Android 4.0 (Ice Cream Sandwich).
  • Processador: single-core Intel Atom Z2480 (Medfield) de 2 GHz com tecnologia HyperThreading.
  • Sensores: acelerômetro, proximidade e bússola.
  • Visor: Super AMOLED Advanced 4,3 polegadas com resolução de 540×960 pixels e proteção Gorilla Glass.