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As preocupações de Tim Berners-Lee sobre o futuro da web

Controle sobre dados pessoais, notícias falsas e propaganda política antiética são pontos levantados por ele

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1 ano atrás
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Há alguns dias, a web – uma das partes mais importantes da rede mundial de computadores – fez 28 anos. Parabéns! O físico britânico Tim Berners-Lee foi quem idealizou a World Wide Web (WWW) e, no domingo (12), ele publicou um artigo no Guardian elencando algumas preocupações que ele tem sobre sua criação.

Berners-Lee começa o artigo no jornal britânico falando que idealizou a web como uma “plataforma aberta que permitiria a todo mundo e em todos os lugares compartilhar informações, ter oportunidades de acesso e colaborar através de barreiras geográficas e culturais”. Ele acredita que a web alcançou esse propósito, mas se diz “cada vez mais preocupado” no último ano com algumas tendências que são um obstáculo para o propósito idealizado por ele.

Eis as três principais preocupações do “pai da web”, e o que ele sugere para resolvê-las:

1. A falta de controle sobre nossos dados pessoais

Sabe os termos de serviço que a gente aceita sem ler? Ou o tanto de scripts que colocam para coletar nossos dados de navegação? Ou serviços aparentemente grátis, mas que custam nossos dados pessoais e, consequentemente, nossa privacidade? Pois é. Esse modelo de trocar nossas informações por um serviço gratuito acaba fazendo com que usuários percam o controle direto do que estão e do que não estão compartilhando, segundo Berners-Lee.

A culpa, claro, não é unicamente nossa: ele diz que muitas vezes não temos opção, já que os termos de uso oferecem “tudo ou nada”. Uma vez com os nossos dados, empresas podem compartilhar com o governo ou usar como moeda de troca para favorecer certos interesses políticos ou econômicos.

“Em regimes opressores, é fácil ver o dano causado: jornalistas podem ser presos ou assassinados e oponentes políticos podem ser monitorados”, exemplifica Berners-Lee. Ele completa que, mesmo em países em que o governo tem boas intenções, “observar a todos e a qualquer momento é ir longe demais”, já que essa vigilância pode ser uma ameaça à liberdade de expressão.

O que fazer? Berners-Lee está trabalhando junto ao MIT em um projeto chamado Solid, que modulariza seus dados pessoais e impede que as empresas tenham acesso a muitas coisas de uma vez só sem a permissão clara do usuário.

Ele também sugere que assinaturas e micropagamentos (transações de baixíssimo valor) continuem sendo usados como forma de receita para jornais e outros negócios que dependem de anúncios. Assim, os dados pessoais para alimentar o marketing direcionado teriam menos valor. Se necessário, Berners-Lee ainda encoraja os cidadãos a processar o governo para brigar por um controle menos abusivo sobre informações pessoais.

2. Fake news e a desinformação na web

Nós já falamos sobre isso no Tecnocast 059: notícias falsas se disseminam rapidamente com facilidade na web, tanto por conta de quem compartilha o que reforça suas próprias opiniões sem checar a veracidade, quanto por conta dos algoritmos do Google e Facebook que priorizam só o que você quer ver.

Esse é um assunto problemático pela própria definição de verdade e pela incapacidade de algoritmos e até mesmo de humanos em combater a desinformação.

O que fazer? Berners-Lee diz que devemos pressionar o Facebook e o Google para continuar os esforços em combater notícias falsas, sem centralizar o que é ou não verdade. Ele também pede mais transparência em como os algoritmos estão sendo usados para influenciar nossa vida (e também nossa timeline).

3. Propaganda política como spam e sem transparência

Já falamos sobre spam eleitoral aqui: para conseguir votos, políticos fazem campanhas enormes na internet e contratam pessoas para sair espalhando propaganda política desenfreadamente e da forma que mais os favoreça. “Anúncios direcionados permitem que uma campanha propague discursos completamente diferentes ou conflitantes para grupos diferentes. Isso é democrático?”, questiona Berners-Lee.

O que fazer? Segundo ele, precisamos de mais regulações sobre propaganda política na internet, assim como ela é regulamentada na TV ou rádio.

Por fim, o pai da web admite que esses problemas não são simples e devem ser abordados com a ajuda das empresas e, principalmente, dos usuários. Ele estabeleceu uma estratégia de cinco anos na Web Foundation, organização em que ele trabalha atualmente, para se aprofundar nos problemas e em suas devidas soluções.

Será que ele se esqueceu de algo? E essas soluções, são plausíveis?

Com informações: Gizmodo, BBC Brasil.