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As preocupações de Tim Berners-Lee sobre o futuro da web

Controle sobre dados pessoais, notícias falsas e propaganda política antiética são pontos levantados por ele

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36 semanas atrás
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Há alguns dias, a web – uma das partes mais importantes da rede mundial de computadores – fez 28 anos. Parabéns! O físico britânico Tim Berners-Lee foi quem idealizou a World Wide Web (WWW) e, no domingo (12), ele publicou um artigo no Guardian elencando algumas preocupações que ele tem sobre sua criação.

Berners-Lee começa o artigo no jornal britânico falando que idealizou a web como uma “plataforma aberta que permitiria a todo mundo e em todos os lugares compartilhar informações, ter oportunidades de acesso e colaborar através de barreiras geográficas e culturais”. Ele acredita que a web alcançou esse propósito, mas se diz “cada vez mais preocupado” no último ano com algumas tendências que são um obstáculo para o propósito idealizado por ele.

Eis as três principais preocupações do “pai da web”, e o que ele sugere para resolvê-las:

1. A falta de controle sobre nossos dados pessoais

Sabe os termos de serviço que a gente aceita sem ler? Ou o tanto de scripts que colocam para coletar nossos dados de navegação? Ou serviços aparentemente grátis, mas que custam nossos dados pessoais e, consequentemente, nossa privacidade? Pois é. Esse modelo de trocar nossas informações por um serviço gratuito acaba fazendo com que usuários percam o controle direto do que estão e do que não estão compartilhando, segundo Berners-Lee.

A culpa, claro, não é unicamente nossa: ele diz que muitas vezes não temos opção, já que os termos de uso oferecem “tudo ou nada”. Uma vez com os nossos dados, empresas podem compartilhar com o governo ou usar como moeda de troca para favorecer certos interesses políticos ou econômicos.

“Em regimes opressores, é fácil ver o dano causado: jornalistas podem ser presos ou assassinados e oponentes políticos podem ser monitorados”, exemplifica Berners-Lee. Ele completa que, mesmo em países em que o governo tem boas intenções, “observar a todos e a qualquer momento é ir longe demais”, já que essa vigilância pode ser uma ameaça à liberdade de expressão.

O que fazer? Berners-Lee está trabalhando junto ao MIT em um projeto chamado Solid, que modulariza seus dados pessoais e impede que as empresas tenham acesso a muitas coisas de uma vez só sem a permissão clara do usuário.

Ele também sugere que assinaturas e micropagamentos (transações de baixíssimo valor) continuem sendo usados como forma de receita para jornais e outros negócios que dependem de anúncios. Assim, os dados pessoais para alimentar o marketing direcionado teriam menos valor. Se necessário, Berners-Lee ainda encoraja os cidadãos a processar o governo para brigar por um controle menos abusivo sobre informações pessoais.

2. Fake news e a desinformação na web

Nós já falamos sobre isso no Tecnocast 059: notícias falsas se disseminam rapidamente com facilidade na web, tanto por conta de quem compartilha o que reforça suas próprias opiniões sem checar a veracidade, quanto por conta dos algoritmos do Google e Facebook que priorizam só o que você quer ver.

Esse é um assunto problemático pela própria definição de verdade e pela incapacidade de algoritmos e até mesmo de humanos em combater a desinformação.

O que fazer? Berners-Lee diz que devemos pressionar o Facebook e o Google para continuar os esforços em combater notícias falsas, sem centralizar o que é ou não verdade. Ele também pede mais transparência em como os algoritmos estão sendo usados para influenciar nossa vida (e também nossa timeline).

3. Propaganda política como spam e sem transparência

Já falamos sobre spam eleitoral aqui: para conseguir votos, políticos fazem campanhas enormes na internet e contratam pessoas para sair espalhando propaganda política desenfreadamente e da forma que mais os favoreça. “Anúncios direcionados permitem que uma campanha propague discursos completamente diferentes ou conflitantes para grupos diferentes. Isso é democrático?”, questiona Berners-Lee.

O que fazer? Segundo ele, precisamos de mais regulações sobre propaganda política na internet, assim como ela é regulamentada na TV ou rádio.

Por fim, o pai da web admite que esses problemas não são simples e devem ser abordados com a ajuda das empresas e, principalmente, dos usuários. Ele estabeleceu uma estratégia de cinco anos na Web Foundation, organização em que ele trabalha atualmente, para se aprofundar nos problemas e em suas devidas soluções.

Será que ele se esqueceu de algo? E essas soluções, são plausíveis?

Com informações: Gizmodo, BBC Brasil.

  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Tecnoblog usando G1z US como fonte? Cuidado com a má qualidade do que vêm de lá hein kkkkkk

    • Kang Otro ✓

      Não compare Giz US com Giz Br.

      • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

        É tudo saco da mesma farinha

        • CtbaBr

          Mas ha exceções!
          No Brasil por exemplo, nem tudo é ruim, afinal nós estamos aqui!

    • Giovani Sousa

      Pior ainda é a BBC !

    • Bruno Ribeiro da Silva

      Hehe eu já vi sites BR fazendo uso quase “descarado” das fontes de Info primárias, aplicando apenas a tradução (as vezes porca) e um leve remake no CSS da página…

  • CtbaBr

    O cara tem uma visão perfeita dos problemas, realmente muito sensato e lúcido!
    Mas esqueça o “compartilhar”, hoje isso pode dar processo!

  • Joaomanoel

    O melhor da desinformação na web são os ignorantes. Tipo os que defendem terra plana. Dá sono.

    • Rafael Dias

      Mas se a internet é livre o cara defende o que ele quiser. Ou você quer regular a internet?

      • Joaomanoel

        Não, até pq não tenho o poder para isso. Só é desesperador. Se fossem opiniões, tudo bem. Mas é pura ignorância mesmo. É tipo os tempos da Inquisição: isso não é mais permitido hoje e distribuir desinformação deveria ser também.

        • Rafael Dias

          Mas aí que tá o problema. Quem vai dizer o que é informação ou desinformação? O próprio usuário ou um regulador? Estamos vivenciando um momento em que nem especialistas entram em consenso… Eu ainda acho que desde que não seja violência e abuso sexual, a internet tem que ser livre, mesmo que algumas pessoas sejam caluniadas…

    • 안토니오

      mas o quê

    • Juaum

      Quantas “pérolas”…

  • Molinex

    Sr. Berners Lee, que figura genial…
    Se eu fosse um daqueles milionários que podem gastar fortunas com souvenirs, compraria o NEXT, que se encontra no CERN, no qual o senhor criou a World Wide Web…
    Já pensou, um NEXT, criado pelo Jobs, usado por Sir Tim Berners Lee pra criar a web, na sala de estar da minha mansão em Gotham…

    • Gesonel o Mestre dos Disfarces

      Esse NEXT está no museu de ciências de londres.

  • Rafael Dias

    As pessoas precisam decidir se querem uma internet livre ou regulada. Afinal, quem vai decidir o que é notícia verdadeira ou notícia falsa? E quando são casos extremamentes complexos com inumeras variáveis e ponto de vista forem discutidos (quase sempre)? Pra mim, fora crime sexual e de violência física a internet deveria ser livre. Mas o cara fala bonitinho e todo mundo sai rasgando a calcinha.

    • Antony

      RLY? Como assim, ninguém deve fazer nada quando alguém mal intencionado divulga informações falsas, mesmo sabendo que um monte de gente vai acreditar e disseminar? Lembro das últimas eleições presidenciais (fui mesário), onde um monte de gente foi votar achando que PT tinha envenenado o Youssef como queima de arquivo. É claro, deixa rolar, vamos ver o circo pegar fogo. Assim como a mulher que foi linchada e morta depois que divulgaram uma foto dela como sequestradora de crianças (ou algo do tipo).DEIXA ROLAR!

      • Rafael Dias

        Mas quem irá julgar o que é verdade e o que é mentira? Você utilizou casos extremos como regra, e os casos sutís? Daqui a pouco a internet vai virar a “nova Globo” ou um puxadinho do governo. Acho que é preciso distinguir o que é opinião e o que é crime.

  • ToxicBR

    E quando aquele sintetizador de voz de última geração sair? Só vai dar para acreditar nas coisas face to face