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eSIM: como funciona a nova geração do chip de celular

Entenda como será o futuro da telefonia celular sem o chip convencional; novo padrão de SIM Card está no iPhone XS, XS Max e XR

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07/11/2018 às 14h39
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Há muito tempo que se discute o futuro do SIM Card, aquele chip de operadora que você coloca dentro do celular. O futuro será um mundo sem chips, ou melhor, sem chips removíveis: o eSIM é um padrão que já existe e começou a dar as caras no Brasil. Descubra como o chip virtual funciona, quais operadoras utilizam e suas vantagens e desvantagens.

Por que acabar com o chip removível

O chip é primordial para a conexão do dispositivo com a operadora: entre menus, espaço para contatos e mecanismos de segurança está o IMSI (International Mobile Subscriber Identity), uma identidade que contém as informações necessárias para que o celular funcione com o seu número, com o seu plano e para que ele se conecte à rede de telefonia. É uma das principais vantagens do padrão GSM, porque facilita a troca entre um aparelho e outro: ao comprar um novo celular, basta colocar o chip; seu número e plano já estarão prontos para uso.

Só que, a cada ano, as fabricantes de smartphones precisam de mais espaço no celular para colocar componentes como sensores, processadores e mais bateria. O chip removível ocupa bastante espaço, mas era obrigatório para o funcionamento do celular. Além disso, o tamanho do SIM Card e todo o mecanismo para inseri-lo é uma barreira para adicionar conectividade a dispositivos menores, como relógios e módulos de comunicação para a Internet das Coisas.

A grande verdade é que o chip não vai acabar, e sim deixará de ser removível. O eSIM nada mais é do que uma espécie de SIM Card embutido no dispositivo e que não poderá ser trocado com facilidade.

Como funciona o eSIM no iPhone

Por ser uma tecnologia relativamente nova no mercado de consumo, o eSIM ainda está restrito a pouquíssimas operadoras e dispositivos. Os primeiros smartphones de uma grande fabricante a embarcar com uma solução de eSIM são o iPhone XR, XS e XS Max, que também possuem a bandeja para um SIM Card convencional. Isso permite que o celular opere com duas linhas celulares ao mesmo tempo, sem a necessidade de uma bandeja para dois chips.

É possível configurar o eSIM de duas maneiras: através de um aplicativo, ou inserindo informações fornecidas pela operadora. A primeira opção é feita seguindo o caminho Ajustes > Celular > Adicionar Plano Celular. Isso permite que o cliente contrate o serviço de uma operadora sem ter que se dirigir até uma loja, e sem procurar um chip.

Já a segunda opção envolve escanear um QR Code ou digitar o endereço SM-DP+, o código de ativação e um código de confirmação, quando aplicável. O SM-DP+ é um padrão estabelecido pela GSMA que adiciona ao eSIM as informações do IMSI, que é exatamente a mesma identidade presente nos SIM Cards convencionais. Feito isso, o dispositivo já provisiona a linha da operadora e permite ao cliente utilizar o serviço.

O eSIM também está disponível no iPad Pro de 11 polegadas e no iPad Pro de 12,9 polegadas (3ª geração) lançados recentemente, na versão Wi-Fi + Cellular.

Vantagens e desvantagens

O eSIM pode parecer uma tecnologia ingrata ao olhar pela primeira vez: a flexibilidade de trocar de operadora a qualquer momento é uma das maiores vantagens do SIM Card convencional. No entanto, existem algumas vantagens que podem se sobressair:

  • a tecnologia permite contratar planos e mudanças de operadoras diretamente no dispositivo, sem a necessidade de se dirigir a uma loja ou comprar um chip pela internet;
  • durante viagens internacionais, será possível contratar planos de uma operadora local, evitando tarifas caras de roaming;
  • caso você tenha seu celular perdido ou roubado, outra pessoa não conseguirá remover o chip para inibir o localizador.

Quais operadoras já usam o eSIM no iPhone?

A tecnologia ainda é novidade, e por isso ainda é pouco utilizada no mundo. De acordo com a Apple, o serviço já está disponível em algumas operadoras da Alemanha, Áustria, Canadá, Croácia, Hungria, Índia, Reino Unido e República Tcheca, e chegará em breve aos Estados Unidos e Espanha.

O Tecnoblog entrou em contato com as principais operadoras brasileiras logo após o lançamento dos iPhones XS, XS Max e XR:

  • a Vivo foi a primeira a se manifestar e prometeu a adoção da tecnologia: “a Vivo é guiada pela constante inovação e alta qualidade dos seus serviços e já está trabalhando para oferecer a funcionalidade do eSIM para seus clientes”.
  • a TIM nos disse que “irá garantir o funcionamento dos novos iPhones homologados pela Anatel e vendidos pela Apple no Brasil com o SIMCard 4G TIM. Ainda não temos informações a respeito do funcionamento da tecnologia eSIM dos novos produtos e como será empregado o uso do Dual SIM nesses modelos”. No entanto, ela respondeu ao Teletime nessa semana que “em breve teremos compatibilidade não só com essa solução, mas também com o Apple Watch que já está sendo vendido no Brasil”.
  • a Claro não respondeu ao e-mail do Tecnoblog, mas disse ao Teletime que está trabalhando para oferecer a tecnologia aos seus clientes. A verdade é que, no Brasil, a Claro é a pioneira no eSIM, mas funciona apenas no Apple Watch, com funcionamento diferente de uma linha convencional, uma vez que se trata de uma extensão de um número já utilizado no iPhone.
  • A Oi preferiu não responder aos questionamentos do Tecnoblog, mas disse ao Teletime que “tem realizado estudos sobre a tecnologia eSIM para avaliar a melhor forma de disponibilizá-la a seus clientes”.

Você pode usar o eSIM com a operadora virtual Truphone

Se você já possui um iPhone XS, XS Max ou XR, já pode aproveitar a tecnologia. Embora nenhuma companhia brasileira ainda ofereça suporte, a operadora virtual Truphone permite contratar planos que funcionam em 80 diferentes países, incluindo Estados Unidos, Europa, Ásia, Oceania e boa parte da América Latina.

O serviço comercializa apenas planos de dados, ou seja, não é possível fazer ligações com o Truphone. Existem três planos:

  • 300 MB, válidos por 1 dia: US$ 7
  • 1 GB, válidos por 30 dias: US$ 18
  • 3 GB, válidos por 30 dias: US$ 49

O MacMagazine utilizou o serviço, que no Brasil funcionou com a operadora Oi. O Truphone também está disponível para quem possui um iPad com eSIM ou com Apple SIM. O único porém é que não está disponível na App Store brasileira, mas é fácil criar uma conta americana ou europeia para baixar o aplicativo.