Esses são os motivos pelos quais a Apple não fez uma demissão em massa

Gigante de Cupertino é a única Big Tech que não realizou uma enorme leva de demissões nos últimos meses; filosofia de Tim Cook pode ser uma das chaves para isso

Felipe Freitas
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Nos últimos meses, cada vez que uma Big Tech anunciava demissões em massa, surgia a pergunta: quem será a próxima? Depois de meses de milhares de funcionários cortados, só resta a Apple. Mesmo com a redução global na compra de smartphones, problemas de produção na China e expectativa de trimestre ruim, Tim Cook parece ser o único CEO imune aos problemas econômicos do cenário global.

Tim Cook, CEO da Apple
Tim Cook na conferência WWDC 2022 (Imagem: Divulgação / Apple)

Na semana passada, Microsoft e Google anunciaram os seus layoffs com dois dias de diferença. Na quarta-feira, quando veio o anúncio de Satya Nadella sobre as 10 mil demissões na Microsoft, brinquei “só falta Google e Apple”. Na sexta, Sundar Pichai divulgou um comunicado dizendo que 12 mil funcionários seriam desligados. Três dias depois e a Apple segue com o quadro de funcionários pouco alterado.

Cenário da Apple reflete filosofia da gestão

A Apple só realizou um layoff na sua história: no longínquo ano de 1997, poucos meses antes de Steve Jobs substituir Gil Amelio como CEO. 4.100 empregados da empresa foram para o olho da rua, seguido de alguns projetos cancelados. Desde então, a Apple virou a Apple.

Por mais que a empresa tenha “criado os smartphones” como conhecemos hoje, as novidades em seus produtos costumam ser pontuais e graduais. A ideia nos últimos é lançar sempre produtos “padrão Apple”, não apresentar algo só porque a concorrência mostrou — sim, estou falando do “iPhone dobrável”. Mas temos outros exemplos.

A câmera principal do iPhone 14 Pro e Pro Max foi atualizada depois de quase oito anos — saiu um sensor de 12 MP e entrou um de 48 MP. Nos próximos meses, a Apple deve apresentar o seu headset de realidade mista. Ela poderia ter lançado isso anos atrás, mas foi cautelosa — assim como ela está com o Apple Car. Só não entendemos a cautela com o USB-C, mas tudo bem.

Essa gestão cautelosa é reflexo do papel de Tim Cook como CEO da empresa. Time que está ganhando se mexe, mas não de qualquer jeito.

Apple revive parceria com Jony Ive em animação de seu streaming / Apple / Divulgação
Jony Ive e Tim Cook (Imagem: Divulgação / Apple)

Enquanto todas as concorrentes aproveitaram o crescimento de 2020-2021 para contratar loucamente, o quadro de funcionários da Apple aumentou 20%. De acordo com dados da consultora Macrotrends, a empresa de Cupertino contratou 17 mil pessoas nesse período.

Já a concorrência, como informa o The Wall Street Journal, foi mais agressiva. A Amazon dobrou o quadro de empregados, enquanto a Microsoft e Google cresceram 53% e 57%, respectivamente.

Outro ponto de cautela da Apple foi não investir pesado em metaverso projetos de longo prazo, como a Meta faz com a Reality Labs. Mesmo que o iPhone 14 Plus esteja com vendas baixas, ainda é um problema da área em que a Apple tem muito sucesso. Não é como se eles tivessem desenvolvido um celular do zero por anos — é um 14 Pro com um chip e notch antigo.

“O desconto é maior se eu não comprar”

Tim Cook, CEO da Apple, ao lado de MacBook Air 2022
Tim Cook e MacBook Air (Imagem: Divulgação / Apple)

A frase acima foi dita por Julius Rock, pai de Chris Rock na série Todo Mundo Odeia o Chris. Todavia, combina com algumas políticas da Apple.

Primeiro, os lanches realizados na “cantina” do Apple Park são pagos pelos funcionários: nada de open food. Google e Meta pagam os almoços nas suas sedes.

Em agosto do ano passado, a Apple demitiu 100 funcionários — de um quadro 164 mil empregados. Claro, ainda estamos falando de várias pessoas, mas não chega ao número absurdo de demissões das concorrentes.

O motivo desses cortes é que a empresa congelou as contratações. Logo, por que manter 100 tech recruiters, profissionais responsáveis contratar pessoas da área de tecnologia, se você não contratará ninguém? Aqui é outro ponto no qual a Apple parece ter mantido a cautela.

Ela pode estar “imune” das demissões em massa neste momento, mas absolutamente nada impede que a Apple entre na lista de Big Techs que realizaram layoffs. A diferença é que ela só segurou por mais tempo por ser cautelosa. Fique atento aos próximos capítulos, principalmente no dia 3 de fevereiro — quando a gigante de Cupertino mostrará os próximos resultados trimestrais.

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