Anatel testa sistema que mostra nome e motivo da ligação

Protocolo Stir/Shaken está em uso nos Estados Unidos. Apple, Motorola, Samsung e outras fabricantes precisarão adaptar os celulares.

Thássius Veloso
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Fachada da sede da Anatel
Fachada da sede da Anatel (Imagem: Reprodução/Anatel)
Resumo
  • A Anatel iniciou testes em rede aberta de um sistema de validação e identificação de chamadas para combater ligações falsas, prometendo mais segurança aos consumidores.
  • O sistema estava em fase de testes em rede fechada e agora expande para a rede pública, beneficiando números como 0800 e 4004.
  • Ele utiliza o protocolo Stir/Shaken, permitindo integração entre chamador e receptor, com a novidade de também informar o motivo da ligação.
  • O recurso será gratuito para o consumidor final, com custos absorvidos pelo ecossistema de telecomunicações.
  • A implementação requer adaptações nos aplicativos nativos de telefone por parte dos fabricantes de celulares. Empresas como Claro e TIM estão envolvidas nos testes, enquanto não há informações sobre a participação da Vivo.

A Agência Nacional de Telecomunicações iniciou os testes em rede aberta do sistema de validação e identificação de chamadas. Na prática, a Anatel dá um passo importante na guerra contra as ligações falsas de bancos, financeiras, crediários e outras lojas, já que os consumidores terão uma camada adicional de segurança.

A experimentação ocorria na chamada rede fechada há meses. Desde a semana passada, porém, as empresas de telecomunicações podem utilizar o mecanismo da Anatel em telefonemas na chamada rede pública. Os números 0800, 4004 e similares tendem a ficar mais seguros a partir de agora.

O superintendente de Controle de Obrigações da agência, Gustavo Borges, me explicou que hoje em dia um banco precisa contratar uma fornecedora do serviço de ligações em massa. Esta empresa deverá registrar cada ligação num ambiente próprio. Quando o usuário receber a chamada no smartphone dele, este aparelho irá consultar a mesma base de dados, de modo a confirmar que naquele dia e naquela hora, o banco fez uma ligação.

Borges contou ainda que a implementação no Brasil ganha um caráter adicional em relação ao que se vê nos Estados Unidos. Ao ligar para alguém, as empresas também poderão informar o motivo da ligação: promoção, cobrança, retorno de contato do cliente, e por aí vai.

Ilustração simula identificador de chamadas do telefone. A tela traz a marca da empresa e o motivo da chamada.
Empresas de telecomunicações iniciam testes do Stir/Shaken em rede aberta (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Anatel optou por usar o protocolo Stir/Shaken, que já é conhecido no mercado internacional. Ele possibilita a integração entre o chamador e o usuário que recebe o telefonema.

Este novo recurso será de graça para o consumidor final. Seu pagamento será feito no ecossistema de telecomunicações, que ganha com ligações mais assertivas e seguras.

“Cada operadora e cada empresa de telefonia pode realizar os testes da maneira que preferir”, diz o superintendente da Anatel. Ele admite que, ao menos neste primeiro momento, um percentual baixo de smartphones exibirá a nova tela de identificação de chamadas.

Este, aliás, é um tema à parte: cada fabricante de celular precisará adaptar o aplicativo nativo de telefone para o novo layout. Empresas do porte de Apple, Motorola e Samsung deverão fazer modificações para que o Stir/Shaken seja exibido aos clientes.

A tela mostra até mesmo a marca da empresa responsável pela ligação. A abordagem lembra os perfis verificados nas redes sociais. Segundo Borges, o Stir/Shaken tem se mostrado um recurso promissor para evitar os golpes de chamadas falsas ou do 0800 falso, que se utilizam de um método conhecido como spoofing.

A Anatel não divulgou o cronograma com as próximas etapas do sistema de validação e identificação. Reuniões estão previstas para as próximas semanas na força-tarefa do Stir/Shaken, com o objetivo de avaliar os primeiros resultados do teste em rede aberta.

O Tecnoblog apurou que a Claro e a TIM têm participado do desenvolvimento da novidade. Por outro lado, não temos notícias sobre o envolvimento da Vivo.

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